Oração, Avivamento e Oração Novamente

Atos dos Apóstolos 1:14. “Todos estes perseveravam unânimes em oração, com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele.”

Perseverar em Oração Transforma a História

No cenáculo em Jerusalém, cento e vinte pessoas perseveravam unânimes em oração. Não oravam ocasionalmente, mas perseveravam — o verbo grego proskarterountes denota atenção constante, devoção persistente, recusa em desistir. Unidos em propósito, com mulheres e homens juntos, aguardavam a promessa do Pai. Não sabiam exatamente o que Deus faria, mas sabiam que precisavam orar juntos até que ele agisse. Dias depois, o céu se abriu: línguas de fogo, vento impetuoso, três mil almas regeneradas num único dia. O avivamento, essa obra extraordinária do Espírito de revigoramento e propagação, veio como resposta às orações unidas do povo de Deus. E quando o avivamento veio, algo extraordinário aconteceu: o povo não parou de orar. Pelo contrário, oraram ainda mais.

“Avivamento é a visitação soberana de Deus sobre seu povo, reanimando-os espiritualmente quando estão em declínio e renovando-os quando estão em conformidade com o mundo.”
— Martyn Lloyd-Jones, Avivamento, Editora PES, 2010, p. 23.

O Ciclo que Marca a História da Igreja

O livro de Atos revela um padrão glorioso: oração comunitária → avivamento → mais oração → mais avivamento. Após a descida do Espirito Santo na festa de Pentecostes, os cristãos “perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações” (Atos 2:42). Diariamente se reuniam (v. 46), e “acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (v. 47). Quando enfrentaram perseguição, oraram juntos com ousadia (Atos 4:24-31) e “tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo” (v. 31). O ciclo se repetia: oração comunitária, fortalecimento da Igreja, conversões, mais oração.

Maio de 1742, George Whitefield pregando em Cambuslang, Escócia.

Esse padrão atravessou séculos. Na Escócia de 1740, antes do Avivamento de Cambuslang, o povo realizava “orações fervorosas e extraordinárias em grandes reuniões, orando especialmente pelo sucesso do evangelho”. Três meses depois, cristãos recém-avivados manifestavam “amor ardente uns pelos outros” e estabeleciam novas reuniões de oração, o número de pessoas aumentava, e elas oravam ainda mais.

“A história da igreja é, em larga medida, a história de avivamentos. Sempre que Deus quis renovar sua obra, começou com oração.”
— Jonathan Edwards, Uma Narrativa Fiel da Obra Surpreendente de Deus, Editora Vida Nova, 2013, p. 45.

A Anatomia do Ciclo Glorioso

“Perseveravam unânimes em oração”. Antes de Pentecostes, antes das três mil almas, antes dos sinais e maravilhas. O avivamento não é uma técnica que desenvolvemos e aplicamos; é a dádiva soberana que Deus concede aos seus filhos. É possível ver que ao longo da história, Deus responde às orações unidas, fervorosas e persistentes de seu povo. Quando os filhos de Deus oram juntos, não orações superficiais, não aquelas orações que apenas buscam os próprios interesses, mas o clamor apaixonado pelo “avanço do evangelho”, pode haver avivamento. Não porque manipulamos Deus, mas porque ele ordena os meios (oração) e os fins (avivamento) juntos.

A oração comunitária dos santos, muito pode em seus efeitos. “Se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que porventura pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai” (Mateus 18:19). Não é mágica; é o compromisso de Deus com sua Igreja unida. Em Cambuslang, o povo se reunia em “grandes reuniões” de oração. Eram “fervorosas e extraordinárias”, não rotineiras ou mornas. E Deus respondeu.

Feira Sagrada (evento de comunhão) em Mauchline, Escócia. Pintada por Alexander Carse em 1830.

Mas aqui está o paradoxo glorioso: quando Deus graciosamente responde, o povo não deve parar de de se reunir para orar. Pelo contrário! Quando experimentam avivamento, oram ainda mais, pois sentem com profundidade maior o privilégio de se relacionar com Cristo e sua Igreja, levando ainda mais a sério o chamado à obediência. O povo de Deus é um povo que ora e quando são avivados, essa identidade se intensifica.

