João 16:33. “Estas coisas vos tenho dito para que em mim tenhais paz. No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.”
“Nos lugares onde a igreja é perseguida, ela está crescendo e se fortalecendo. Naqueles lugares onde a igreja é livre ela esta enfraquecendo e encolhendo.”
O Último Suspiro da Fúria Imperial
“A perseguição não é acidente na vida da Igreja, mas parte essencial de sua experiência neste mundo caído. Deus usa as perseguições não para destruir Sua Igreja, mas para purificá-la, fortalecê-la e torná-la mais semelhante a Cristo. O sangue dos mártires não é desperdício, mas investimento eterno no reino de Deus.” John Piper, Let the Nations Be Glad, p. 134.
O ano era 303 d.C. Diocleciano, imperador de Roma, ordenou que toda igreja fosse demolida, todo livro sagrado queimado, todo cristão proscrito. Era a décima e mais feroz das perseguições romanas – a famosa “Era dos Mártires”. Por dez longos anos, o império mobilizou toda sua maquinaria de morte contra a Igreja Perseguida. Jamais houve campanha tão sistemática, tão cruel, tão determinada a extinguir o nome cristão da face da terra.
Contudo, há uma ironia divina nesta história que deveria nos fazer tremer de santa admiração: quanto mais Diocleciano tentava destruir a Igreja, mais ela crescia. Quanto mais sangue derramava, mais convertidos surgiam. O imperador que declarou guerra a Cristo acabou abdicando em desgosto, enquanto a Igreja Perseguida permaneceu firme como rocha sob tempestade.
Por que será que os poderes terrenos nunca compreendem esta verdade elementar? A Igreja de Cristo não pode ser destruída por força externa, pois sua vida não procede deste mundo.
A Forja Divina da Santidade
“A décima perseguição foi o último e mais desesperado esforço do paganismo romano para eliminar o cristianismo. Paradoxalmente, tornou-se o prelúdio de sua vitória final. Diocleciano abdique em 305, derrotado por uma força que não conseguia compreender – a capacidade dos cristãos de transformar sofrimento em testemunho.” Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica, Livro VIII, Cap. 17.
As Primeiras Perseguições alcançaram seu clímax sob Diocleciano, revelando-nos o trabalho do ferreiro divino onde a santidade era forjada no fogo da tribulação. Enquanto o império mobilizava soldados, chicotes, espadas e fogueiras, Deus mobilizava algo infinitamente mais poderoso: a graça transformadora que converte covardes em heróis e escravos em santos.
Considere Sebastião, oficial da guarda imperial, que preferiu as flechas do Campo de Marte aos favores da corte. Vicente, o diácono de Tarragona, que cantou louvores enquanto grelhas incandescentes queimavam sua carne. Ou ainda Timóteo e Maura, recém-casados há apenas três semanas, que escolheram morrer juntos na cruz a viver separados de Cristo.
Cada martírio era um sermão pregado não com palavras, mas com sangue. Cada fogueira, um altar onde se oferecia o sacrifício que nenhuma religião pagã podia compreender: o sacrifício voluntário do amor. A Igreja Perseguida descobriu que possuía algo pelo qual valia a pena morrer, e essa descoberta a tornou invencível.
Diocleciano podia queimar bibliotecas inteiras de manuscritos sagrados, mas não podia apagar a Palavra que habitava no coração dos fiéis. Podia demolir templos de pedra, mas não podia tocar o templo vivo que cada cristão havia se tornado. A Igreja Perseguida aprendeu que sua força não residia em edifícios ou instituições, mas na realidade de Cristo vivo em seus membros.
“As perseguições romanas demonstraram que a Igreja verdadeira não depende de estruturas externas, mas da presença viva de Cristo em seus membros. Quando Diocleciano queimou os edifícios e os livros, descobriu que havia queimado apenas símbolos – a realidade permanecia intocável no coração dos fiéis.” R.C. Sproul, The Holiness of God, p. 187.
In Hoc Vince – A Cruz que Vence
O fim da décima perseguição chegou não pela clemência imperial, mas pela intervenção divina. Quando Constantino marchava sobre Roma em 312 d.C., viu no céu uma cruz resplandecente com as palavras “In hoc vince” – “Por isto, vence”. A Igreja Perseguida que havia sofrido sob dez imperadores consecutivos finalmente veria um que seguiria na direção contrária.
