1 Tessalonicenses 4.13. “Irmãos, não queremos que vocês ignorem a verdade a respeito dos que dormem, para que não fiquem tristes como os demais, que não têm esperança.”
Margarida Porete nasceu por volta de 1250, em Hainault, região situada no sudeste da atual Bélgica, num período de intensa efervescência religiosa na Europa medieval. Fez parte do movimento das beguinas, comunidades de mulheres que viviam em piedade e simplicidade sem pronunciar votos monásticos definitivos, mas Margarida seguiu um caminho ainda mais singular: tornou-se uma andarilha itinerante, levando suas reflexões espirituais de cidade em cidade. Tudo indica que era uma mulher culta e de nascimento nobre, capaz de escrever com propriedade sobre os sentimentos refinados da aristocracia de seu tempo. Dominava diversos idiomas e mantinha correspondência com membros do clero, com quem compartilhava as visões que nasciam de sua intensa vida contemplativa.
Foi dessa experiência interior que nasceu sua obra mais conhecida e também mais controversa: O Espelho das Almas Simples e Aniquiladas, um longo poema teológico no qual expunha sua compreensão sobre a jornada da alma rumo a Deus. O texto foi considerado herético pelas autoridades eclesiásticas, queimado publicamente e proibido de circular. Ainda assim, Margarida não recuou. Continuou viajando e apresentando suas ideias a teólogos, defendendo a distinção que fazia entre o que chamava de “pequena igreja”, a instituição visível governada pela razão e pelas normas humanas, e a “grande igreja”, formada por almas livres e simples, unidas a Deus pelo amor.
Sua insistência em sustentar aquilo por que já havia sido condenada levou-a a ser classificada como herege, a mais grave das acusações da Inquisição, reservada a quem reincidia numa condenação anterior. Presa e pressionada repetidamente a renegar seus escritos, Margarida recusou-se a fazê-lo. Durante todo o longo processo de julgamento, optou pelo silêncio, não pronunciando uma só palavra em sua própria defesa perante o tribunal. Essa postura serena diante da acusação impressionou profundamente os que testemunharam o processo.
Em 1310, Margarida foi conduzida à fogueira em Paris. Relatos da época descrevem que sua conduta no caminho ao palanque foi de tal nobreza e serenidade que muitos dos presentes, mesmo sem compartilhar suas convicções teológicas, se comoveram até as lágrimas. Sua morte, longe de silenciar suas ideias, fez com que muitos passassem a se interessar por seus ensinamentos. Margarida não apenas escreveu e pregou o que acreditava: viveu, até o último instante, como uma alma simples e temente a Deus, provando que era possível enfrentar a morte com dignidade quando a fé sustenta o coração.
Paulo escreve aos tessalonicenses para que não vivam a experiência da morte como quem não tem esperança. Essa é precisamente a diferença que separa a serenidade de Margarida diante do fogo do desespero comum diante do fim da vida. Quem crê na ressurreição não encara a morte como ponto final, mas como passagem. A coragem de Margarida diante do tribunal e da fogueira não nasceu de indiferença à dor, mas de uma convicção mais profunda: a de que sua alma pertencia a Deus, e nada que os homens fizessem ao seu corpo poderia alterar esse destino eterno.
Talvez você não enfrente um tribunal, mas certamente já sentiu o peso do medo diante do sofrimento ou da perda. A vida de Margarida lembra que a esperança cristã não elimina a dor, mas sustenta quem crê mesmo em meio às piores circunstâncias. Viver sem temer a morte é possível quando a certeza da eternidade com Deus é maior do que qualquer ameaça terrena.
Orenos. Senhor, “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo”. Dá-me a coragem serena diante das provações e fortalece minha esperança na eternidade. Amém.
Somente Cristo! Pr. Reginaldo Soares.
UL TIMAS POSTAGENS

Meu chamado para o ministério pastoral veio em 1994, sendo encaminhado ao conselho da Igreja Presbiteriana (IPB) em Queimados e em seguida ao Presbitério de Queimados (PRQM). Iniciei meus estudos no ano seguinte, concluindo-os em 1999. A ordenação para o ministério pastoral veio em 25 de junho de 2000, quando assumi pastoreio na IPB Inconfidência (2000-2003) e da IPB Austin (2002-2003). Desde de 2004 tenho servido como pastor na Igreja Presbiteriana em Engenheiro Pedreira (IPEP), onde sigo conduzido esse amado rebanho pela graça de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Sou casado há 22 anos com Alexsandra, minha querida esposa, sou pai de Lisandra e Samantha, preciosas bênçãos de Deus em nossas vidas. Me formei no Seminário Teológico Presbiteriano Ashbel Green Simonton, no Rio de Janeiro, e consegui posteriormente a validação acadêmica pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Pela bondade de nosso Senhor, seguimos compartilhando fé, amor e buscando a cada dia crescimento espiritual. Somente Cristo!





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