
Conhecido por : Clérigo anglicano famoso por sua pregação fascinante e de estilo revivalista para a maior parte do mundo de língua inglesa do século XVIII durante “O Grande Despertar”.
Pais : Thomas e Elizabeth Whitefield.
Nascido : 16 de dezembro de 1714, em Gloucester, Gloucestershire, Inglaterra.
Faleceu em : 30 de setembro de 1770, em Newburyport, Massachusetts, Estados Unidos.
Trabalhos publicados: Diário ; Vários sermões ; Um breve relato dos tratos de Deus com o reverendo George Whitefield ; Um relato adicional dos tratos de Deus com o reverendo George Whitefield .
Citação notável : “Um ministério morto sempre produzirá um povo morto, ao passo que se os ministros forem aquecidos pelo amor de Deus, eles não poderão deixar de ser instrumentos de difusão desse amor entre os outros.”
George Whitefield -Uma Voz que Atravessou Continentes
Há momentos na história quando Deus levanta um homem cujo coração pulsa com o ritmo do céu, e cuja voz ecoa como trovão sobre as multidões sedentas. George Whitefield foi precisamente um desses raros instrumentos da providência divina. Conhecido como o “príncipe dos pregadores ao ar livre”, este homem transformou o século XVIII em um teatro de despertamento espiritual, onde campos se tornaram catedrais e multidões se converteram em congregações ardentes.
Portanto, quando observamos a trajetória de George Whitefield, não contemplamos apenas uma biografia extraordinária, mas um testemunho vivo de como Deus pode usar um vaso consagrado para incendiar corações em dois continentes. Sua eloquência transcendeu as limitações humanas, e seu zelo pela salvação das almas transformou comunidades inteiras na Grã-Bretanha, Irlanda e América. Assim, o legado de Whitefield permanece como um farol que ainda hoje ilumina o caminho para aqueles que desejam servir ao Senhor com paixão genuína.
Whitefield enxergou com clareza penetrante a condição espiritual de seu tempo. Sua pregação não era entretenimento religioso, mas uma expedição através dos territórios mais profundos da experiência humana – do desespero do pecado à glória da redenção.
Há homens que nascem para serem pontes entre o céu e a terra. Eles carregam em si uma chama que não pode ser apagada pelas águas do desprezo ou pelos ventos da adversidade. Whitefield era um desses homens – um incendiário sagrado que ateava fogo nos corações adormecidos de sua geração.
O verdadeiro pregador não é aquele que fala sobre Deus, mas aquele através de quem Deus fala. Há uma diferença abismal entre conhecer a teologia e conhecer o Deus da teologia. Whitefield havia encontrado esse Deus vivo, e por isso sua pregação pulsava com a vida do próprio Cristo.
O Chamado Sobrenatural: Quando o Céu Tocou a Terra
Em 1741, na Escócia, algo extraordinário aconteceu em Cambuslang. Mais de 100 mil pessoas se reuniram como um “mar humano” para ouvir George Whitefield pregar. Suas palavras, vivificadas pelo Espírito Santo, ecoaram distintamente através da multidão, alcançando cada coração presente. O impacto foi tão profundo que 10 mil penitentes responderam ao apelo para se entregarem a Cristo. Esse evento extraordinário permanece como um dos raros exemplos do cumprimento das palavras de Jesus em João 14:12: “Na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas, porque eu vou para o Pai.”
Assim, Whitefield, movido por um “fogo ardente encerrado nos ossos”, pregava com uma paixão que transcendia suas limitações físicas. Apesar de sua saúde frágil e problemas pulmonares, ele realizou a façanha de pregar diariamente durante 28 dias para multidões de 10 mil pessoas, com sua voz sendo ouvida claramente a mais de 1 km de distância. Sem templos capazes de abrigar tais multidões, Whitefield armava seu púlpito ao ar livre, sob o “teto construído por Deus: os céus”. Por isso, durante 34 anos, ele pregou em média 10 vezes por semana, alcançando milhares com sua mensagem de libertação do pecado.
Há momentos na história quando a eternidade irrompe no tempo, e o sobrenatural se manifesta através do ordinário. George Whitefield viveu esses momentos com uma intensidade que poucos homens experimentam. Sua pregação não era apenas eloquente; era profética, ungida por uma autoridade que vinha do alto.
Existe uma diferença entre falar sobre o fogo e estar em chamas. Whitefield não apenas falava sobre o poder de Deus; ele estava consumido por esse poder. Cada palavra que saía de seus lábios carregava a força da convicção pessoal e da experiência vivida. A verdadeira grandeza não se mede pelo aplauso dos homens, mas pela aprovação de Deus. Há homens que conquistam multidões, mas perdem suas almas. Whitefield, ao contrário, conquistou multidões precisamente porque havia primeiro entregue a si mesmo para Cristo.
