1 Tessalonicenses 5:17-19. “Orem sem cessar. Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para com vocês. Não apaguem o Espírito.”
A Oração é a correção de rota
Como se ora sem cessar? Sempre que me via diante deste mandamento eu pensava nele como algo impossível, ninguém consegue viver de olhos fechados e joelhos dobrados 24 horas por dia. O que o apóstolo Paulo estaria nos orientando então? A expressão grega adialeiptōs sugere uma ação feita sem interrupções desnecessárias ou falhas, indicando regularidade e persistência, não necessariamente a cada segundo. É como os antigos timoneiros que observavam os ventos, o mar e os céus para manter no rumo o navio que insiste em se desviar. A oração contínua é reorientação permanente de nossa alma é ajustar diariamente a rota, momento a momento, para que nossos afetos não nos arrastem para longe de Deus. Agostinho entendeu isso em suas Confissões: “viver bem depende de reordenar nossos afetos.” E essa reordenação não acontece numa única oração pela manhã ou apressadamente orando antes do almoço; exige vigilância constante, comunhão ininterrupta com o Eterno que nos acompanha na jornada.
“A oração não é preparação para a obra; a oração é a obra. A oração não é preparação para a batalha; a oração é a batalha.”
— Oswald Chambers, Tudo para Ele, Editora Ultimato, 2008, p. 67.
Quando os Afetos Se Desalinham
Todos conhecemos pessoas que estão se tornando cada vez piores à medida que envelhecem, tornaram-se arrogantes, egocêntricas, feridas da alma que nunca fecham. As tormentas da vida atingirão a todos nós de uma forma ou de outra, a questão é como reagimos diante delas, muitas vezes respondemos com frustração, auto isolamento, tristeza, raiva. O salmista não escondeu esse conflito: “Laços de morte me envolveram, e angústias do inferno se apoderaram de mim” (Salmo 116:3). Ele não reprimiu sentimentos nem fingiu estar bem. Mas também não ao enfrentamento deles. Levou-os, com sinceridade desavergonhada, diante da presença de Deus: “Até quando, Senhor, te esquecerás de mim? Será para sempre? Até quando esconderás de mim o teu rosto?” (Salmo 13:1).
É justamente nos momentos agonizantes que descobrimos quão insignificante é nosso conhecimento sobre oração. Se não nos dedicarmos sincera e intensamente a uma vida de oração, não sobreviveremos quando atravessarmos o vale da sombra da morte. Amar qualquer coisa mais que Deus torna a alma bruta, incapaz de sentir e apreender. Definitivamente nos faz pessoas piores com o tempo.
“Oração é fraqueza apoiando-se em onipotência, ignorância buscando infinita sabedoria, necessidade pedindo provisão inesgotável.”
— Charles Spurgeon, Lectures to My Students (Lições aos Meus Alunos), Editora Fiel, 2012, p. 56.
Orar Não Muda Deus, Nos Muda
Você pode se perguntar: vale mesmo a pena orar? Deus não depende de nossa oração para saber o que precisamos. Ele não mudará seu eterno decreto para nos agradar. Então por que gastar-se em oração? Porque nossas orações não mudam Deus, mas nos mudam. Deus não precisa de nossas orações, mas nós precisamos desesperadamente orar. Nossas orações fazem com que nossa alma imperfeita se alinhe com o Deus perfeito.
O Salmo 37 orienta: “Não te indignes… Confia no Senhor… Agrada-te do Senhor… Entrega o teu caminho ao Senhor… Descansa no Senhor e espera nele… Deixa a ira, abandona o furor” (vv. 1-8). São orientações sobre a guerra interna para que nossa alma esteja em sintonia com o Senhor. Assim, somos capacitados por Deus para ouvir seu “sim” e seu “não”. O Deus imutável continua o mesmo, mas nós já não somos os mesmos devido à caminhada de oração, o Eterno está nos fazendo pessoas melhores a cada dia.
Peregrinando com Deus em Comunhão
Orar é perceber que estamos fazendo a jornada na companhia do Eterno, não é uma experiência solitária. D’Ele nada pode ser escondido e aí o milagre acontece: peregrinando com Deus em oração, ou seja, fazendo a viagem da vida tendo muita coisa mas podendo se desligar de tudo, com pouca bagagem e na companhia do Deus invisível mas pessoal e amoroso, vamos desenvolvendo visão mais perfeita de nós mesmos, do que está ao nosso redor e dos acidentes da estrada. A proximidade de Deus lança luz sobre tudo e todos. A vida de oração, de comunhão com Cristo, é a chave para tudo que precisamos saber, fazer e ser.
Daniel “três vezes por dia se ajoelhava e orava, agradecendo ao seu Deus, como costumava fazer” (Daniel 6:10). Ana, “com a alma amargurada… estava derramando minha alma diante do Senhor” (1 Samuel 1:10,15). Não orações mecânicas, mas sinceras, intensas, reflexos de desejo profundo que clama por conhecer a Deus.
“Não podemos viver sem oração assim como não podemos viver sem respirar. A oração é o oxigênio da alma.”
— Andrew Murray, Com Cristo na Escola de Oração, Editora Betânia, 2003, p. 23.
