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Bíblia, História da Igreja  e Teologia Reformada.

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Descubra a glória da expiação limitada: Cristo morreu eficazmente por Seu povo. Uma verdade que magnifica a cruz e garante nossa salvação.

EXPIAÇÃO LIMITADA – Lição 03

Posted on 31 de agosto de 202531 de agosto de 2025 By Reginaldo Nenhum comentário em EXPIAÇÃO LIMITADA – Lição 03

Texto Basico: João 10:11,14-15 (NAA).“Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. […] Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido. Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas.”

Texto Áureo: Mateus 1:21 (NAA). “Ela dará à luz um filho e você porá nele o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles.”

Textos Relacionados:

  1. João 6:37-39. “Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.”
  2. Isaías 53:11-12. “Ele verá o fruto do trabalho de sua alma e ficará satisfeito. O meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento justificará a muitos porque as iniquidades deles levará sobre si. Por isso, eu lhe darei a sua parte com os grandes, e com os poderosos ele repartirá o despojo, pois derramou a sua alma na morte e foi contado com os transgressores. Contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu.”
  3. Romanos 8:32-34. “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?”
  4. Mateus 20:28. “Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos.”
  5. Apocalipse 5:9. “E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue nos compraste para Deus de toda a tribo, e língua, e povo, e nação.”
  6. Tito 2:14. “O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras.”
  7. 1 Pedro 2:24. “Levando Ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados.”

EXPLICAÇÃO DO TEXTO

A parábola do Bom Pastor permanece como uma das mais belas e profundas revelações sobre a natureza salvífica de Cristo. No entanto, interpretações superficiais ou sentimentalizadas podem obscurecer a riqueza teológica e pastoral deste texto. Como nos alertou o próprio Cristo ao confrontar Satanás no deserto (Mateus 4:1-11), uma leitura que distorce o sentido original das Escrituras pode desvirtuar completamente a mensagem divina. Nossa responsabilidade diante da Palavra exige que mergulhemos nas profundezas desta metáfora pastoral com reverência exegética e coração disposto à transformação.

Contexto Histórico e Bíblico

João 10:11-18 emerge no contexto imediato da cura do cego de nascença (João 9) e da subsequente expulsão do homem curado pelos fariseus da sinagoga. Jesus pronuncia estas palavras como resposta direta à crueldade pastoral dos líderes religiosos que, ao invés de apascentarem o rebanho de Deus, o dispersavam e feriam. O evangelista João, escrevendo entre 85-95 d.C. para uma comunidade predominantemente gentílica, mas com forte base judaica, articula esta perícope como parte de sua estratégia teológica mais ampla: demonstrar que Jesus é o cumprimento das promessas messiânicas do Antigo Testamento, especialmente as profecias pastorais de Ezequiel 34 e Zacarias 11.

A Judeia, região montanhosa e inadequada para agricultura extensiva, dependia fortemente da pecuária. Os rebanhos de ovelhas pontilhavam a paisagem, tornando a metáfora do pastor não apenas compreensível, mas visceralmente real para os ouvintes originais.

Termos Relevantes no Texto

O adjetivo (kalós) traduzido como “bom” carrega densidade semântica que transcende nossa compreensão moderna da palavra. Diferentemente de (agathós), que denota bondade moral, kalós evoca excelência, nobreza, beleza moral e dignidade intrínseca. Jesus não é meramente um pastor bondoso, mas o Pastor por excelência, o Pastor ideal, maravilhoso em caráter e incomparável em sua categoria.

A expressão (tēn psychēn autou tithēsin) – “dá a sua vida/alma”, merece atenção especial. João deliberadamente escolhe (psychē) ao invés de (bios) ou (zōē). Isto sugere não apenas o ato de morrer, mas o empenho total da personalidade, o engajamento completo do ser em favor das ovelhas. O Pastor não apenas morre pelas ovelhas; ele empenha toda a sua existência em benefício delas.

Expressões Relevantes no Texto

A frase (hyper tōn probatōn) – “pelas ovelhas”, aparece repetidamente (vv. 11, 15) com força sacrificial inequívoca. Em João, esta preposição sempre ocorre em contextos de sacrifício substitutivo. Não se trata de morte exemplar ou meramente inspiracional, mas de morte vicária – o Pastor morre em lugar das ovelhas, absorvendo o perigo mortal que as ameaçava.

