Do primeiro século a Constantino — Fidelidade sob fogo
“O sangue que o Império derramou para apagar o fogo da fé acabou sendo o combustível que o espalhou pelo mundo, porque nenhum poder humano pode destruir aquilo que Deus decidiu preservar.”
Hebreus 11:36-40. “…outros, por sua vez, passaram pela prova de zombarias e açoites, sim, até de algemas e prisões. Foram apedrejados, serrados ao meio, mortos ao fio da espada. Andaram como peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras; passaram por necessidades, foram afligidos e maltratados. O mundo não era digno deles. Andaram errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra. Todos estes, mesmo tendo obtido bom testemunho por meio da fé, não obtiveram a concretização da promessa, porque Deus tinha previsto algo melhor para nós, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados.”
INTRODUÇÃO
Há em Roma um edifício que resume toda a história que estudaremos hoje. O Coliseu ou Anfiteatro Flaviano foi inaugurado no ano 80 d.C. pelo imperador Tito e tinha capacidade para mais de cinquenta mil espectadores. Era o maior teatro da antiguidade, e também o mais cruel: suas areias foram regadas com o sangue de gladiadores, de animais selvagens e, especialmente, de cristãos. Por gerações, os imperadores romanos usaram aquele espaço para enviar uma mensagem ao mundo: ninguém resiste ao poder de Roma.

Mas aconteceu algo que os arquitetos daquele anfiteatro jamais poderiam prever. O Coliseu, erguido como símbolo do poder e da glória de Roma, tornou-se paradoxalmente o palco onde a fé cristã brilhou com maior intensidade, porque ali, diante de multidões sedentas por espetáculo, os seguidores de Cristo testemunhavam com suas vidas que existe um reino superior a qualquer império terreno. Aquilo que os imperadores construíram para aniquilar a fé acabou se tornando, através dos séculos, local de peregrinação cristã, de oração e de memória dos mártires. O maior anfiteatro pagão do mundo foi santificado pelo sangue daqueles a quem tentava destruir.
Esse paradoxo concentra em si toda a teologia desta lição: a soberania de Deus sobre a história, o mesmo Deus que permitiu a perseguição foi Aquele que a encerrou e aquilo que o Império usou para destruir, Deus usou para proclamar.
Antes de entrarmos na história, porém, precisamos responder uma pergunta: por que o Império Romano perseguiu o cristianismo? Afinal, Roma era famosa por sua tolerância religiosa, conquistavam um povo, adotavam seus deuses no panteão romano e seguiam em frente. Então por que o cristianismo era diferente?
A resposta está no coração da fé cristã: os cristãos adoravam um único Deus e se recusavam a oferecer sacrifícios ao imperador, um ato que, para Roma, não era apenas religioso, mas profundamente político. Um súdito que se negava a queimar incenso diante da estátua do César estava, na visão romana, declarando lealdade a outro rei. Além disso, os cristãos se reuniam em segredo, compartilhavam refeições, chamavam uns aos outros de irmãos e irmãs e rumores absurdos corriam sobre essas reuniões. O historiador romano Tácito, sem qualquer simpatia pelos cristãos, os chamava de pessoas com “ódio à raça humana” porque se negavam a participar dos teatros, dos jogos, dos sacrifícios, de praticamente toda a vida pública romana, que estava entrelaçada com a religião pagã. Eram, aos olhos do mundo, estranhos, às vezes chamados de ateus porque recusavam os deuses. E o que é incompreendido, tende a ser temido e o que é temido, tende a ser perseguido.
O texto de Hebreus 11 escrito provavelmente para cristãos que enfrentavam pressão para abandonar a fé, nos apresenta uma galeria de pessoas que sofreram por sua fidelidade. O que é profundo nessa lista é que o autor bíblico não celebra apenas os que foram miraculosamente livrados como Noé, Abraão, Moisés, ele celebra igualmente os que permaneceram fiéis sem ver a recompensa temporal. Os versículos 36 a 38 descrevem tipos específicos de sofrimento, açoites, prisão, apedrejamento, morte pela espada, vida errante cobertos de peles de animais, que correspondem quase literalmente aos métodos de martírio usados pelo Império Romano. É como se o autor de Hebreus estivesse anunciando profeticamente o que a Igreja viveria nos séculos seguintes.
Com esse texto como moldura, vamos agora percorrer duzentos e cinquenta anos de história.
A Igreja que sofre é a mesma que avança: Deus usa a perseguição não para destruir o seu povo, mas para purificá-lo, espalhá-lo e torná-lo testemunha da ressurreição diante de um mundo moribundo.