As Raízes da Grandeza: Forjado na Adversidade
Nascido em uma taberna de bebidas alcoólicas, George Whitefield enfrentou adversidades desde cedo. Órfão de pai antes dos três anos, viu sua mãe se casar novamente. Apesar das dificuldades, ele continuou seus estudos, trabalhando na pensão de sua mãe, onde limpava quartos, lavava roupas e vendia bebidas no bar. Mesmo sem ser convertido na juventude, Whitefield tinha grande interesse pelas Escrituras, passando noites lendo a Bíblia. Portanto, na escola, sua oratória natural e espontânea já era reconhecida como um dom extraordinário.

Assim, em Oxford, onde trabalhou como garçom para custear seus estudos, Whitefield se juntou ao grupo de estudantes liderado por John e Charles Wesley, conhecido como o “Clube Santo”. Nesse período, ele jejuava e buscava mortificar a carne, na tentativa de alcançar a salvação, sem compreender que a verdadeira religião é “a união da alma com Deus e a formação de Cristo em nós”. Sobre sua conversão, ele escreveu: “Eu sei o lugar onde, todas as vezes que vou a Oxford, sinto-me impelido. É esse lugar onde Jesus se revelou a mim pela primeira vez e me deu um novo nascimento.”
A jornada de George Whitefield desde uma taberna até os púlpitos mais influentes de sua época ilustra perfeitamente como Deus utiliza os vasos mais improváveis para realizar seus propósitos eternos. Sua origem humilde não foi um obstáculo, mas uma preparação divina para um ministério que alcançaria todas as classes sociais.
O Ministério Consagrado: Uma Vida Derramada
Após um período de saúde debilitada, George Whitefield voltou para casa determinado a crescer na graça de Deus. Ele iniciou uma classe bíblica para jovens, visitava doentes, pobres e prisioneiros, orando com eles e prestando serviços manuais. Aos 21 anos, desafiando a regra de ordenação que exigia no mínimo 23 anos, foi ordenado pastor. Na véspera de sua ordenação, ele escreveu: “A tarde, retirei-me para um alto perto da cidade, onde orei com instância durante duas horas, pedindo ao meu favor e também por aqueles que estavam para ser separados comigo.”
Assim, no dia da ordenação, ele orou sobre a epístola de Paulo a Timóteo, especialmente 1 Timóteo 4:12: “Ninguém despreze a tua mocidade.” Durante a cerimônia, ao sentir as mãos do bispo sobre si, Whitefield afirmou: “Eu posso testificar perante os céus e a terra que, quando o bispo impôs as mãos, meu coração não me engana. Ofereci todo o meu espírito, alma e corpo para o serviço no santuário de Deus.”
A pregação de George Whitefield era tão vívida que parecia quase sobrenatural. Em um sermão, ao descrever um navio perdido em um furacão, ele o fez com tal realismo que marinheiros na plateia pularam de seus assentos, gritando “As baleias! As baleias!”. Em outra ocasião, ao retratar um cego caminhando rumo a um precipício, o camareiro-mor presente exclamou: “Meu Deus, ele desapareceu!” Portanto, essas reações refletiam o impacto de sua oratória, que não apenas cativava, mas levava as pessoas a confrontarem a realidade espiritual de suas vidas.
A Fonte do Poder: Intimidade com Deus
George Whitefield não pregava para entreter. Sobre uma de suas pregações, alguém escreveu: “Quase nunca pregava sem chorar, e sei que suas lágrimas eram sinceras.” Ele mesmo questionava a audiência: “Ouvis dizer que vós me censurais porque choro. Mas como posso conter-me quando não chorareis por vós mesmos, apesar de vossas almas mortais estarem à beira da destruição? Não sabeis se estais ouvindo o último sermão ou não. Jamais terei outra oportunidade de chegar a Cristo.”
Assim, o segredo do impacto de Whitefield não residia apenas em sua voz poderosa ou eloquência natural, mas em sua vida de oração e busca constante pela presença de Deus. Ele dividia seu dia em três partes: oito horas em comunhão com Deus e estudos, oito horas para sono e refeições, e oito horas para o trabalho ministerial. Portanto, mesmo em tempos de decadência espiritual, quando igrejas fechavam suas portas para ele e hotéis o rejeitavam como hóspede, Whitefield perseverava, pregando nos campos.
