Deuteronômio 6:6-7. “E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; e as intimarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te.”
RESOLUÇÃO 11. “Resolvo ao pensar em qualquer teorema de teologia a ser resolvido, fazer imediatamente o que puder para resolvê-lo, se as circunstâncias não me impedirem.”
Questões teológicas
“A teologia não é uma ciência árida para ser estudada apenas por especialistas, mas o conhecimento do próprio Deus, que é vida eterna conhecê-Lo. Cada cristão é, por natureza de sua vocação, um teólogo, pois cada cristão é chamado a conhecer a Deus mais profundamente.” John Calvin, Institutas da Religião Cristã, Livro I, Cap. 1, p. 35.
Existe uma impaciência santa que deveria caracterizar todo buscador sincero da verdade divina. Jonathan Edwards, em sua décima primeira resolução, articula um princípio que desafia nossa tendência natural à procrastinação intelectual: “ao pensar em qualquer teorema de teologia a ser resolvido, fazer imediatamente o que puder para resolvê-lo, se as circunstâncias não me impedirem.”
Que contraste radical com nossa era de distrações infinitas! Edwards compreendeu algo que nós frequentemente esquecemos: as questões teológicas não são quebra-cabeças acadêmicos para serem resolvidos no tempo livre, mas mistérios vitais que demandam nossa atenção imediata e total. Cada dúvida não esclarecida, cada verdade não compreendida, cada paradoxo não explorado representa uma oportunidade perdida de conhecer mais profundamente o Deus que se revelou a nós.
A resolução de Edwards não nasce de obsessão intelectual, mas de amor apaixonado. Quando alguém verdadeiramente ama, cada oportunidade de conhecer melhor o objeto de seu amor é abraçada com entusiasmo. Edwards amou a Deus, e sua sede teológica era apenas a expressão natural desse pelo Deus Altíssimo.
“O conhecimento de Deus não é um luxo intelectual, mas uma necessidade espiritual. Assim como o corpo físico definha sem alimento, a alma definha sem o conhecimento crescente de Deus. Por isso, toda questão teológica que surge em nossa mente é um convite divino para crescer em sabedoria.” Charles Hodge, Systematic Theology, Vol. I, p. 12.
Abandone a procrastinação intelectual
“A preguiça intelectual é uma das formas mais sutis de desobediência a Deus. Quando Ele nos dá mentes capazes de conhecê-Lo mais profundamente e nós as deixamos ociosas, estamos desperdiçando um dos mais preciosos dons que recebemos. A busca teológica é, portanto, um ato de mordomia espiritual.” Abraham Kuyper, Lectures on Calvinism, p. 134.
A genialidade desta resolução reside em sua compreensão de que o momento presente é o único momento que possuímos verdadeiramente. “Imediatamente” não é palavra de pressa neurótica, mas de sabedoria existencial. Edwards sabia que a mente humana é como um jardim: se não cultivarmos intencionalmente as verdades de Deus, as ervas daninhas da dúvida, da confusão e da indiferença rapidamente tomarão conta.
Considere a qualificação sábia que Edwards inclui: “se as circunstâncias não me impedirem.” Ele não defende uma obsessão teológica que ignore responsabilidades familiares, deveres cristãos ou necessidades físicas. Antes, reconhece que a vida possui ritmos e demandas legítimas. Mas dentro desses parâmetros, não há espaço para procrastinação espiritual.
Não existe momento neutro na vida cristã. Cada instante é uma oportunidade para crescer em graça e conhecimento. Quando postergamos a busca pela verdade teológica, não estamos apenas perdendo tempo; estamos perdendo oportunidades de comunhão com Deus através de Sua palavra revelada.
Esta resolução revela a arquitetura mental de um verdadeiro teólogo. Para Edwards, cada pergunta teológica que surgia era como uma porta entreaberta para os mistérios de Deus. Fechar essa porta por preguiça, medo ou indiferença seria desperdiçar uma oportunidade divina. Ele compreendeu que Deus frequentemente nos ensina através de nossas próprias perguntas, usando nossa curiosidade como instrumento de revelação.
A urgência edwardsiana também nasce de uma percepção aguda da brevidade da vida. Somos peregrinos em jornada para a eternidade, mas nossa capacidade de crescer no conhecimento teológico está limitada aos anos terrestres. Cada dia adiado é uma página não lida no livro da sabedoria divina, uma janela não aberta para contemplar a glória de Deus.
“A teologia é a rainha das ciências porque trata do Rei do universo. Assim como súditos leais não fazem o rei esperar, cristãos verdadeiros não postergam o estudo dAquele que é o centro de toda realidade. A urgência teológica é expressão de lealdade espiritual.” Herman Bavinck, Reformed Dogmatics, Vol. I, p. 67.
Você quer conhecer melhor a Cristo?
A resolução de Edwards nos confronta com uma verdade desconfortável: nossa tendência de tratar as questões teológicas como opcionais revela mais sobre o estado de nosso coração do que gostaríamos de admitir. Quando algo verdadeiramente nos importa, encontramos tempo para isso. Quando alguém verdadeiramente nos fascina, não postergamos oportunidades de conhecê-lo melhor.