1. As Primeiras Perseguições: Do Fogo de Nero ao Silêncio de Trajano (64–117 d.C.)
“Assim, por toda parte, os homens de Deus suportavam toda sorte de provações: alguns eram açoitados, outros submetidos a torturas de toda espécie, outros ainda eram lançados às feras, e não poucos, após suportarem longos tormentos, finalmente selavam seu testemunho com a morte, demonstrando por suas ações que a fé em Cristo é mais forte que qualquer poder humano ou sofrimento imposto pelos homens.” Eusébio de Cesareia – História Eclesiástica. Século IV, Livro VIII.
No ano 64 d.C., na noite de 18 para 19 de julho, um incêndio devastou Roma. Segundo o relato do historiador Tácito, o fogo durou seis dias e sete noites, destruindo dez dos catorze distritos da cidade. A suspeita popular recaiu sobre o próprio imperador Nero, que, segundo se dizia, teria mandado atear fogo para reconstruir a cidade segundo sua visão grandiosa. Precisando de um bode expiatório, Nero escolheu os cristãos.
O relato que Tácito faz desse episódio é um dos documentos mais preciosos da história cristã primitiva, precisamente porque vem de alguém que não tinha qualquer simpatia pelo cristianismo. Em suas Anais, livro 15, capítulo 44, Tácito escreveu que Nero fez aparecer como culpados os cristãos, “uma gente odiada por todos por suas abominações”, e os castigou “com mui refinada crueldade”. Ele mesmo, sem intenção de fazê-lo, forneceu um dos mais antigos testemunhos pagãos sobre Cristo: “Cristo, de quem tomam o nome, foi executado por Pôncio Pilatos durante o reinado de Tibério.” É extraordinário que um dos primeiros registros não cristãos sobre Jesus venha de um homem que considerava o cristianismo uma “superstição daninha”. A perseguição que pretendia apagar o nome de Cristo acabou, através das palavras de seu perseguidor, confirmando a historicidade da fé.
Mas o que Nero fez com os cristãos em Roma ultrapassa a crueldade comum. Tácito descreve com horror: cristãos foram vestidos em peles de animais para que cachorros os devorassem; outros foram crucificados; outros ainda foram queimados vivos à noite para iluminar os jardins imperiais, enquanto Nero circulava entre as multidões como cocheiro. E então aconteceu algo que o próprio Tácito registrou com surpresa: o povo, mesmo o povo pagão que nada simpatizava com os cristãos, começou a sentir misericórdia. Via-se que os condenados não eram destruídos pelo bem público, mas para satisfazer a crueldade de um homem.
Entre os mártires de Nero estavam os apóstolos Pedro e Paulo. A tradição cristã, confirmada por fontes eclesiásticas como Eusébio de Cesaréia, registra que Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, por pedido próprio, pois se considerava indigno de morrer da mesma forma que seu Senhor. Paulo foi decapitado. A Igreja que havia sido plantada na capital do mundo pagão estava sendo regada com o sangue de seus fundadores. O que do ponto de vista humano parecia o fim, do ponto de vista divino era o começo.
Após Nero, houve um período de relativa calma. Os imperadores Vespasiano e Tito pareceram ter esquecido os cristãos, e a nova fé continuou se espalhando silenciosamente pelo Império. Mas no ano 81, o imperador Domiciano subiu ao trono, e no final de seu reinado desatou uma nova perseguição. Domiciano amava as velhas tradições romanas e sentia que o crescimento do cristianismo ameaçava o culto imperial. Em Roma, mandou executar seu parente Flávio Clemente e sua esposa Flávia Domitila, acusados de “ateísmo” e “costumes judaicos”, expressões romanas para designar cristãos. O apóstolo João foi deportado para a ilha de Patmos, onde recebeu as visões do Apocalipse. Não é por acaso que aquele livro descreve Roma como “a grande meretriz, ébria do sangue dos santos” e identifica Pérgamo, capital provincial da Ásia Menor, como o lugar “onde está o trono de Satanás”. O livro mais profético do Novo Testamento nasceu no contexto de uma perseguição específica, dirigida a cristãos, em igrejas reais, em cidades identificáveis. Hebreus 11 e Apocalipse 2 não são apenas literatura são pastoreio de pessoas sob fogo.
A situação mudou sutilmente com Trajano (98–117 d.C.), e a mudança é reveladora tanto pelo que avançou quanto pelo que permaneceu absurdo. Por volta do ano 111 d.C., Plínio, governador da Bitínia, escreveu ao imperador pedindo orientação sobre como lidar com os cristãos. Seu relato é fascinante: havia descoberto que os cristãos se reuniam “antes do amanhecer” para “recitar por turnos uma forma de palavras a Cristo como a um deus” e para se comprometer uns com os outros a boas obras. Havia torturado duas jovens escravas que eram diaconisas tentando descobrir “crimes secretos” e confessou ter encontrado apenas “uma superstição extravagante e perversa”. A resposta de Trajano foi igualmente peculiar: os cristãos não deveriam ser procurados ativamente, mas, se fossem acusados e se recusassem a adorar os deuses, deveriam ser punidos. O próprio Tertuliano, décadas depois, criticaria essa política com precisão cirúrgica: “Se os condenas, por que não investigas? Se não investigas, por que não absolves?” Era a lógica imperial em toda a sua contradição, perseguindo pelo nome o que não conseguia provar pelos fatos.