A promessa (akousousin tēs phōnēs mou) – “ouvirão a minha voz”, revela a eficácia da chamada divina. O futuro indicativo expressa certeza: as ovelhas dispersas não meramente poderão ouvir, mas ouvirão com absoluta garantia.

Aspectos Históricos e Geográficos Relevantes

O pastoreio na Palestina do primeiro século exigia coragem física e vigilância constante. Pastores enfrentavam lobos, ursos, leões e salteadores. O trabalho era árduo, perigoso e socialmente desprestigiado. Esta realidade ilumina a radicalidade da metáfora: o Messias se identifica com os marginalizados sociais, assumindo uma profissão considerada indigna pela elite religiosa.

Os apriscos (aulē) eram estruturas comunais onde múltiplos rebanhos passavam a noite sob supervisão de porteiros. Pela manhã, cada pastor chamava suas ovelhas pelo nome, e elas, reconhecendo sua voz distintiva, o seguiam. Esta prática concreta fundamenta a intimidade pessoal entre Cristo e seus eleitos.

Contexto Literário e Canônico

A perícope forma um díptico com João 10:1-10, onde Jesus se apresenta como a Porta das ovelhas. Juntos, os textos formam uma unidade teológica que contrasta Jesus com os falsos líderes de Israel. O capítulo 10 serve como ponte entre a controvérsia do capítulo 9 e a ressurreição de Lázaro no capítulo 11, demonstrando progressivamente que Jesus é tanto a vida quanto aquele que dá vida.

Canonicamente, esta passagem dialoga intensamente com os Salmos 22-24, que apresentam o Messias como Pastor que sofre (Sl 22), Pastor que apascenta (Sl 23) e Pastor que reina (Sl 24). Hebreus 13:20 ecoa este texto ao chamar Jesus de “grande Pastor”, enquanto 1 Pedro 5:4 antecipa sua manifestação como “supremo Pastor”.

Sentido Original e Destinatários

Para os primeiros leitores, majoritariamente judeus familiarizados com as profecias de Ezequiel 34 sobre Deus se tornando o Pastor de Israel, estas palavras carregavam poder revolucionário. Jesus não apenas reivindica ser um bom pastor, mas o Pastor prometido, aquele que cumpre definitivamente as expectativas messiânicas.

A audiência original reconheceria o contraste implícito com os líderes religiosos contemporâneos – os fariseus que acabavam de expulsar o cego curado. Enquanto estes “mercenários” dispersavam o rebanho, Jesus se apresenta como aquele que genuinamente se importa com as ovelhas, mesmo ao ponto de sacrificar-se por elas.

Teologia Bíblica e Reformada do Texto

Esta passagem pulsa no coração da soteriologia reformada. A morte de Cristo não é meramente possibilitadora da salvação, mas realmente eficaz para suas ovelhas específicas. O Pastor não morre genericamente “pelo mundo”, mas especificamente “pelas ovelhas” – aquelas que o Pai lhe deu (cf. João 6:37-39).

A doutrina da eleição encontra aqui uma de suas expressões mais ternas. As “outras ovelhas” (v. 16) representam os gentios escolhidos desde a eternidade, que ouvirão irresistivelmente a voz do Pastor através da pregação do evangelho. A reforma protestante viu neste texto a garantia da perseverança dos santos: as ovelhas de Cristo jamais se perdem porque pertencem àquele que voluntariamente deu sua vida por elas.

Aspectos Sociais e Culturais

Na sociedade judaica do primeiro século, pastores ocupavam o degrau mais baixo da escada social. Considerados ritualmente impuros devido ao contato constante com animais e impossibilitados de participar plenamente da vida religiosa, eram marginalizados e desprezados. Que o Messias se identifique com esta classe social revela a natureza revolucionária do evangelho: Deus escolhe o que é desprezado pelo mundo para confundir os sábios.

O contraste com o “mercenário” (misthōtos) ressalta uma realidade econômica familiar: trabalhadores contratados não tinham o mesmo investimento emocional que os proprietários. Esta distinção ilumina a diferença entre liderança genuína e meramente profissional na vida da igreja.

