Mateus 5:11-12. “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.”
“Nos lugares onde a igreja é perseguida, ela está crescendo e se fortalecendo. Naqueles lugares onde a igreja é livre ela esta enfraquecendo e encolhendo.”
O Paradoxo da Vitória na Derrota
“A Igreja não é uma instituição humana que pode ser destruída por perseguição externa, mas o corpo místico de Cristo, sustentado pelo próprio Deus. As perseguições, longe de enfraquecer a Igreja, servem para purificá-la e fortalecer sua fé. O sangue dos mártires não é desperdício, mas semente preciosa que produz fruto eterno na economia divina.” João Calvino, Institutas da Religião Cristã, Livro IV, Cap. 1.
Há momentos na história em que a aparente derrota revela-se como triunfo eterno. Entre os anos 235 e 287 d.C., enquanto o Império Romano se deleitava com espetáculos sangrentos nos anfiteatros, um drama ainda mais sublime desenrolava-se nas masmorras, nas fogueiras e nas arenas. A Igreja Perseguida não estava sendo destruída – estava sendo purificada como ouro no fogo.

O sangue dos mártires se transforma em semente do reino. Quando Lourenço, diácono de Roma, apresentou os pobres cristãos como “os preciosos tesouros da Igreja”, ele revelou uma verdade que transcende toda lógica imperial: o valor de uma alma supera todos os tesouros de César.
O mundo pergunta: onde está vossa vitória? A Igreja Perseguida responde: ela jaz na nossa aparente derrota, pois “quando sou fraco, então sou forte” (2 Coríntios 12:10).
O Tesouro que Não Se Consome
“As perseguições romanas, longe de destruir o cristianismo, serviram para demonstrar sua natureza sobrenatural. Enquanto outras religiões sucumbiam diante da pressão imperial, a fé cristã crescia precisamente através do sofrimento. Cada mártir tornava-se uma testemunha viva da realidade de Cristo, e cada execução pública convertia-se em oportunidade evangelística.” Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica, Livro VIII, Cap. 13.
As Primeiras Perseguições revelam um contraste que deveria fazer-nos tremer de santa convicção. De um lado, imperadores como Maximino, Décio e Valeriano, armados com todo poder terreno, decretando a extinção do povo cristão. Do outro, homens como Fabiano, Cipriano e Bábilas de Antioquia, desarmados de tudo, exceto da fé, transformando câmaras de tortura em santuários de adoração.
Considere a ironia divina: enquanto Valeriano terminava seus dias como banquinho humano do imperador persa Sapor, tendo os olhos arrancados e sendo esfolado vivo, os cristãos que ele perseguiu cantavam louvores nas chamas. Quem, afinal, possuía o verdadeiro poder?
A Igreja Perseguida não era meramente uma comunidade sofrendo adversidades; era uma nova nação onde Deus demonstrava que Seus propósitos não dependem de favor político ou proteção imperial. Quando Cipriano escreveu suas trinta epístolas do exílio, cada palavra era irrigada com lágrimas e temperada com esperança. Quando os trezentos cristãos de Útica saltaram voluntariamente no forno, declararam que há valores pelos quais vale a pena morrer.
“A Igreja primitiva compreendeu, através das perseguições, que sua força não residia em números ou poder político, mas na qualidade de sua fé e na profundidade de sua devoção a Cristo. Os mártires ensinaram às gerações posteriores que existe algo mais valioso que a própria vida: a fidelidade ao Senhor Jesus Cristo.” Justo L. González, História do Cristianismo, Vol. 1, p. 156.
O império descobriu, para seu horror, que não se pode matar uma ideia cuja vida procede de Deus. Cada martírio multiplicava os convertidos. Cada fogueira iluminava corações nas trevas. A Igreja Perseguida crescia não apesar da perseguição, mas através dela.
A Vitória Escrita em Sangue
As Primeiras Perseguições chegaram ao fim não porque os imperadores se cansaram de matar, mas porque Deus havia cumprido Seus propósitos eternos. A Igreja que emergiu das catacumbas não era a mesma que havia entrado. Havia sido refinada, purificada, testada e aprovada.
Cristo prometeu que as portas do inferno não prevaleceriam contra Sua Igreja (Mateus 16:18). As perseguições romanas foram o primeiro grande teste dessa promessa. E que teste! Seis imperadores consecutivos tentaram apagar a luz cristã. Todos falharam. A Igreja Perseguida permaneceu, não como sobrevivente, mas como vencedora.