Esta contradição revela algo profundo sobre o sofrimento dos primeiros cristãos: eles não sofriam por crimes reais, sofriam simplesmente pelo que eram. E isso corresponde exatamente ao que Jesus havia prometido: “Se o mundo vos odeia, sabei que a mim me odiou primeiro” (João 15:18). A perseguição confirma a historicidade da fé e o texto de Hebreus 11 já antecipava que ser aprovado pela fé não significaria ser poupado pelo mundo
“Podia-se ver, então, maravilhosos exemplos de zelo divino e coragem verdadeiramente inspirada pela fé, pois muitos, mesmo diante das mais terríveis ameaças e punições, não hesitavam em confessar o nome de Cristo, preferindo a morte presente à negação daquele que lhes prometera a vida eterna.” Eusébio de Cesareia – História Eclesiástica. Século IV, Livro VIII.
2. A Perseguição no Século II: Inácio, Policarpo e a Teologia do Martírio (107–180 d.C.)
“Tornamo-nos mais numerosos cada vez que somos ceifados por vós; o sangue dos cristãos é semente, e quanto mais somos perseguidos, tanto mais crescemos, ainda que vos pareça que estamos sendo reduzidos.” Tertuliano – Apologeticum. c. 197 d.C. Cap. 50.
Por volta do ano 107 d.C., por motivos que os historiadores nunca esclareceram completamente, o ancião bispo de Antioquia, a terceira maior cidade do Império Romano, com mais de meio milhão de habitantes foi preso, julgado e condenado a morrer em Roma, seu nome era Inácio. Tinha nascido por volta do ano 30 ou 35 d.C., era, portanto, um homem que poderia ter conhecido os apóstolos pessoalmente. Era o segundo bispo de Antioquia, gozava de enorme autoridade na Igreja, e era chamado carinhosamente de “Portador de Deus”.
A viagem de Antioquia a Roma, percorrida sob custódia militar, durou semanas. Durante esse caminho, cristãos de diversas cidades vieram encontrar o bispo ancião para se despedir. Inácio aproveitou cada parada para ditar cartas às comunidades que visitava. Sete dessas cartas sobreviveram e são consideradas joias da literatura cristã primitiva. O que nelas está escrito não é lamento é fé viva. Inácio é um homem que vai morrer e que entende sua própria morte como participação na morte de Cristo.
Da cidade de Esmirna, escreveu à Igreja de Roma pedindo que ninguém interferisse para livrá-lo do martírio: “Temo vossa bondade, que pode me causar dano. Pois vós podeis fazer com facilidade o que projetais; mas se não me derdes atenção, ser-me-á muito difícil alcançar a Deus.” Ele não queria evitar a morte, não estava desesperado, sua fé tinha um alto comprometimento com seu Seunhor. Sua carta à Igreja de Roma contém uma das frases mais memoráveis de toda a história da igreja: “Sou trigo de Deus, e os dentes das feras hão de me moer, para que possa ser oferecido como pão limpo de Cristo.” Inácio via seu martírio como a culminação do discipulado, o ponto em que ele se tornaria, de fato, um testemunho de Jesus Cristo. “Se nada dizeis acerca de mim eu chegarei a ser palavra de Deus. Mas se vos deixais convencer pelo amor que tendes pela minha carne, voltarei a ser simples voz humana.”
Quase cinquenta anos depois, a história se repetiria em Esmirna, a cidade onde Inácio havia escrito aquelas cartas. Corria o ano 155 d.C. Policarpo, amigo pessoal de Inácio, havia recebido conselhos pastorais do bispo ancião quando ainda era jovem. Agora, era ele próprio o ancião, bispo de Esmirna havia décadas, discípulo do apóstolo João, homem que carregava na memória o contato direto com a geração apostólica. Tinha oitenta e seis anos quando os que o procuravam chegaram à fazenda onde estava escondido.
A política de Trajano ainda estava em vigor: não se devia buscar os cristãos ativamente, mas, uma vez acusados, deviam ser punidos. Policarpo havia saído da cidade por insistência de sua congregação e se refugiado em uma fazenda nas cercanias. Quando os perseguidores se aproximaram, ele poderia ter fugido novamente. Mas sentiu que era a hora, convidou os soldados para comer, pediu uma hora para orar e, ao final, foi levado sem resistência.
