Tiago 1.27. “A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: visitar órfãos e viúvas nas suas tribulações e guardar-se sem mácula do mundo.”
O tesouro de uma vida santa
Quando o corpo de Macrina estava sendo preparado para o sepultamento, em 379, seu irmão Gregório, bispo de Nissa, perguntou se havia algo entre seus pertences para adorná-la. A diaconisa Lampádia respondeu sem hesitar: um manto, um véu e sandálias gastas, era tudo que ela tinha. Uma mulher que havia formado bispos, recolhido crianças abandonadas nas estradas em tempos de fome, fundado um mosteiro e influenciado decisivamente o monasticismo cristão oriental deixava o mundo sem posses, mas cercada por uma multidão que passou a noite inteira entoando cânticos a Deus ao redor de seu corpo.
Nascida por volta de 330 na Capadócia, região da atual Turquia, Macrina era filha mais velha de uma família profundamente cristã que havia sofrido perseguição imperial por causa da fé. Dois de seus irmãos, Basílio de Cesareia e Gregório de Nissa tornaram-se doutores da Igreja. Mas foi Gregório quem reconheceu, ao escrever a biografia da irmã, que a pessoa de maior connhecimento da família não estava centada na cadeira do bispo, mas ocupava os bastidores da história e foi precisamente ali que a verdadeira religião floresceu.
A verdadeira religião
Tiago 1.27 é um versículo que incomoda porque é concreto. O apóstolo define a religião verdadeira por dois critérios verificáveis na vida cotidiana: o cuidado ativo pelos vulneráveis e a integridade moral diante do mundo. A palavra grega traduzida como “visitar” — episkeptomai, carrega o sentido de ir até alguém com atenção deliberada e intenção de cuidar, o presença comprometida e custosa.
Macrina persuadiu sua mãe a abandonar o estilo de vida aristocrático e a viver entre as servas como iguais. Vendeu propriedades para sustentar os pobres. Recolheu crianças abandonadas nas estradas durante períodos de fome e as educou para uma vida pura. Segundo Gregório, essas crianças a chamavam de mãe e choraram sua morte como filhos que perdem quem os gerou espiritualmente.
Muitos cristãos possuem uma vida de igreja muito ativa, mas devemos nos perguntar: “O que vai restar quando nossa vida se encerrar, ou quando não pudermos mais trabalhar? O testemunho de vida de Macrina é belíssimo. Seus únicos bens eram um manto velho, um véu e sandálias gastas, mas o lugar do velório não comportou a multidão, sua morte revelou o que sua vida havia acumulado: suas posses eram pessoas transformadas; seu prestígio, uma presença que formou bispos e acolheu órfãos com igual dedicação.
Gregório registra que, nos últimos momentos de vida, Macrina falava em voz baixa com Deus, sua última oração foi uma declaração poderosa de sua fé: o término da vida terrena é o começo da vida verdadeira, e Deus despertará os corpos ao som da última trombeta para transformá-los em beleza imortal. Era a fé que Tiago descreve operando até o último fôlego, em um mundo viciado em performace, onde o culto e os que nele atuam, são facialmente confundidos com um show de grandes celebridades, o testemunho de Macrina chega até nós com uma mistura de humildade e poder, o relato de quem havia passado décadas guardando-se sem mácula do mundo enquanto servia o mundo com as próprias mãos.
Uma herança que a traça não Corroe
Jesus disse: “Não acumulem tesouros sobre a terra, onde as traças e a ferrugem corroem […] mas ajuntem tesouros no céu” (Mt 6.19-20). Macrina levou esse mandamento com uma seriedade que envergonha a religiosidade decorativa de muitas gerações até os dias de hoje. Seu legado estava em Basílio, que fundou hospitais e monastérios; em Gregório, que a imortalizou em palavras; nas crianças das estradas que encontraram nela uma mãe; nas virgens do mosteiro que encontraram nela uma guia que apontava para Cristo.
A verdadeira religião, Tiago insiste, não é aquilo que se professa, é aquilo que se pratica quando ninguém está olhando, quando o custo é real, quando aquelesque que por misericórdia ajudamos não podem retribuir. Macrina praticou-a por décadas, em silêncio e fidelidade e quando morreu, coberta com o manto escuro da mãe, sua beleza resplandecia, porque o que verdadeiramente iluminava não era o tecido, mas uma vida inteira gasta para a glória de Deus.
Oremos. “O Senhor sustenta os humildes e abate os ímpios até ao chão. Cantarei ao Senhor enquanto eu viver; cantarei louvores ao meu Deus enquanto eu existir. Seja agradável a ele a minha meditação; eu me alegrarei no Senhor” (Sl 146.9; 104.33-34). Senhor, que a nossa religião não seja apenas confessada com os lábios, mas provada com as mãos e que, ao fim da vida, o nosso único tesouro seja aquele que Tu mesmo guardas para os que Te amam. Amém.
Para Refletir. Se alguém descrevesse a sua vida da forma que Gregório descreveu a de Macrina, o que ficaria registrado?
Somente Cristo! Pr. Reginaldo Soares.
UL TIMAS POSTAGENS

Meu chamado para o ministério pastoral veio em 1994, sendo encaminhado ao conselho da Igreja Presbiteriana (IPB) em Queimados e em seguida ao Presbitério de Queimados (PRQM). Iniciei meus estudos no ano seguinte, concluindo-os em 1999. A ordenação para o ministério pastoral veio em 25 de junho de 2000, quando assumi pastoreio na IPB Inconfidência (2000-2003) e da IPB Austin (2002-2003). Desde de 2004 tenho servido como pastor na Igreja Presbiteriana em Engenheiro Pedreira (IPEP), onde sigo conduzido esse amado rebanho pela graça de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Sou casado há 22 anos com Alexsandra, minha querida esposa, sou pai de Lisandra e Samantha, preciosas bênçãos de Deus em nossas vidas. Me formei no Seminário Teológico Presbiteriano Ashbel Green Simonton, no Rio de Janeiro, e consegui posteriormente a validação acadêmica pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Pela bondade de nosso Senhor, seguimos compartilhando fé, amor e buscando a cada dia crescimento espiritual. Somente Cristo!