Benjamin Franklin, que admirava George Whitefield, mas rejeitava sua teologia, descreveu sua oratória: “Cada pronúncia, cada ênfase, cada modulação de voz era tão perfeitamente bem trabalhada e bem colocada que, sem estar interessado no assunto, não se podia deixar de ficar satisfeito com o discurso, um prazer quase igual ao experimentado de uma excelente peça musical.” Whitefield, no entanto, não via sua pregação como um mero exercício de oratória. Ele diria que pregava assim porque acreditava que “o que li na Bíblia é real”. Sua eloquência não substituía a revelação divina, mas estava a serviço dela, movida por um compromisso consciente com a verdade.
O Legado Eterno: Uma Vida Escondida com Cristo
George Whitefield tornou-se o estopim do reavivamento na América e na Grã-Bretanha. Apesar de discordâncias teológicas com John Wesley, que o levaram a ser conhecido como líder dos metodistas calvinistas, os dois mantiveram uma amizade marcante. Whitefield pregou mais de 18 mil sermões, viajando extensivamente pelos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Irlanda. Ele faleceu em 1770, em Newburyport, Massachusetts, após uma série de pregações.
Assim, no dia anterior à sua morte, em Exeter, pregou por duas horas para uma multidão que não cabia em nenhum prédio. Um dos presentes relatou que “seu rosto brilhava como o sol”. Ao subir para o quarto onde passaria a noite, Whitefield, segurando uma vela, proferiu uma curta mensagem aos amigos. Às duas horas da madrugada, acordou sem fôlego e pronunciou suas últimas palavras: “Estou morrendo.”
No funeral, John Wesley o homenageou como um grande homem de Deus. Sepultado na Antiga Igreja Presbiteriana do Sul, em Newburyport, George Whitefield deixou um exemplo de uma vida “escondida com Cristo em Deus e derramada no sacrifício de amor pelos homens”. Portanto, seu legado inspira até hoje, mostrando que o poder de Deus, aliado à dedicação humana, pode transformar nações.
O Chamado Para Nossos Dias
A vida de George Whitefield permanece como um testemunho poderoso de que Deus ainda procura homens e mulheres dispostos a serem completamente consumidos por sua glória. Em uma época em que muitos buscam o ministério como uma carreira confortável, Whitefield nos lembra que o verdadeiro chamado divino exige sacrifício total e dedicação absoluta.
Assim, quando observamos o impacto duradouro de sua vida, somos confrontados com questões profundas sobre nossa própria consagração. Estamos dispostos a chorar pelas almas perdidas como Whitefield chorava? Estamos preparados para enfrentar a rejeição e a perseguição por causa do evangelho? Temos a coragem de pregar a verdade mesmo quando ela é impopular?
Portanto, o legado de George Whitefield não é apenas uma página da história, mas um chamado para nossos dias. Deus ainda busca vasos consagrados que estejam dispostos a ser quebrados para que sua glória possa fluir através deles. Que possamos responder a esse chamado com a mesma paixão e dedicação que caracterizaram a vida deste príncipe dos pregadores.
Em nossos dias, quando a igreja frequentemente busca métodos modernos e estratégias inovadoras, George Whitefield nos lembra que o poder verdadeiro ainda vem da intimidade com Deus, da fidelidade às Escrituras e da paixão genuína pelas almas perdidas. Sua vida nos desafia a buscar não apenas o sucesso ministerial, mas a autenticidade espiritual.
Somente Cristo! Pr. Reginaldo Soares.
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Meu chamado para o ministério pastoral veio em 1994, sendo encaminhado ao conselho da Igreja Presbiteriana (IPB) em Queimados e em seguida ao Presbitério de Queimados (PRQM). Iniciei meus estudos no ano seguinte, concluindo-os em 1999. A ordenação para o ministério pastoral veio em 25 de junho de 2000, quando assumi pastoreio na IPB Inconfidência (2000-2003) e da IPB Austin (2002-2003). Desde de 2004 tenho servido como pastor na Igreja Presbiteriana em Engenheiro Pedreira (IPEP), onde sigo conduzido esse amado rebanho pela graça de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Sou casado há 22 anos com Alexsandra, minha querida esposa, sou pai de Lisandra e Samantha, preciosas bênçãos de Deus em nossas vidas. Me formei no Seminário Teológico Presbiteriano Ashbel Green Simonton, no Rio de Janeiro, e consegui posteriormente a validação acadêmica pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Pela bondade de nosso Senhor, seguimos compartilhando fé, amor e buscando a cada dia crescimento espiritual. Somente Cristo!
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