1 Pedro 2:9. “Mas vós sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.”
Entre Ruínas e Renovação – O Diagnóstico de Uma Igreja em Crise
Vivemos tempos de perplexidade nacional onde a Igreja evangélica brasileira enfrenta uma encruzilhada histórica. Representando um terço da população, paradoxalmente parece perder terreno na guerra cultural sobre valores fundamentais. A corrupção sistêmica corrói instituições, enquanto a própria Igreja vê sua credibilidade questionada por alianças políticas controversas e por distorções teológicas dás, mas diversas mancham o seu testemunho público.
Contudo, crises frequentemente precedem renovações. Quando estruturas humanas desmoronam, Deus convida Sua Igreja a redescobrir sua identidade essencial. Não como instituição política ou econômica, mas como comunidade profética chamada para proclamar esperança eterna em meio ao caos temporal.
O liberalismo teológico esvazia púlpitos do verdadeiro Evangelho, enquanto extremos neopentecostais comprometem a integridade ministerial. Muitos crentes abandonam denominações tradicionais, buscando alternativas que, embora possam representar renovação, também arriscam desprezar estruturas bíblicas de autoridade e disciplina.
“A Igreja, quando fiel à sua vocação, não é uma instituição que busca poder temporal, mas uma comunidade profética que anuncia o Reino de Deus como alternativa radical às estruturas corrompidas deste mundo.” Dietrich Bonhoeffer, Ética, Editora Sinodal, 2018, p. 134.
Recuperando a Voz Profética em Meio ao Silêncio
A Igreja perdeu seu discurso público porque confundiu proclamação profética com militância partidária. Quando se alia incondicionalmente à esquerda ou direita, compromete sua capacidade de julgar ambas à luz das Escrituras. Portanto, qual o papel da igreja numa democracia corroída pela desonestidade? Ser sal e luz, não partido político.
A autoridade profética não vem de números ou influência, mas da fidelidade à Palavra de Deus. Isaías profetizou para uma nação rebelde; Jeremias chorou sobre Jerusalém corrupta; João Batista denunciou tanto fariseus quanto saduceus. Assim, a Igreja deve recuperar sua voz independente, criticamente profética, que confronta pecado em qualquer espectro ideológico.
Entretanto, essa voz profética deve ser acompanhada de humildade genuína. A Igreja que proclama santidade deve primeiro examinar suas próprias falhas. Não podemos denunciar corrupção externa enquanto toleramos ganância interna, nem criticar desonestidade política enquanto praticamos manipulação espiritual.
“A história mostra que a Igreja sempre foi mais eficaz quando manteve distância crítica do poder temporal, preservando assim sua capacidade de falar verdade tanto aos governantes quanto aos governados.” Justo L. González, História do Cristianismo, Editora Vida Nova, 2011, p. 267.
Simplicidade Versus Estrutura – O Desafio da Renovação
O movimento de crentes que abandonam denominações tradicionais revela tanto oportunidades quanto perigos. Por um lado, pode representar retorno à simplicidade apostólica, liberando a Igreja de burocracias sufocantes e formalismos vazios. Por outro, arrisca descartar estruturas bíblicas essenciais como liderança espiritual, disciplina corretiva e responsabilidade mútua.
A verdadeira renovação não elimina autoridade espiritual, mas a purifica. Não dispensa contribuições financeiras, mas as santifica. Não abandona disciplina, mas a restaura em amor. Assim, a busca por autenticidade deve ser acompanhada de compromisso com princípios bíblicos fundamentais sobre eclesiologia1.
Ademais, essa renovação oferece oportunidade única para redescobrir a missão central da Igreja: pregar o “simples e puro Evangelho de Cristo a pessoas de todas as tribos, línguas e nações.” Quando estruturas secundárias desmoronam, o essencial se torna mais visível. Qual o papel da igreja? Proclamar Cristo crucificado e ressuscitado como única esperança de transformação pessoal e social.
“O mundo não precisa de uma Igreja que ecoe seus próprios gritos de desespero, mas de uma que proclame a esperança que transcende as circunstâncias temporais. Nossa força não está em números ou influência política, mas na fidelidade à mensagem que nos foi confiada.” Gabriel García Márquez, Viver para Contar, Editora Record, 2003, p. 89.