Orando Por Transformação, Não Apenas Benefícios
Paulo orava constantemente pela igreja, mas observe o cerne de suas orações: não por benefícios que Cristo pode dar, mas em quem Ele pode nos transformar. Ele orava por “fé em Jesus Cristo, amor para com o próximo, espírito de sabedoria, olhos do coração iluminados, fortalecimento no íntimo, que Cristo habite em nossos corações, que sejamos arraigados em amor, cheios de toda a plenitude de Deus” (Efésios 1:17-23; 3:16-21).
Não se tratava de a igreja receber benefícios, mas de ser capacitada por Deus a tornar-se comunidade melhor aos olhos do Senhor. “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas” (Mateus 6:33). Oração contínua reorienta prioridades do que queremos para quem queremos ser em Cristo Jesus.
Não Apagar o Espírito
“Não apaguem o Espírito” (v. 19) está diretamente ligado a “orem sem cessar.” Como apagamos o Espírito? Negligenciando a oração. Permitindo que afetos desordenados nos controlem. Deixando de processar sentimentos e pensamentos destrutivos na presença de Deus. O Espírito é como fogo — precisa de combustível (a Palavra) e oxigênio (a oração). Sem oração contínua, o fogo se apaga. A alma esfria. Nos tornamos pessoas piores.
“A maior tragédia de uma igreja não é a falta de membros, mas a falta de oração. Podemos ter tudo menos o Espírito Santo e ter nada.”
— Leonard Ravenhill, Por Que Tarda o Pleno Avivamento?, Editora Betânia, 1994, p. 45.
O Timoneiro Vigilante
O timoneiro é a pessoa que dirige o leme da embarcação, o responsável por conduzir o barco conforme as ordens do capitão, a medida que o mar e os ventos forçam suavemente o barco em outra direção o timoneiro segue as ordens e mantém o barco no rumo certo. Orar sem cessar não é técnica mística inacessível; é vigilância realista. Dá mesma forma oramos continuamente porque nossa alma insiste em se desalinhar, então não perdemos o Criador de vista, seguimos olhando para a eternidade para orientar a vida nesta caminhada temporária. E descobrimos que “chegar à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo” (Efésios 4:13) não acontece através de esforço heroico isolado, mas através de comunhão ininterrupta com aquele que nos faz crescer.
E Agora, Como Viveremos?
Pare de pensar e se comportar como que tem momentos com Deus e viva todos os dias como quem está o tempo todo diante de sua glória. Que Jesus Cristo seja o companheiro presente em todos os momentos da caminhada e não alguém que você procura quando a vida se torna complicada.
Oremos
Senhor, confessamos que nossa tendência é orar sem constância. Oramos quando conveniente, quando desesperados, mas negligenciamos a reorientação contínua que nossa alma exige. Que possamos nos deleitar na jornada porque o tempo todo estamos em sua companhia. Desenvolve em nós uma visão mais perfeita de nós mesmos, do que está ao nosso redor e dos desafios da estrada. E faze-nos pessoas melhores a cada dia — não pela força de vontade, mas pela proximidade contínua de ti. Que tua presença lance luz sobre tudo. Que a oração seja o oxigênio de nossa alma. Em nome de Jesus, caminho verdade e vida. Amém.
Perguntas para Reflexão
- Como você reage diante das tormentas da vida — com oração ou com frustração, isolamento e raiva?
- Você está se tornando pessoa melhor ou pior com o passar do tempo? O que a resposta revela sobre sua vida de oração?
- O que significa para você “reordenar seus afetos” através da oração? Que afetos desordenados você precisa processar com Deus hoje?
- Suas orações focam mais em benefícios que Cristo pode te dar ou em quem Ele pode te transformar?
- Como praticar “oração sem cessar” em sua rotina — trabalho, família, compromissos?
Somente Cristo! Pr. Reginaldo Soares.
Leia também:
- O que é Oração?
- Fundamentos para um Novo Ano
- 2026 está em boas mãos
- Você não é cristão porque gosta de Jesus
- Você não é cristão se não nasceu de novo
- Você não é cristão só porque diz que é cristão
- NOVA CRIATURA: Evidência Visível de Transformação
- AS RESOLUÇÕES DE JONATHAN EDWARDS

Meu chamado para o ministério pastoral veio em 1994, sendo encaminhado ao conselho da Igreja Presbiteriana (IPB) em Queimados e em seguida ao Presbitério de Queimados (PRQM). Iniciei meus estudos no ano seguinte, concluindo-os em 1999. A ordenação para o ministério pastoral veio em 25 de junho de 2000, quando assumi pastoreio na IPB Inconfidência (2000-2003) e da IPB Austin (2002-2003). Desde de 2004 tenho servido como pastor na Igreja Presbiteriana em Engenheiro Pedreira (IPEP), onde sigo conduzido esse amado rebanho pela graça de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Sou casado há 22 anos com Alexsandra, minha querida esposa, sou pai de Lisandra e Samantha, preciosas bênçãos de Deus em nossas vidas. Me formei no Seminário Teológico Presbiteriano Ashbel Green Simonton, no Rio de Janeiro, e consegui posteriormente a validação acadêmica pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Pela bondade de nosso Senhor, seguimos compartilhando fé, amor e buscando a cada dia crescimento espiritual. Somente Cristo!

