Salmo 62:1-2. “Somente em Deus a minha alma espera silenciosa; dele vem a minha salvação. Só ele é a minha rocha e a minha salvação, a minha fortaleza; não serei jamais abalado.”
O Ritmo Vital do Cristão
Será que você consegue medir quantas vezes respira por dia? Estima-se que um adulto respira aproximadamente de 20 mil vezes a 25 mil vezes por dia, um ritmo tão natural que raramente notamos. Inspiramos, expiramos o dia inteiro e todos os dias de nossa vida e se esse ritmo for interrompido, o pânico se instala imediato, pois todos sabem que o resultado disso é a morte. Davi conhecia um ritmo igualmente essencial: “Somente em Deus a minha alma espera silenciosa.” A palavra hebraica dumiyyah sugere não silêncio forçado, mas repouso confiante, a alma que respira na presença de Deus. Oração não é um ritual ocasional para emergências espirituais; é o fôlego constante da vida cristã. É derramar nossos corações diante de Deus em louvor, petição, confissão de pecado e ações de graças — o ritmo pelo qual vivemos, nos movemos e existimos nele.
“A oração é o principal exercício da fé. Pela oração exercitamos nossa fé, e pela fé prevalecemos na oração.”
— Jonathan Edwards, Pensamentos sobre o Reavivamento, Editora Vida Nova, 2018, p. 112.
Diante de Adversários Implacáveis
Davi escreveu o Salmo 62 cercado de inimigos — homens que “tramam destruir-me”, que “amam a mentira” (v. 3-4). Mas seus adversários visíveis apenas refletiam uma guerra mais profunda. Como todo cristão ao longo da história, ele enfrentava três opositores frequentes: o mundo, a carne e o diabo. Nossa estrutura espiritual é inconstante porque o pecado está arraigado no homem; a corrupção da natureza é a inimiga sempre presente; as tentações externas são sutis e poderosas. Não é de se admirar que as Escrituras nos ordenem: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação” (Mateus 26:41). Pois “o coração é enganoso, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto” (Jeremias 17:9). Guardar o coração com toda diligência (Provérbios 4:23) significa viver como se estivéssemos continuamente diante do trono da graça, não nos afastando dele sob nenhum pretexto. É possível permanecer frio, inerte, descuidado quando adversários implacáveis nos cercam?
“Oração é fraqueza inclinada em onipotência.”
— Charles Spurgeon, Lectures to My Students (Lições aos Meus Alunos), Editora Fiel, 2012, p. 45.
O Ritmo Quádruplo da Oração
Confissão — “Preciso de Ti”
“Somente em Deus”. Davi começa reconhecendo que não há outra fonte. Confissão não é apenas admitir pecados específicos; é reconhecer nossa necessidade radical e imutável. “Senhor, eu sou pecador. Não mereço tua ajuda, mas tenho necessidade de ti. Nada posso fazer sem ti” (João 15:5). Esse movimento combate o engano supremo do coração humano: confiar em si mesmo, ignorar o perigo, descuidar dos melhores interesses. Um senso de nossa própria fraqueza e insuficiência sempre deve habitar em nossa mente e aparecer em nossa conduta.
Petição — “Ajuda-me”
“Dele vem a minha salvação”. Não vem de nós, mas Deus. Petição transforma confissão em clamor, piedade real e profunda, não se trata de fazer orações genéricas, mas pedidos concretos nascidos de necessidades reais de corações que confim no Eterno Deus. “Senhor, preciso de memória, de articulação, do espírito certo, de humildade. Necessito de todas essas coisas.” Deus não precisa de nossas orações para saber nossas necessidades (Mateus 6:8), mas nós precisamos orar para reconhecer nossa dependência. Petição é o meio de andar pelo Espírito, o jeito de andar pela fé. “Quanto mais vemos a força de nossos adversários e o perigo com que nos ameaçam, mais devemos nos exercitar em fervorosa oração.”
Louvor — “Confio em Ti”
“Só ele é a minha rocha e a minha salvação, a minha fortaleza”. Davi não apenas pede; ele estende a mão as promessas de Deus. Louvor apropria-se da fidelidade divina com confiança. É dizer: “Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo” (Isaías 41:10). Louvor firma-se no caráter de Deus, em quem Ele é, seu poder, amor, misericórdia e declara: “Tu, ó Senhor, podes me ajudar. Confio em ti. Eu te louvo porque o Senhor é Deus disposto e capaz!” Então avançamos, confiando nele, descansando em sua suficiência mesmo antes de ver o resultado.