Oportunidade Disfarçada de Crise
Paradoxalmente, a aparente derrota da Igreja na arena cultural pode ser sua maior oportunidade de renovação espiritual. Quando não podemos mais confiar em números, influência ou alianças políticas, somos forçados a redescobrir nossa dependência de Deus e nossa identidade como o povo peregrino.
A verdadeira missão da igreja: é ser a comunidade que transborda os valores do Reino através de vidas genuinamente transformadas. Portanto, qual o papel da igreja? Ser sinal do Reino vindouro, não cópias mal feitas dos deformados reinos do presente.
Esta crise nos convida a reexaminar nossas prioridades missionais. Em vez de buscar domínio cultural, devemos focar na formação de discípulos autênticos que impactem a sociedade através de integridade pessoal, serviço sacrificial e testemunho corajoso. A transformação social genuína sempre começa com transformação pessoal.
E Agora, Como Viveremos?
Primeiro, reconheça que o papel da igreja não é conquistar poder político, mas exercer influência profética. Cultive distância crítica de todos os partidos, mantendo fidelidade exclusiva ao Evangelho.
Segundo, busque renovação por meio da simplicidade bíblica e jamais abandone seus princípios. Participe de comunidades que equilibrem autenticidade relacional com estruturas bíblicas saudáveis.
Terceiro, invista na formação de caráter cristão genuíno. Em tempos de corrupção sistêmica, o testemunho de integridade pessoal se torna uma poderosa declaração profética.
Quarto, foque na proclamação clara do Evangelho. Quando discursos complexos falham, a mensagem simples de salvação em Cristo permanece relevante e transformadora.
Finalmente, cultive esperança escatológica sólida. Nossa confiança está na certeza de que Jesus Cristo edificará Sua Igreja e estabelecerá Seu Reino. Portanto, trabalhamos com esforço e dedicação, mas descansamos na soberania divina.
Oremos
Senhor, em tempos de crise nacional, renova Tua Igreja. Dá-nos sabedoria para distinguir entre nossa missão profética e ambições temporais. Purifica nosso testemunho, restaura nossa credibilidade e usa-nos como instrumentos de Tua paz. Que sejamos sal e luz numa geração perversa. Em nome de Jesus, amém.
Perguntas para Reflexão
- Como posso manter fidelidade bíblica sem me tornar partidário politicamente, exercendo influência profética genuína em minha comunidade?
- Que aspectos da renovação eclesiológica contemporânea devo abraçar e quais devo rejeitar, baseando-me nas Escrituras?
- De que maneiras práticas posso contribuir para restaurar a credibilidade pública da Igreja através do meu testemunho pessoal?
Somente Cristo! Pr. Reginaldo Soares.
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- Eclesiologia é o estudo da Igreja. Pense nela como a teologia que se dedica a entender o que a Igreja é, por que ela existe e como deve funcionar. A eclesiologia examina as origens da Igreja, sua natureza (como corpo de Cristo), sua missão no mundo (evangelizar e servir), sua estrutura e organização (governo eclesiástico) e os sacramentos que ela celebra (batismo e Ceia do Senhor). Em resumo, é a doutrina que nos ajuda a responder a perguntas fundamentais como: “O que é a Igreja?” e “Qual é o seu papel no plano de Deus?”. ↩︎

Meu chamado para o ministério pastoral veio em 1994, sendo encaminhado ao conselho da Igreja Presbiteriana (IPB) em Queimados e em seguida ao Presbitério de Queimados (PRQM). Iniciei meus estudos no ano seguinte, concluindo-os em 1999. A ordenação para o ministério pastoral veio em 25 de junho de 2000, quando assumi pastoreio na IPB Inconfidência (2000-2003) e da IPB Austin (2002-2003). Desde de 2004 tenho servido como pastor na Igreja Presbiteriana em Engenheiro Pedreira (IPEP), onde sigo conduzido esse amado rebanho pela graça de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Sou casado há 22 anos com Alexsandra, minha querida esposa, sou pai de Lisandra e Samantha, preciosas bênçãos de Deus em nossas vidas. Me formei no Seminário Teológico Presbiteriano Ashbel Green Simonton, no Rio de Janeiro, e consegui posteriormente a validação acadêmica pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Pela bondade de nosso Senhor, seguimos compartilhando fé, amor e buscando a cada dia crescimento espiritual. Somente Cristo!