2 Timóteo 1.4-5. “Lembro das suas lágrimas e estou ansioso por ver você, para que eu transborde de alegria. Lembro da sua fé sem fingimento, a mesma que, primeiramente, habitou em sua avó Loide e em sua mãe Eunice, e estou certo de que habita também em você.”
Mônica nasceu em Tagaste, na Numídia, atual Argélia, no ano de 331, em uma família cristã de posses razoáveis. Desde a infância foi educada na piedade e na disciplina espiritual, tendo sido confiada, segundo as tradições, aos cuidados de uma escrava idosa que lhe transmitiu ensinamentos religiosos rígidos e uma devoção precoce. Aprendeu ainda menina a valorizar a oração noturna, o serviço aos pobres e a modéstia em todas as ações, virtudes que marcariam toda a sua trajetória. Embora desejasse, quando adulta, consagrar-se à vida virginal, foi obediente à vontade dos pais e, aos dezessete ou dezoito anos, casou-se com Patrício, um homem pagão de temperamento violento, ambicioso e frequentemente infiel.
O casamento não lhe trouxe felicidade fácil. Patrício bebia, esbravejava e traía a esposa com regularidade, mas Mônica jamais respondeu à hostilidade com hostilidade. Tratava-o sempre com doçura, esperava a cólera passar e só então, com serenidade, expunha-lhe as faltas. Essa conduta era tão notável que outras mulheres casadas, maltratadas por seus próprios maridos, vinham perguntar-lhe o segredo de nunca ter sido agredida. Mônica respondia com simplicidade: a submissão paciente e o silêncio nos momentos de ira evitavam conflitos maiores. Aos poucos, essa sabedoria prática, sustentada pela oração incessante, foi amolecendo o coração endurecido de seu marido.
Dessa união nasceram três filhos: Navígio, uma filha cujo nome não chegou até nós, e Agostinho, o primogênito, nascido quando Mônica tinha vinte e três anos. Desde cedo o menino revelou grande inteligência, mas também inclinação para o pecado, caçando passarinhos e roubando frutos, pequenos sinais de um espírito inquieto que, com o tempo, se aprofundaria. Enquanto Patrício investia recursos além das posses da família para que o filho estudasse retórica, Mônica desejava, acima de tudo, vê-lo casto e temente a Deus. Patrício morreu quando Agostinho tinha 17 anos e Deus concedeu a Mônica a bênção de ver o marido, por quem orava sem cessar, ser batizado pouco antes de morrer.
Viúva aos trinta e nove anos, Mônica assumiu sozinha a administração da casa e a formação espiritual dos filhos. Foi então que Agostinho, já livre da vigilância paterna, mergulhou de vez nos prazeres mundanos e, dos dezenove aos vinte e oito anos, tornou-se adepto do maniqueísmo, doutrina dualista que afastava seus seguidores da fé cristã. Mônica seguiu o filho de Tagaste a Cartago e, depois, a Roma e Milão, recusando-se a desistir dele. Chorou, intercedeu e buscou o conselho de um bispo, que lhe disse ser impossível que se perdesse um filho de tantas lágrimas. Em Milão, tocado pelos sermões de Santo Ambrósio e pela leitura de Romanos 13.13-14, Agostinho finalmente se converteu e foi batizado na Páscoa de 387. Pouco depois, no porto de Óstia, Mônica adoeceu e morreu em paz, aos cinquenta e seis anos, certa de que sua missão como mãe havia sido plenamente cumprida.
Paulo escreve a Timóteo lembrando a fé sincera que habitou primeiro em sua avó Loide e depois em sua mãe Eunice, uma fé que atravessou silenciosamente gerações até florescer na vida do jovem discípulo. Essa mesma dinâmica se repete, com clareza notável, na história de Mônica. Ela não deixou tratados teológicos nem sermões escritos. Não possuía a erudição do filho, nem teria, como mulher daquele tempo, meios de exercer o ministério que Agostinho exerceria mais tarde. Deixou, porém, algo mais duradouro: uma vida de oração perseverante, capaz de sustentar a fé de um filho que ainda não a possuía. Assim como Loide e Eunice, Mônica compreendeu que a maior herança que uma mãe pode oferecer não é riqueza nem talento, mas fidelidade diante de Deus, sustentada mesmo quando os resultados parecem distantes e o tempo insiste em não passar.
Talvez você esteja intercedendo, há anos, por alguém que ainda não deu sinais de mudança. Um filho, um cônjuge, um irmão, um amigo que parece caminhar cada vez mais longe da fé. Talvez as lágrimas de Mônica sejam também as suas, e o silêncio de Deus pareça, por vezes, insuportável. A vida dela ensina, no entanto, que a oração perseverante nunca é vã, ainda que a resposta demore décadas para chegar. Deus vê a fidelidade escondida no silêncio de cada súplica, e o tempo Dele não segue o nosso calendário de ansiedade. Assim como não desistiu de Agostinho, Ele também não desistiu de nós, e continua trabalhando mesmo quando nada disso é visível aos nossos olhos.
Oremos. Senhor,dá-me a perseverança para interceder pelos que amo, mesmo quando o caminho parece longo e a resposta, distante. Que minhas lágrimas se tornem sementes de esperança, e que eu confie, como está escrito, que “aqueles que semeiam com lágrimas, com cânticos de alegria ceifarão”. Fortalece minha fé nos dias de silêncio, e ensina-me a esperar em ti com a mesma confiança que sustentou essa mãe fiel. Amém.
Somente Cristo! Pr. Reginaldo Soares.
UL TIMAS POSTAGENS

Meu chamado para o ministério pastoral veio em 1994, sendo encaminhado ao conselho da Igreja Presbiteriana (IPB) em Queimados e em seguida ao Presbitério de Queimados (PRQM). Iniciei meus estudos no ano seguinte, concluindo-os em 1999. A ordenação para o ministério pastoral veio em 25 de junho de 2000, quando assumi pastoreio na IPB Inconfidência (2000-2003) e da IPB Austin (2002-2003). Desde de 2004 tenho servido como pastor na Igreja Presbiteriana em Engenheiro Pedreira (IPEP), onde sigo conduzido esse amado rebanho pela graça de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Sou casado há 22 anos com Alexsandra, minha querida esposa, sou pai de Lisandra e Samantha, preciosas bênçãos de Deus em nossas vidas. Me formei no Seminário Teológico Presbiteriano Ashbel Green Simonton, no Rio de Janeiro, e consegui posteriormente a validação acadêmica pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Pela bondade de nosso Senhor, seguimos compartilhando fé, amor e buscando a cada dia crescimento espiritual. Somente Cristo!