Diante do procônsul, o confronto foi memorável, o magistrado tentou de todas as formas convencê-lo: “Pensa em tua avançada idade, jura pelo imperador, nega a Cristo e te será perdoada a vida.” Policarpo respondeu com uma serenidade que desarmou até seus juízes: “Faz oitenta e seis anos que o sirvo, e nenhum mal me fez. Como poderia eu maldizer ao meu rei, que me salvou?” Quando o juiz disse que gritasse “abaixo os ateus!”, referindo-se aos cristãos, Policarpo apontou em direção à multidão de pagãos que o rodeava e disse: “Sim, abaixo os ateus!” Quando ameaçado com as feras, respondeu que o fogo eterno era pior que qualquer fera. Quando ameaçado com o fogo, respondeu que o fogo que o juiz acenderia duraria apenas um momento, enquanto o fogo eterno nunca se apagaria.
Atado na fogueira, ergueu os olhos ao céu e orou em voz alta: “Senhor Deus Soberano… dou-te graças, porque me consideraste digno deste momento, para que, junto a teus mártires, eu possa ser parte no cálice de Cristo.” Assim entregou a vida aquele bispo ancião que havia aprendido com os apóstolos e ensinado gerações.
O período sob Marco Aurélio (161–180 d.C.) acrescentaria mais nomes à lista. O “imperador filósofo”, que escreveu as famosas Meditações sobre a virtude estoica (muito popular hoje em dia), ironicamente desatou perseguições violentas. No ano 177 d.C., em Lyon e Viena, na Gália, uma perseguição começou não por decreto imperial, mas por violência popular: “um populacho enfurecido contra seus supostos inimigos e adversários”, como registra o próprio Eusébio. Entre os mártires de Lyon estava uma escrava chamada Blandina, os presentes na arena viram naquela mulher pendurada no poste, a imagem daquele que havia sido crucificado por eles, e souberam que “todos os que sofrem pela glória de Cristo têm para sempre comunhão com o Deus vivo.” Uma escrava que o mundo consideraria a pessoa menos importante naquela sociedade, é vista pela Igreja como legítima representante de Cristo.
Nas palavras de Hebreus 11:36-38: “…dos quais o mundo não era digno.” A inversão é proposital, o autor inspirado está dizendo que o veredicto do mundo, que condenou esses homens e mulheres como criminosos, foi um erro de julgamento colossal. Quem julgou quem? O Coliseu lotado que aplaudia a morte de Blandina não sabia que assistia à derrota, não à vitória. A arena romana, que pretendia ser o símbolo supremo do domínio humano sobre a vida e a morte, tornou-se o cenário onde a impotência do Império era revelada, porque não conseguia subjugar a consciência daqueles que haviam encontrado em Cristo uma liberdade que nenhuma força terrena podia destruir.
“Os mártires não eram considerados derrotados pela igreja primitiva, mas vitoriosos, pois sua morte era vista como o testemunho supremo da fé, uma participação nos sofrimentos de Cristo e, ao mesmo tempo, uma proclamação silenciosa de que o poder de Deus triunfa mesmo quando tudo parece perdido aos olhos humanos.” Justo L. González – A Era dos Mártires. Vida Nova, 1995.

3. As Perseguições Sistemáticas do Século III: Décio, Valeriano e a Crise dos “Caídos” (202–260 d.C.)
Os dois primeiros séculos de perseguição tiveram uma característica comum: eram locais e esporádicos. Dependiam muito da vontade dos governadores provinciais, da agitação das populações locais, dos humores dos imperadores. Não havia uma política imperial universal e sistemática de extermínio do cristianismo, isso mudaria no século III.
“A igreja cristã cresceu não apesar das perseguições, mas em grande parte por causa delas, pois o testemunho corajoso dos mártires impressionava profundamente osobservadores e levantava questões que frequentemente conduziam à conversão daqueles que antes eram indiferentes ou hostis ao evangelho.” Williston Walker – História da Igreja Cristã. Edição clássica.
Em 202 d.C., o imperador Sétimo Severo proibiu novas conversões ao judaísmo e ao cristianismo. Os primeiros a serem afetados foram os catecúmenos, pessoas que estavam se preparando para receber o batismo e seus mestres. Foi nesse contexto que dois casos de martírio se tornaram famosos em toda a Igreja: Perpétua e Felicidade.
Perpétua era uma jovem nobre de Cartago, no norte da África, que amamentava seu filho recém-nascido. Felicidade era uma de suas escravas, que estava grávida. Eram cinco catecúmenos ao todo, mas as duas mulheres se tornaram o centro da narrativa. O relato de seus martírios, o Martírio das Santas Perpétua e Felicidade, é um dos documentos mais comoventes da literatura cristã primitiva, isso porque boa parte dele foi escrito pela própria Perpétua durante o período de prisão.