“O sofrimento da Igreja perseguida revela a natureza paradoxal do reino de Deus, onde a vitória emerge da aparente derrota. Deus usa as mais severas provações para demonstrar que Sua graça é suficiente e que Seu poder se aperfeiçoa na fraqueza humana. A perseguição não é obstáculo ao crescimento da Igreja, mas instrumento divino para sua expansão.” D. Martyn Lloyd-Jones, Pregação e Pregadores, p. 87.
O sangue dos mártires tornou-se, como profetizou Tertuliano, semente da Igreja. Cada gota derramada regou o solo do império com o evangelho. Quando Constantino finalmente concedeu liberdade aos cristãos, não estava fazendo um favor – estava reconhecendo uma realidade: a Igreja havia conquistado Roma pelo poder do amor sacrificial.
E agora, como viveremos?
Hoje, quando a Igreja Perseguida sofre em mais de 50 países, quando pastores são presos e templos destruídos, quando cristãos enfrentam discriminação e violência, somos chamados a mais que simpatia – somos chamados à solidariedade ativa.
Oremos com urgência pelos nossos irmãos perseguidos. Que nossos joelhos dobrem-se regularmente em intercessão por aqueles cujos joelhos podem estar sendo quebrados por sua fé.
Examinemos nossa própria fidelidade. Se trememos diante da menor oposição social, como resistiríamos à verdadeira perseguição? A Igreja Perseguida nos desafia: estamos preparados para perder tudo por Cristo, ou nossa fé é apenas conveniência cultural?
Apoiemos organizações que auxiliam cristãos perseguidos. Nossos recursos devem fluir para onde a necessidade é maior. Como Lourenço distribuía os tesouros da Igreja aos pobres, devemos canalizar recursos para a Igreja Perseguida.
Vivamos com a perspectiva eterna que caracterizou os mártires. Eles viam além das chamas temporais para a glória eterna. Nossa maior tragédia não seria morrer pela fé, mas viver sem ela.
Oremos
Senhor dos mártires, Tu que transformaste câmaras de tortura em altares de adoração e carrascos em convertidos, fortalece hoje Tua Igreja perseguida ao redor do mundo. Perdoa-nos por nossa covardia diante de oposições menores. Ensina-nos que Tua força se aperfeiçoa na fraqueza, e que nossa aparente derrota pode ser Tua vitória gloriosa.
Abençoa e protege nossos irmãos que hoje sofrem prisão, tortura e morte por Teu nome. Que suas lágrimas sejam sementes de avivamento, e seu sangue, clamor por justiça que ecoe em Teu trono.
Prepara-nos para o dia em que nossa fé possa ser testada. Que encontremos em Ti não apenas Salvador, mas tesouro pelo qual vale a pena perder tudo. Em nome daquele que primeiro sangrou por nós, Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.
Somente Cristo! Pr. Reginaldo Soares.
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Meu chamado para o ministério pastoral veio em 1994, sendo encaminhado ao conselho da Igreja Presbiteriana (IPB) em Queimados e em seguida ao Presbitério de Queimados (PRQM). Iniciei meus estudos no ano seguinte, concluindo-os em 1999. A ordenação para o ministério pastoral veio em 25 de junho de 2000, quando assumi pastoreio na IPB Inconfidência (2000-2003) e da IPB Austin (2002-2003). Desde de 2004 tenho servido como pastor na Igreja Presbiteriana em Engenheiro Pedreira (IPEP), onde sigo conduzido esse amado rebanho pela graça de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Sou casado há 22 anos com Alexsandra, minha querida esposa, sou pai de Lisandra e Samantha, preciosas bênçãos de Deus em nossas vidas. Me formei no Seminário Teológico Presbiteriano Ashbel Green Simonton, no Rio de Janeiro, e consegui posteriormente a validação acadêmica pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Pela bondade de nosso Senhor, seguimos compartilhando fé, amor e buscando a cada dia crescimento espiritual. Somente Cristo!
Nas catatumbas da fé uma reflexão maravilhosa da história verdadeira da igreja perseguida. parabéns ao autor 👏🏾
Muito obrigado por seu comentário Tania. Espero que o texto ajude a despertar a igreja para buscar uma vida de fé mais profunda em Cristo. Deus abençoe você e todos os seus minha irmã.