Porque a vitória já foi dada, nenhum esforço feito no Senhor se perde no caminho
1 Coríntios 15:57-58. “Mas graças a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão.”
Você ja se sentiu exausto depois de servir em alguma área da igreja por algum tempo e parece que ninguém nota seu esforço? Já se dedicou com honestidade a algo sem ser recompensado? Quantas vezes já se perguntou se vale a pena continuar? E é justamente nesse ponto que a palavra do apóstolo Paulo nos encontra, da mesma forma que encontrou os cristãos em Corinto.
Para entender por que Paulo termina o capítulo mais glorioso de toda a sua carta com uma ordem de trabalho, é preciso primeiro entender a cidade para a qual ele escrevia, ela não era uma cidade qualquer. Reconstruída por ordem de Júlio César sobre as ruínas de uma Corinto mais antiga, destruída pelos romanos um século antes, ela havia renascido em uma posição geográfica privilegiada, entre dois portos, Lequéia, de frente para o Ocidente, e Cencréia, aberto ao Oriente. Essa posição a transformou em um dos maiores centros comerciais do Mediterrâneo, e o comércio trouxe consigo tudo o que costuma acompanhá-lo: riqueza, mobilidade social e uma vida moral tão desregrada que a própria língua grega cunhou o verbo “corintizar” para descrever um viver sem freios.
Foi nessa cidade, ao lado de templos dedicados a cultos sexualizados e diante de profundas desigualdades entre uma elite próspera e um contingente imenso de escravos e trabalhadores pobres, que Paulo fundou uma igreja. E foi a essa igreja, agora dividida, instável e influenciada por uma filosofia grega que desprezava o corpo e a matéria, que ele escreve para responder a um erro doutrinário grave: alguns entre eles, simplesmente, negavam a ressurreição dos mortos. Todo o capítulo 15 é a resposta de Paulo a essa negação.
A certeza da ressurreição não é um consolo distante para depois da morte; ela é o fundamento para uma vida plena e uma sincera dedicação ao trabalho do Senhor. Muitos entre aqueles cristãos duvidavam de que valesse a pena continuar servindo, ensinando, ajudando os pobres da cidade, suportando as tensões de uma igreja dividida. Se a ressurreição não fosse real, argumentava Paulo, então de fato nada disso teria sentido. Mas ela é real e por isso o esforço presente ganhava um valor que nenhuma avaliação humana poderia anular.
Nossa jornada hoje não é diferente. Há mães que criam seus filhos com muito amor e não são vistas, profissionais que trabalham com integridade sem que ninguém perceba, pessoas que oram por outros e até que cheguem na glória, não saberão o fruto disso. Vivemos, como os coríntios, cercados por uma cultura que mede tudo pelo resultado imediato: curtidas, aplausos, retorno rápido. E é fácil, nesse ambiente, sentir que o esforço invisível é esforço perdido.
Paulo responde a esse temor com duas palavras gregas que os comentaristas ajudam a iluminar: firmes e inabaláveis descrevem não uma resistência passiva, mas um propósito ancorado, incapaz de ser deslocado pelas variações do coração ou pelas pressões externas. E “sempre abundantes” traz a imagem de uma vasilha que se enche até transbordar e continua transbordando, a firmeza da igreja não se trata de permanecer imóvel; é a solidez que floresce em serviço constante.
O fechamento do versículo é onde tudo se sustenta: “sabendo”. Um conhecimento que nasce diretamente da ressurreição já consumada. O trabalho realizado no Senhor tem garantia no Senhor, não depende de reconhecimento visível, nem humano.
Talvez você esteja, hoje, exatamente nesse lugar: servindo sem aplauso, perseverando sem sinais claros de resultado. A palavra de Paulo aos coríntios continua sendo uma palavra de nosso Senhor para você. Porque Cristo ressuscitou, nada do que é feito nele se perde no vazio. O trabalho oculto de hoje já tem, diante de Deus, seu valor selado.

Oração: Senhor, como o salmista que clamava buscando forças além das próprias, venho a ti cansado de tanto trabalhar sem ver fruto. Ensina-me a firmeza que não vacila e o serviço que não desanima, sabendo que nada feito em ti se perde. Que eu me aproxime de ti nos dias difíceis e encontre, na tua fidelidade, a certeza que sustenta minha perseverança. Amém.
Somente Cristo! Pr. Reginaldo Soares.
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Meu chamado para o ministério pastoral veio em 1994, sendo encaminhado ao conselho da Igreja Presbiteriana (IPB) em Queimados e em seguida ao Presbitério de Queimados (PRQM). Iniciei meus estudos no ano seguinte, concluindo-os em 1999. A ordenação para o ministério pastoral veio em 25 de junho de 2000, quando assumi pastoreio na IPB Inconfidência (2000-2003) e da IPB Austin (2002-2003). Desde de 2004 tenho servido como pastor na Igreja Presbiteriana em Engenheiro Pedreira (IPEP), onde sigo conduzido esse amado rebanho pela graça de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Sou casado há 22 anos com Alexsandra, minha querida esposa, sou pai de Lisandra e Samantha, preciosas bênçãos de Deus em nossas vidas. Me formei no Seminário Teológico Presbiteriano Ashbel Green Simonton, no Rio de Janeiro, e consegui posteriormente a validação acadêmica pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Pela bondade de nosso Senhor, seguimos compartilhando fé, amor e buscando a cada dia crescimento espiritual. Somente Cristo!




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