Quando o pai de Perpétua tentou desesperadamente convencê-la a abdicar da fé para salvar a própria vida, ela respondeu com uma imagem simples e poderosa: assim como cada coisa tem seu nome e é inútil tentar mudá-lo, ela tinha o nome de cristã e não podia mudá-lo. Felicidade, por sua vez, estava preocupada com sua gravidez: a lei romana proibia a execução de mulheres grávidas, e ela temia que isso a separasse de suas irmãs na fé. Orou para dar à luz antes do martírio. E assim aconteceu no oitavo mês de gravidez, deu à luz uma menina que foi imediatamente adotada por uma irmã na fé. Na arena, quando os carcereiros zombaram dizendo que ela não seria capaz de suportar as feras se havia se queixado das dores do parto, Felicidade respondeu: “Agora meus sofrimentos são só meus. Mas quando tiver que enfrentar as bestas, haverá outro que viverá em mim, e sofrerá por mim, posto que eu estarei sofrendo por ele.” Uma escrava grávida, horas antes de morrer, articulando com clareza a doutrina da união com Cristo.
As duas morreram na arena. O relato termina com uma cena que resume a inversão de valores que o evangelho opera: quando o verdugo tremia e não conseguia ferir Perpétua de morte, ela tomou-lhe a mão e a dirigiu para que a ferisse na garganta. O comentário do redator é desconcertante: “Talvez o demônio a temesse tanto que não se atrevia a matá-la sem que ela o quisesse.” A vítima tinha mais poder do que seu carrasco.
Mas o pior ainda estava por vir. Em 249 d.C., o imperador Décio assumiu o poder com uma visão clara: Roma estava em decadência porque o povo havia abandonado os velhos deuses. Para restaurar a glória romana, era preciso restaurar o culto e assim, em junho de 250, Décio decretou que todos os habitantes do Império deveriam sacrificar aos deuses e obter um certificado de comprovação, o libellus. Um pequeno pedaço de papiro que significava a diferença entre a vida e a morte, entre a fidelidade e a apostasia. Arqueólogos encontraram esses certificados no Egito, e eles existem até hoje como prova material de que esta história aconteceu de verdade.
A genialidade perversa do edito de Décio estava no seu objetivo: não criar mártires e sim criar apóstatas. Décio havia lido Tertuliano e sabia que o sangue dos mártires atraía novos convertidos, então mudou de estratégia: em vez de matar, queria fazer os cristãos cederem. Se os líderes da Igreja abandonassem a fé publicamente, a mensagem seria devastadora. Fabiano, bispo de Roma, foi preso e executado. Para a maioria, a pressão era de outra natureza: torturas prolongadas, ameaças, negociações, promessas. A meta era a apostasia, não a morte.
E em parte funcionou. Walker registra que “grandes massas de cristãos se apressaram a sacrificar ou a comprar junto a oficiais amigáveis os libelli exigidos”. Alguns cederam imediatamente enquanto outros resistiram por algum tempo, mas sucumbiram sob tortura e ainda outros compraram certificados falsos sem ter sacrificado nada, eram os chamados libellatici. Mas muito permaneceram firmes até o fim. E surgiu então uma categoria nova na Igreja: os “confessores” aqueles que haviam resistido à pressão sem necessariamente morrer, suportando prisão e tortura, a perseguição havia separado joio de trigo.
Quando Décio morreu em 251, em batalha contra os godos, a perseguição arrefeceu. Mas a Igreja acordou diante de uma crise pastoral sem precedentes: o que fazer com os “caídos”? Com os que haviam cedido? Os que haviam comprado certificados falsos? Os que haviam sacrificado de verdade mas agora queriam voltar?
Três posições emergiram. Cipriano de Cartago defendia uma restauração lenta e disciplinada: os que haviam cedido poderiam retornar, mas somente após um período prolongado de penitência e com evidências genuínas de arrependimento. Os que haviam sacrificado de verdade só seriam readmitidos no leito de morte. Novaciano de Roma, por outro lado, era radical: a Igreja devia ser pura, e quem havia traído a fé jamais teria lugar nela novamente. Um terceiro grupo, ligado à autoridade dos confessores, queria restauração imediata, sem penitência.
A posição de Cipriano era a mais próxima da sabedoria bíblica. Ela reconhecia que cristãos genuínos podem fraquejar assim como Pedro negou a Cristo três vezes e foi restaurado. A diferença entre o que cede temporariamente e o apóstata definitivo está no arrependimento. Mas também reconhecia que a restauração não podia ser automática ou barata, pois isso esvaziaria o custo do discipulado. A crise dos “caídos” do século III foi, portanto, não apenas um episódio histórico, mas a ocasião em que a Igreja ocidental começou a pensar sistematicamente sobre disciplina, misericórdia e o que significa pertencer ao corpo de Cristo.