Gratidão — “Obrigado”
“Não serei jamais abalado”. Quando lemos os salmos de Davi, percebemos que esse pastor de ovelhas nunca confiava em sua própria estabilidade, sua fé estava claramente depositada Deus, ele é um homem firmado na rocha inabalável. A gratidão fecha o ciclo da oração. Quando Deus vem em nosso auxílio e Ele sempre vem, porque nunca nos manda embora de mãos vazias, mesmo que não da forma que esperávamos, só existe uma expressão possível de sair de nossos lábios: “Obrigado, Senhor!” Gratidão é fé em retrospectiva, reconhecendo a mão invisível de Deus, cuidando de nós e de tudo ao nosso redor, como resultado de seu plano perfeito de amor, misericórdia e salvação.
Vivendo Diante do Trono da Graça
Esses quatro movimentos: confissão, petição, louvor, gratidão, não são formam uma fórmula rígida, mas é um ritmo vital de alguém transformado pelo poder de Jesus Cristo. A oração é o fôlego da vida cristã o dia todo, todos os dias, é o modo como vivemos. A qualquer hora em que enfrentamos situações de sofrimento e dor, declaramos: “Preciso de ajuda aqui”. Não apenas nas grandes crises, mas nos desafios cotidianos: conversas difíceis, decisões pequenas, tentações sutis, medos escondidos. Davi sabia que viver realmente é viver em oração, curvando joelhos suplicantes com maior frequência, humildade e fervor. Nossa alma espera somente em Deus, silenciosa, confiante, dependente. E d’Ele, sempre d’Ele, vem nossa salvação.
E Agora, Como Viveremos?
Você precisa praticar:
Confissão: “Senhor, sou fraco nesta área. Não mereço tua ajuda, mas preciso de ti.”
Petição: “Ajuda-me especificamente com essa situação. Dá-me sabedoria, força, humildade.”
Louvor: “Tu és fiel. Tu és poderoso e eu confio em Ti e Te louvo mesmo antes de ver a manifestação do seu poder!”
Gratidão: “Obrigado, Senhor, por tua ajuda.”
Oremos
Senhor, confessamos que muitas vezes tentamos viver por conta própria e usamos a oração apenas em momentos de crise, esquecendo que ela é a nossa respiração espiritual e o caminho para a verdadeira vida. Tu és nossa rocha e fortaleza; ensina-nos a derramar nossa alma diante de Ti com sinceridade, alinhando nossa imperfeição ao Teu plano perfeito e dependendo da Tua graça em cada passo da nossa jornada. Que possamos caminhar em Tua companhia, sabendo que sem Ti nada podemos fazer, mas contigo estamos seguros e em paz. Amém.
Perguntas para Reflexão
- Sua vida de oração se parece mais com um evento ocasional ou com respiração contínua? O que precisa mudar?
- Dos quatro movimentos (confissão, petição, louvor, gratidão), qual você mais negligencia? Por quê?
- Como o reconhecimento de seus adversários espirituais (mundo, carne, diabo) deveria afetar a frequência e fervor de suas orações?
- O que significa para você “viver diante do trono da graça” como modo de vida, não apenas em emergências?
Somente Cristo! Pr. Reginaldo Soares.
Leia também:
- Fundamentos para um Novo Ano
- 2026 está em boas mãos
- Você não é cristão porque gosta de Jesus
- Você não é cristão se não nasceu de novo
- Você não é cristão só porque diz que é cristão
- NOVA CRIATURA: Evidência Visível de Transformação
- AS RESOLUÇÕES DE JONATHAN EDWARDS

Meu chamado para o ministério pastoral veio em 1994, sendo encaminhado ao conselho da Igreja Presbiteriana (IPB) em Queimados e em seguida ao Presbitério de Queimados (PRQM). Iniciei meus estudos no ano seguinte, concluindo-os em 1999. A ordenação para o ministério pastoral veio em 25 de junho de 2000, quando assumi pastoreio na IPB Inconfidência (2000-2003) e da IPB Austin (2002-2003). Desde de 2004 tenho servido como pastor na Igreja Presbiteriana em Engenheiro Pedreira (IPEP), onde sigo conduzido esse amado rebanho pela graça de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Sou casado há 22 anos com Alexsandra, minha querida esposa, sou pai de Lisandra e Samantha, preciosas bênçãos de Deus em nossas vidas. Me formei no Seminário Teológico Presbiteriano Ashbel Green Simonton, no Rio de Janeiro, e consegui posteriormente a validação acadêmica pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Pela bondade de nosso Senhor, seguimos compartilhando fé, amor e buscando a cada dia crescimento espiritual. Somente Cristo!