Em Atos 2, após Pentecostes, os cristãos perseveravam “dia a dia… nas orações” (v. 42, 46). O avivamento não os tornou autoconfiantes; tornou-os mais dependentes. Não os fez relaxar na oração; fez-os orar com fervor renovado. Em Cambuslang, após o avivamento, “novas reuniões de oração eram estabelecidas, frequentadas tanto por idosos como por jovens”.

“Em cada grande avivamento, Deus derrama um espírito de oração sobre seu povo antes de derramar seu Espírito sobre a comunidade mais ampla.”
— Charles Finney, Lectures on Revival (Palestras sobre Avivamento), Editora Bethany House, 1988, p. 67.

Talvez o aspecto mais tocante do Avivamento de Cambuslang seja o papel das crianças. Alunos de escolas, alguns “não tinham mais de 8 ou 9 anos, pediram permissão para promover reuniões de oração “três vezes ao dia pela manhã, ao meio-dia e à noite”. Em outra escola, vinte crianças “se encontravam duas vezes por semana” mesmo que “alguns tinham de percorrer uma longa distância no escuro”. Dezesseis jovens “se reuniram em um estábulo para orar”. “Meninos foram encontrados orando nos campos” e “meninas com idade entre 10 e 14 anos foram observadas reunindo-se em uma casa para orar”.

Nas salas de aula, nos estábulos, nas casas, nos campos, as crianças da Escócia oravam juntas. Pela manhã, ao meio-dia e à noite, não davam descanso ao Senhor. Com pequenas vozes e grandes orações, pediam que Deus desse mais. Hoje só podemo clamar que o Senhor derrame seu Espírito sobre as crianças e adultos de nossas comunidades! “Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor” (Mateus 21:16).

“Avivamento verdadeiro sempre começa no coração de indivíduos que se humilham diante de Deus em oração.”
— Duncan Campbell, citado em The Lewis Awakening (O Despertar de Lewis), Editora Faith Mission, 1954, p. 12.

O Chamado Urgente de Hoje

A pergunta que nos confronta é devastadoramente simples: estamos perseverando unânimes em oração? Nossas igrejas se reúnem como aqueles cento e vinte no cenáculo? Temos reuniões de oração “fervorosas e extraordinárias”? Ou nossas reuniões de oração são as mais vazias da semana, frequentadas apenas pelos “super-espirituais”?

Se queremos avivamento, se desejamos ver o Espírito derramado, vidas transformadas, multidões convertidas, o Senhor nos chama a todos: oração comunitária, persistente, unânime. E quando Deus graciosamente responder, não podemos parar. Devemos orar ainda mais, com gratidão renovada, dependência aprofundada, fervor intensificado. Pois quando o povo ora junto, pode haver avivamento e quando há avivamento, o povo sempre ora junto.

E Agora, Como Viveremos?

Comprometa-se pessoalmente a viver uma vida marcada por uma oração constante, profunda e sincera, reconhecendo nela a base do seu relacionamento com Deus. Que a prática da oração não seja apenas um hábito individual, mas uma fonte de inspiração para convidar, encorajar e conduzir outras pessoas a também se dedicarem à oração, criando uma cultura de dependência espiritual, comunhão e busca contínua pela presença de Deus.

Oremos

Senhor Deus, olha para teu povo hoje. Confessamos que nossas reuniões de oração são fracas, nosso fervor é morno, nossa perseverança é inconsistente. Perdoa-nos por buscar avivamento com métodos humanos em vez de oração fervorosa. Perdoa-nos por negligenciar a arma mais poderosa que nos deste. Derrama sobre nós um espírito de oração. Faze-nos perseverar unânimes, como aqueles teus servos no cenáculo. Dá-nos reuniões “fervorosas e extraordinárias”, onde clamamos intensamente pela expansão do evangelho. Visita-nos com avivamento. Reanima-nos espiritualmente. Converte multidões. Transforma comunidades. E quando graciosamente responderes, não permitas que paremos de orar. Que o ciclo glorioso continue, oração, avivamento, mais oração, mais avivamento, até que Cristo volte e a reunião de oração eterna comece. Em nome de Jesus, aquele que sempre intercede por nós. Amém.


Perguntas para Reflexão

  1. Você participa fielmente das reuniões de oração?
  2. Como seria uma reunião de oração “fervorosa e extraordinária”? O que a diferenciaria de uma reunião comum?
  3. Se Deus enviasse avivamento amanhã, você estaria preparado para orar ainda mais em gratidão e dependência?

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