Romanos 8:35 pergunta: “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?” A perseguição de Décio mostrou que essa pergunta tinha consequências reais. E mostrou também que a resposta bíblica é tão pastoralmente complexa quanto teologicamente certa: nada pode separar os verdadeiros filhos de Deus, mas a fé genuína custará algo ao longo do caminho.
4. A Grande Perseguição e o Triunfo Final: Diocleciano a Constantino (303–313 d.C.)
Após as perseguições de Décio e Valeriano, a Igreja desfrutou de quase quarenta anos de relativa paz. Eram anos de crescimento silencioso e profundo. Walker registra que ao final desse período o número de cristãos no Império pode ter alcançado algo próximo a cinco milhões de pessoas, uma minoria significativa, distribuída em todas as regiões, penetrando as camadas sociais mais altas. Havia cristãos na equipe imperial. Havia cristãos no exército. A esposa e a filha do próprio imperador Diocleciano eram cristãs. A perseguição parecia coisa do passado.
Diocleciano era um gênio administrativo. Havia reorganizado o Império em uma estrutura chamada tetrarquia, quatro governantes dividindo o poder, dois com o título de augusto e dois com o título de césar, cada qual responsável por uma região. Essa divisão visava garantir estabilidade administrativa e sucessão pacífica ao trono. Dois dos quatro: Diocleciano no Oriente e Maximiano no Ocidente eram os auggstos superiores; abaixo deles, Galério sob Diocleciano e Constâncio Cloro sob Maximiano. Entre os quatro, era Galério o único que nutria uma inimizade profunda e explícita contra o cristianismo.
Os conflitos começaram no exército. Soldados cristãos recusavam-se a participar de cerimônias militares que envolviam sacrifício aos deuses. Galério convenceu Diocleciano de que isso representava um perigo para a moral das tropas, e assim, por volta de 295, cristãos no exército começaram a ser expulsos ou executados quando resistiam. Mas Diocleciano ainda relutava em ir além. Suas hesitações foram vencidas por Galério, que consultou o oráculo de Apolo, em Mileto, e obteve uma resposta desfavorável aos cristãos. Então, em fevereiro de 303 d.C., o primeiro edito foi publicado: os templos cristãos deveriam ser destruídos, os livros sagrados confiscados. O clero deveria ser preso e compelido a sacrificar.
O historiador cristão Eusébio de Cesaréia foi testemunha presencial daqueles dias. Em sua História Eclesiástica, descreve o que viu em Tiro e no Egito: igrejas incendiadas, bispos arrastados para as prisões, Escrituras entregues às chamas e por isso os que entregavam as Escrituras para evitar a morte receberam o nome depreciativo de traditores, “os que entregaram”, raiz da qual deriva a palavra “traidores”. Mas muitos outros escolheram diferente: morreram recusando-se a entregar os livros sagrados.
Eusébio também registra o testemunho escrito do mártir Fileas, bispo de Aumônia no Egito, sobre o que acontecia em Alexandria durante a perseguição: os cristãos eram submetidos a toda sorte de tormentos, e “os que combatiam na perseguição” tinham como único recurso a memória do exemplo de Cristo e a esperança da ressurreição. Nas pedreiras da Fenícia e do Egito, onde os condenados eram enviados a trabalhos forçados com um olho vazado e uma perna quebrada, as listas de mártires foram se tornando tão longas que, segundo Eusébio, “se requeriam vários parágrafos para mencionar àqueles cujos nomes nos chegaram”. Era a maior perseguição que a Igreja havia sofrido. E a mais brutal.
Então aconteceu algo que ninguém esperava. Galério o homem que havia iniciado a Grande Perseguição, que havia convencido Diocleciano a agir, que havia impulsionado a destruição das igrejas em todo o Oriente adoeceu gravemente. E no dia 30 de abril de 311, de seu leito de morte, publicou um edito de tolerância. O texto do edito, preservado por González em sua Era dos Mártires, é extraordinário: o próprio perseguidor confessa que os cristãos “não haviam retornado à convicção de seus antepassados” e que, portanto, estavam sendo impedidos de cultuar qualquer deus. Na conclusão, pede que os cristãos “roguem ao seu deus pelo nosso bem-estar”. O historiador Lactâncio registra que Galério morreu cinco dias depois. O perseguidor que havia tentado matar a Igreja implorou que a Igreja orasse por ele.
