A MÃE QUE MUDOU A HISTÓRIA DE JOELHOS

1 Samuel 1.11“Senhor dos Exércitos, se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te não esqueceres, e lhe deres um filho varão, ao Senhor o darei por todos os dias da sua vida.”

A mãe que ora não está apenas intercedendo por um filho — está participando do movimento redentor de Deus que, através de joelhos dobrados em lugares escondidos, levanta os que transformarão gerações.

Agostinho de Hipona, um dos maiores teólogos da história da Igreja, viveu anos de dissolução moral, filosofia vã e fuga de Deus. Sua mãe, Mônica, seguiu-o por cidades, chorou por décadas e nunca parou de orar. Quando ele finalmente dobrou os joelhos diante de Cristo, escreveu nas Confissões: “Ela chorou e lamentou, e esses gritos de dor revelaram o que nela restava de Eva, como, em angústia, ela procurou o filho que em angústia havia dado à luz.” Olhe atrás de Agostinho e encontrará Mônica, Olhe atrás de Spurgeon e encontrará Eliza. Ssmuel foi um do maiores profetas do antigo testamento, mas Ana orou muito por esse filho.

A DOR DE ANA

Ana era infértil, humilhada e esquecida pelos padrões do seu tempo e Penina não perdia oportunidade de apontar para seu ventre vazio. O marido a amava, mas isso não era suficiente para suprir a falta de um filho. Ano após ano, ela subia ao templo e ano após ano, a dor voltava com ela. Mas esta mulher não deixou que a amargura dominasse sua alma e transformou angústia em oração. Ela pede um filho e Deus responde entregando a ela um grande profeta que serviria Deus diante de Israel, um profeta que estabeleceu o reino e inaugurou a linhagem que chegaria até Cristo. Ana nunca soube o tamanho do que seus joelhos alcançaram.

A oração de Ana revela o que toda mãe deve aprender. Primeiro, ela é honesta: não esconde a dor, não performa espiritualidade, chora diante do Senhor com “amargura de alma” (v.10). Deus não precisa de orações bem elaboradas e impressionantes, precisa de corações abertos. Segundo, ela é rendida: duas palavras repetem-se na sua oração, Senhor e serva, Ela não está exigindo, barganhando ou chatagiando, ela apresenta sua alma dilacerada. É exatamente essa postura que Maria ecoará mil anos depois: “Aqui está a serva do Senhor.” (Lc 1.38) Mãe que ora com mãos abertas não está abandonando o filho, está entregando-o a mãos mais capazes que as suas.

“Repetidamente, antes de Deus colocar a mão sobre um homem, ele a impôs sobre sua mãe. O alvorecer dos grandes novos movimentos de Deus ocorre repetidamente nos espaços das mulheres.” Alastair Roberts, citado em Scott Hubbard, Mães do Reino, Coalização pelo Evangelho, 2024.

Há uma graça especial que opera através de mães que não cessam de orar por seus filhos. Não porque a mãe seja mais santa, Ana era imperfeita, Mônica era humana, mas porque Deus se deleita em colocar dádivas em mãos abertas. O filho que nasce de um ventre fechado e de joelhos dobrados carrega consigo algo que nenhuma pedagogia produz: foi pedido, foi dedicado, foi entregue. Cristo é o cumprimento supremo disso, nascido de Maria, dedicado desde o ventre, entregue pelo Pai para resgatar o que o pecado destruiu. Toda mãe que ora por seu filho está, sem saber, participando do mesmo movimento redentor: preparar o terreno onde Deus planta o que ele mesmo quer colher.

Ana pediu um filho. Deus deu um profeta. Eliza Spurgeon pediu a salvação de Charles. Deus deu um pregador para as multidões. Você não sabe o que Deus fará com o filho por quem você ora. Mas sabe o que ele faz com mães de joelhos: as usa para dobrar o curso da história. O Dia das Mães não é apenas celebração é convocação. Seus filhos precisam de presentes, sim. Mas precisam mais das suas orações.

E agora, como viveremos? Hoje, antes de qualquer celebração, ore pelo nome de cada filho, com honestidade, com rendição, com mãos abertas. Não uma oração rápida: uma oração que custa algo. “A oração do justo é poderosa e eficaz.” (Tg 5.16, NAA) E se você não é mãe, ore por uma mãe que conhece, ou por uma que nunca soube que alguém orava por ela.

Oremos. Senhor dos Exércitos, que ouviste Ana em seu choro, ouve as mães que dobram os joelhos hoje. Dá-lhes fé quando a resposta demora, esperança quando o filho se desvia, e a certeza de que nenhuma oração feita com mãos abertas cai no vazio diante de ti. Por Cristo, que nasceu de uma mãe que disse sim. Amém.

Pergunta para Reflexão. Se Deus levantou profetas, pregadores e missionários através das orações de mães comuns e imperfeitas, o que suas orações pelos seus filhos podem estar preparando que você ainda não consegue ver?

Somente Cristo! Pr. Reginaldo Soares.

UL TIMAS POSTAGENS

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