“A visão de Constantino da cruz no céu com as palavras ‘In hoc vince’ marca o fim de uma era. Três séculos de perseguição haviam provado que a Igreja de Cristo era indestrutível. O império que tentou destruí-la acabou abraçando-a, cumprindo assim a profecia de que os reinos deste mundo se tornariam reinos de nosso Senhor.” Justo L. González, História do Cristianismo, Vol. 1, p. 189.
Mas a verdadeira vitória não foi a de Constantino no campo de batalha. A verdadeira vitória havia sido conquistada durante três séculos nas catacumbas, nas arenas e nas fogueiras. Cada mártir havia plantado uma semente de vitória. Cada lágrima derramada havia regado o solo da eternidade. A Igreja Perseguida venceu não apesar da perseguição, mas através dela.
Cristo havia prometido: “Eu venci o mundo” (João 16:33). As Primeiras Perseguições foram a demonstração histórica desta promessa. O mundo jogou contra a Igreja seu pior arsenal: tortura, morte, desonra pública. A Igreja respondeu com algo que o mundo não podia compreender nem derrotar: amor sacrificial, esperança inabalável, fidelidade até a morte.
E agora, como viveremos?
Hoje, quando mais de 4.400 foram mortos por sua fé, mais de 4.700 foram presos sem julgamento e mais de 54.700 sofrem abuso físico e mental ao redor do mundo, a história da Igreja Primitiva não é apenas memória – é profecia. O que aprendemos com Sebastião, Vicente e Timóteo deve moldar nossa resposta à Igreja contemporânea.
Abrimos nossos corações em intercessão ardente. Se aqueles mártires oravam por seus perseguidores enquanto morriam, quanto mais devemos nós orarmos pelos nossos irmãos que sofrem hoje? Nossa oração deve ser específica, urgente, constante.
Examinamos nossa própria fidelidade. Se nos incomodamos diante de uma piada sobre nossa fé, como reagiríamos diante de uma oposição violenta? A Igreja Perseguida nos desafia: estamos preparados para perder nossa reputação, nosso conforto, nossa segurança por Cristo?
Apoiamos concretamente organizações que auxiliam cristãos perseguidos. Nossos recursos devem fluir para onde a necessidade é maior. Como os primeiros cristãos vendiam propriedades para sustentar os necessitados, devemos canalizar recursos para a Igreja Perseguida.
Vivemos com a perspectiva eterna que caracterizou os mártires. Eles sabiam que “as aflições do tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Romanos 8:18). Nossa vida deve refletir esta convicção: somos cidadãos do céu, peregrinos na terra.
Oremos
Senhor Jesus, Tu que venceste o mundo e prometeste que as portas do inferno não prevaleceriam contra Tua Igreja, olha hoje com misericórdia para nossos irmãos perseguidos ao redor do mundo. Concede-lhes a mesma graça que sustentou os cristãos do passado.
Perdoa-nos por nossa covardia diante de oposições menores. Ensina-nos que Tua força se aperfeiçoa na fraqueza, e que nossa aparente derrota pode ser Tua vitória gloriosa. Ajuda-nos a compreender que não lutamos contra carne e sangue, mas contra principados e potestades nas regiões celestiais.
Abençoa e protege a igreja, sistematicamente perseguida. Que suas lágrimas sejam sementes de avivamento, e seu sangue, clamor por justiça que ressoe em Teu trono.
Prepara-nos para o dia em que nossa fé possa ser testada. Que encontremos em Ti não apenas Salvação, mas também a convicção de que vale a pena perder tudo por amor a Cristo. Em Seu santo nome. Amém.
Somente Cristo! Pr. Reginaldo Soares.
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Meu chamado para o ministério pastoral veio em 1994, sendo encaminhado ao conselho da Igreja Presbiteriana (IPB) em Queimados e em seguida ao Presbitério de Queimados (PRQM). Iniciei meus estudos no ano seguinte, concluindo-os em 1999. A ordenação para o ministério pastoral veio em 25 de junho de 2000, quando assumi pastoreio na IPB Inconfidência (2000-2003) e da IPB Austin (2002-2003). Desde de 2004 tenho servido como pastor na Igreja Presbiteriana em Engenheiro Pedreira (IPEP), onde sigo conduzido esse amado rebanho pela graça de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Sou casado há 22 anos com Alexsandra, minha querida esposa, sou pai de Lisandra e Samantha, preciosas bênçãos de Deus em nossas vidas. Me formei no Seminário Teológico Presbiteriano Ashbel Green Simonton, no Rio de Janeiro, e consegui posteriormente a validação acadêmica pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Pela bondade de nosso Senhor, seguimos compartilhando fé, amor e buscando a cada dia crescimento espiritual. Somente Cristo!