Galério morreu. E o Império ficou dividido entre quatro pretendentes ao trono: Licínio, Maximino Daza, Constantino e Maxêncio. No Oriente, Maximino Daza logo retomou as perseguições. No Ocidente, Constantino e Maxêncio travavam uma rivalidade crescente. Constantino era filho de Constâncio Cloro o único dos quatro governantes que havia amenizado a perseguição em seus territórios, limitando-se a destruir algumas igrejas sem exigir os livros ou as vidas. Havia em Constantino, portanto, uma disposição herdada de não hostilidade ao cristianismo, embora sua fé pessoal fosse, até aquele momento, o vago monoteísmo solar popular entre os soldados o culto ao Sol Invicto.
Em 312 d.C., Constantino tomou uma decisão militar que parecia insana: reuniu seu exército na Gália, atravessou os Alpes, e marchou sobre Roma território de Maxêncio, que tinha tropas superiores e estava protegido pelas muralhas da cidade. Mas na véspera da batalha decisiva, Constantino teve uma visão. Dois historiadores cristãos contemporâneos registraram o evento com detalhes ligeiramente diferentes: Lactâncio diz que em sonho Constantino recebeu a ordem de colocar um símbolo cristão nos escudos de seus soldados. Eusébio descreve uma visão nas nuvens a cruz luminosa com as palavras “vence nisto”. O que é certo historicamente é que Constantino ordenou que seus soldados usassem o símbolo Chi-Rho na batalha do dia seguinte as duas primeiras letras do nome de Cristo em grego, sobrepostas.
Maxêncio, consultando seus adivinhos, decidiu sair das muralhas de Roma e enfrentar Constantino no campo. Cruzou a Ponte Mílvio sobre o rio Tibre em uma ponte provisória construída sobre barcaças. Na batalha, foi derrotado, caiu no rio e se afogou. Constantino entrou triunfante em Roma e desta vez os costumeiros tributos de agradecimento aos deuses foram omitidos. O imperador havia associado sua vitória ao Deus dos cristãos.
Em 313 d.C., Constantino e Licínio reuniram-se em Milão e formalizaram um acordo que ficaria conhecido como o Edito de Milão. O texto garantia liberdade de consciência a todos os habitantes do Império e concedia ao cristianismo absoluta igualdade legal com os demais cultos. Além disso, ordenava a restituição de todas as propriedades eclesiásticas confiscadas durante a perseguição. Em dois séculos e meio de Nero a Constantino, a Igreja havia passado de minoria perseguida a parceira do poder imperial. O que o Império havia tentado destruir, havia terminado por abraçar.
González encerra sua narrativa com uma pergunta que nos interpela até hoje: o que aconteceria com aquelas pessoas que haviam se preparado para morrer pelas feras e que agora recebiam do imperador honra e prestígio? “Permaneceriam firmes em sua fé? Ou resultaria talvez que os que não haviam se deixado amedrontar pelas feras e torturas sucumbiriam diante das tentações da vida fácil e do prestígio social?” A perseguição havia terminado. Os novos perigos começavam.
Hebreus 11:39-40 conclui com uma frase que ilumina tudo isso: “todos esses, tendo sido aprovados mediante a fé, não receberam a promessa… para que sem nós não chegassem à perfeição.” Os mártires semearam com sangue o que outros colheriam com paz. A promessa não foi dada apenas a eles, foi dada à Igreja como corpo, ao longo das gerações. Nós somos parte dessa história.
CONCLUSÃO
Duzentos e cinquenta anos. De Nero a Constantino. De cristãos queimados como tochas nos jardins imperiais a um imperador que atribui sua vitória ao Deus dos cristãos. De Pedro crucificado de cabeça para baixo a basílicas construídas pelo poder imperial. De Escrituras queimadas a Escrituras copiadas e protegidas. Esta é a história que acabamos de percorrer — e é a história de Deus, não do Império.
Tertuliano, o grande apologista cristão do século II, escreveu uma frase que ecoa através dos séculos: “O sangue dos mártires é a semente dos cristãos.” Ele estava certo. Quanto mais o Império ceifava, mais a Igreja crescia. A perseguição não destruiu a fé — a purificou, a espalhou e a tornou irresistível. Porque quando as pessoas viam um Inácio marchar cantando para as feras, um Policarpo de oitenta e seis anos recusar-se a maldizer seu Senhor, uma Perpétua dirigir a mão trêmula de seu carrasco, uma Felicidade afirmar que havia “outro” sofrendo por ela na arena — percebiam que ali havia algo que o mundo não conseguia explicar. A morte desses homens e mulheres era, em si mesma, uma forma de pregação.
Hebreus 12:1 nos diz que estamos “rodeados de tão grande nuvem de testemunhas.” Essa nuvem tem nomes: Pedro, Paulo, Inácio, Policarpo, Blandina, Perpétua, Felicidade — e milhares de cujos nomes só o Livro da Vida guarda. Eles correram antes de nós. Eles semearam o que nós colhemos. O evangelho que chegou até você atravessou essa corrente de sangue e fidelidade.