“A teologia verdadeira sempre conduz à doxologia. Quando estudamos a verdade sobre Deus com a urgência que Edwards recomenda, inevitavelmente somos levados à adoração. O conhecimento de Deus que não resulta em louvor é conhecimento incompleto.” John Piper, Desiring God, p. 67.
Edwards não estava defendendo uma erudição estéril, mas uma paixão santa. Ele compreendeu que cada verdade teológica compreendida é um degrau a mais na escada que nos aproxima de Deus. Cada paradoxo resolvido é uma faceta a mais do diamante da sabedoria divina contemplada. Cada doutrina clarificada é uma nota a mais na sinfonia de adoração que deveria caracterizar nossa vida.
A urgência de Jonathan Edwards é, em última análise, urgência do amor. Quando amamos alguém, queremos conhecê-lo completamente, imediatamente, sem reservas. A resolução de Edwards é o manifesto de um coração apaixonado por Deus, uma mente que encontrou em cada questão teológica uma nova oportunidade de intimidade divina.
A vida cristã é uma vida de descoberta constante. Cada dia traz novas oportunidades de compreender melhor as verdades eternas. Aqueles que aproveitam essas oportunidades imediatamente são aqueles que experimentam o crescimento espiritual mais profundo e duradouro.
E agora, como viveremos?
Como, então, vivemos esta resolução em nossa era de distrações constantes?
Desenvolvemos o hábito de capturar perguntas teológicas. Quando uma dúvida surge durante o sermão, quando uma contradição aparente nos intriga na leitura bíblica, quando um paradoxo doutrinário nos desafia, anotamos imediatamente. O simples ato de documentar demonstra que levamos a sério nossa jornada teológica.
Criamos sistemas para investigação imediata. Isso pode significar ter sempre uma Bíblia de estudo à mão, manter uma lista de recursos teológicos confiáveis, ou desenvolver relacionamentos com mentores espirituais mais maduros. A resolução de Edwards pressupõe preparação: não podemos resolver questões teológicas imediatamente, investimos tempo e recursos e usamos as ferramentas necessárias para alcançarmos maturidade espiritual.
Santificamos nossa curiosidade. Em vez de permitir que perguntas teológicas nos deixem ansiosos ou inseguros, as recebemos como presentes divinos. Deus frequentemente nos ensina através de nossas próprias perguntas, usando nossa curiosidade como instrumento de crescimento espiritual.
Equilibramos urgência com sabedoria. Edwards inclui a qualificação “se as circunstâncias não me impedirem” por uma razão. Há momentos para estudo intensivo e momentos para outras responsabilidades. Mas dentro dos ritmos saudáveis da vida, não há espaço para procrastinação espiritual. Nossa resolução deve ser clara: as questões teológicas não são luxos intelectuais, mas necessidades espirituais que merecem atenção imediata.
Oremos
Pai celestial, Tu que és a fonte de toda sabedoria e conhecimento, desperta em nós uma grande fome por Te conhecer. Que nossa curiosidade sobre Ti seja insaciável, nossa busca por Tua verdade seja urgente, e nossa resolução de crescer no conhecimento seja inabalável.
Perdoa-nos por todas as vezes que tratamos as questões sobre Ti como opcionais ou adiáveis. Perdoa nossa preguiça intelectual, nossa satisfação com conhecimento superficial, nossa tendência de procrastinar quando Tu nos convidas a conhecer-Te mais profundamente.
Concede-nos sabedoria para equilibrar nossa urgência teológica com nossas outras responsabilidades. Ensina-nos a ser diligentes sem sermos obsessivos, apaixonados sem sermos imprudentes, urgentes sem sermos ansiosos.
Que cada pergunta que surge em nossa mente sobre Ti seja recebida como convite divino para crescer em graça e conhecimento. Que nossa busca teológica seja sempre motivada pelo amor, direcionada pela humildade, e coroada pela adoração. Em nome de Jesus, o Verbo eterno que se fez carne para nos revelar o Pai. Amém.
Somente Cristo! Pr. Reginaldo Soares.
Leia também:
- AS RESOLUÇÕES DE JONATHAN EDWARDS
- RESOLUÇÃO 07 – Jonathan Edwards
- RESOLUÇÃO 08 – Jonathan Edwards
- RESOLUÇÃO 09 – Jonathan Edwards

Meu chamado para o ministério pastoral veio em 1994, sendo encaminhado ao conselho da Igreja Presbiteriana (IPB) em Queimados e em seguida ao Presbitério de Queimados (PRQM). Iniciei meus estudos no ano seguinte, concluindo-os em 1999. A ordenação para o ministério pastoral veio em 25 de junho de 2000, quando assumi pastoreio na IPB Inconfidência (2000-2003) e da IPB Austin (2002-2003). Desde de 2004 tenho servido como pastor na Igreja Presbiteriana em Engenheiro Pedreira (IPEP), onde sigo conduzido esse amado rebanho pela graça de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Sou casado há 22 anos com Alexsandra, minha querida esposa, sou pai de Lisandra e Samantha, preciosas bênçãos de Deus em nossas vidas. Me formei no Seminário Teológico Presbiteriano Ashbel Green Simonton, no Rio de Janeiro, e consegui posteriormente a validação acadêmica pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Pela bondade de nosso Senhor, seguimos compartilhando fé, amor e buscando a cada dia crescimento espiritual. Somente Cristo!
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