Há implicações práticas que não podemos ignorar.
Primeiro: o sofrimento não nega a fé — pode ser sua expressão mais pura. Policarpo envelheceu oitenta e seis anos servindo a Cristo. A fidelidade não é um momento heroico — é a soma de décadas de obediência cotidiana. A questão não é como você se comportará diante das feras; é como você se comporta hoje, neste dia ordinário.
Segundo: a fé que não custa nada pode não valer muito. Os “caídos” do século III revelam que a perseguição é um revelador da autenticidade. Não para nos condenarmos uns aos outros, mas para nos examinarmos: “Você crê quando custa crer?”
Terceiro: somos devedores dos mártires. O evangelho chegou até você através de uma corrente de fidelidade. Nossa responsabilidade é receber essa herança com gratidão e transmiti-la às próximas gerações.
Quarto: a perseguição não é anormalidade cristã — é normalidade bíblica. “Todos os que quiserem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Timóteo 3:12). A questão não é se sofreremos por Cristo, mas quando e como responderemos.
E a palavra do Senhor às Igrejas perseguidas permanece como promessa para cada geração: “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.” (Apocalipse 2:10)
Esta semente chegou até você. O que você está fazendo com ela?
PERGUNTAS PARA DISCUSSÃO
1. Por que o Império Romano, tão tolerante com outras religiões, perseguiu especificamente o cristianismo? O que havia na fé cristã que era incompatível com a estrutura do Império? (Relacionar com o culto ao imperador e a exclusividade cristã.)
2. Inácio de Antioquia pediu que ninguém impedisse seu martírio. Policarpo se escondeu até ter certeza de que era a vontade de Deus ser preso. O Martírio de Policarpo condena os “espontâneos” que se entregavam voluntariamente. O que esses exemplos nos ensinam sobre a relação entre coragem cristã e prudência? Existe diferença entre buscar o martírio e aceitá-lo?
3. Hebreus 11:36-38 diz que os fiéis que sofreram eram pessoas “das quais o mundo não era digno.” Por que o autor diz isso? O que essa expressão revela sobre a perspectiva bíblica de quem realmente é grande diante de Deus?
4. Tertuliano disse: “O sangue dos mártires é a semente dos cristãos.” Como isso se verifica historicamente? O que isso revela sobre a estratégia de Deus na história?
5. Hebreus 12:1 fala que estamos “rodeados de tão grande nuvem de testemunhas.” Como a consciência de estar conectado a essa corrente histórica de fiéis pode fortalecer nossa própria fé hoje?
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- EUSÉBIO DE CESARÉIA. História Eclesiástica. Cesaréia, ca. 313–325 d.C. Livros II–VIII.
- GONZÁLEZ, Justo L. E até aos confins da terra: uma história ilustrada do cristianismo. Vol. 1: A Era dos Mártires. São Paulo: Edições Vida Nova, 1995.
- O’REILLY, A. J. Os Mártires do Coliseu. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2005.
- WALKER, Williston. História da Igreja Cristã. 886 páginas.
“Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.” — Apocalipse 2:10
Somente Cristo! Pr. Reginaldo Soares.
Leia também:
- LIÇÃO 01 – OS PRIMEIROS ANOS DO CRISTIANISMO
- COMO A IGREJA DEFINE O AMOR
- O QUE ACONTECE QUANDO OS MEMBROS NÃO REPRESENTAM JESUS?
- NEM CLUBE, NEM QUARTEL
- MEMBRESIA DA IGREJA: O QUE DIZ O NOVO TESTAMENTO

Meu chamado para o ministério pastoral veio em 1994, sendo encaminhado ao conselho da Igreja Presbiteriana (IPB) em Queimados e em seguida ao Presbitério de Queimados (PRQM). Iniciei meus estudos no ano seguinte, concluindo-os em 1999. A ordenação para o ministério pastoral veio em 25 de junho de 2000, quando assumi pastoreio na IPB Inconfidência (2000-2003) e da IPB Austin (2002-2003). Desde de 2004 tenho servido como pastor na Igreja Presbiteriana em Engenheiro Pedreira (IPEP), onde sigo conduzido esse amado rebanho pela graça de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Sou casado há 22 anos com Alexsandra, minha querida esposa, sou pai de Lisandra e Samantha, preciosas bênçãos de Deus em nossas vidas. Me formei no Seminário Teológico Presbiteriano Ashbel Green Simonton, no Rio de Janeiro, e consegui posteriormente a validação acadêmica pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Pela bondade de nosso Senhor, seguimos compartilhando fé, amor e buscando a cada dia crescimento espiritual. Somente Cristo!