Mensagem Pastoral para a Atualidade

Em um mundo onde líderes frequentemente exploram ao invés de servir, onde mercenários abundam e verdadeiros pastores escasseiam, Jesus se apresenta como o antídoto divino para nossa carência pastoral. Ele não é apenas mais um líder religioso competindo por nossa atenção; ele é o Pastor – nobre, digno, incomparável.

Sua grandeza não se manifesta em pompa ou poder mundano, mas no sacrifício supremo. Enquanto mercenários fogem quando o perigo se aproxima, nosso Pastor caminha deliberadamente em direção à cruz. Sua morte não foi acidental, mas voluntária; não foi derrota, mas vitória; não foi o fim, mas o cumprimento de sua missão pastoral.

Para os que lutam com a segurança de sua salvação, este texto oferece âncora inabalável: vocês são conhecidos intimamente pelo Pastor. Ele os chama pelo nome, e vocês reconhecem sua voz porque esta intimidade espelha o conhecimento mútuo entre o Pai e o Filho. Não temam – quem está nas mãos do Bom Pastor jamais se perderá.

Para os que se sentem perdidos ou dispersos, lembrem-se: Cristo tem “outras ovelhas” espalhadas por todo o mundo. Sua voz ressoa através do evangelho, chamando-os irresistivelmente ao aprisco da graça. O rebanho ainda não está completo – talvez você seja uma dessas ovelhas por quem ele deu sua vida.

Para líderes na igreja, este texto serve como espelho e desafio: somos pastores ou mercenários? Nosso ministério é motivado pelo amor genuíno às ovelhas ou por ganho pessoal? O modelo de Jesus nos convoca a liderança sacrificial, não dominadora.

Que possamos encontrar em Jesus não apenas exemplo a seguir, mas Salvador a adorar. Pois ele não apenas nos mostra como pastorear – ele próprio nos apascenta, nos protege, nos conhece e nos ama com amor eterno. Nele encontramos não apenas vida, mas vida abundante, não apenas proteção, mas intimidade eterna com Deus.

Introdução

No verão de 1942, durante os horrores da Segunda Guerra Mundial, um jovem franciscano polaco chamado Maksymilian Kolbe encontrava-se preso no campo de concentração de Auschwitz. Quando um prisioneiro fugiu, os nazistas escolheram dez homens para morrer de fome como castigo coletivo. Entre os escolhidos estava Franciszek Gajowniczek, um sargento polonês que gritou desesperadamente: “Minha esposa! Meus filhos!” Naquele momento dramático, o padre Kolbe se adiantou e disse ao comandante: “Eu sou padre católico da Polônia. Gostaria de tomar o lugar deste homem, porque ele tem esposa e filhos, e eu não tenho ninguém.” Os guardas aceitaram a troca, e Kolbe morreu no bunker da fome duas semanas depois, oferecendo sua vida especificamente por Gajowniczek.

Esta história comovente ilustra algo profundo sobre a natureza do sacrifício verdadeiro: ele é sempre específico, intencional e eficaz. Kolbe não morreu genericamente “por toda a humanidade”, mas concretamente por um homem em particular, garantindo assim a vida daquele pelo qual se entregou. Da mesma forma, quando contemplamos a obra redentora de Cristo na cruz, descobrimos que Ele não ofereceu um sacrifício genérico e potencial, mas uma expiação específica e eficaz pelos Seus escolhidos.

A doutrina da expiação limitada – ou mais apropriadamente chamada de expiação eficaz, nos convida a contemplar a precisão cirúrgica do amor divino. Longe de diminuir a glória da cruz, esta verdade a magnifica, revelando-nos um Salvador que não apenas tornou a salvação possível, mas que efetivamente consumou a redenção daqueles por quem morreu. É sobre esta maravilhosa certeza que meditaremos, descobrindo como a especificidade da expiação, paradoxalmente, revela sua grandeza infinita.

“Pois este foi o soberano conselho, a vontade graciosa e o propósito de Deus o Pai, que a eficácia vivificante e salvífica da preciosíssima morte de seu Filho fosse estendida a todos os eleitos. Daria somente a eles a justificação pela fé e por conseguinte os traria infalivelmente à salvação. Isto quer dizer que foi da vontade de Deus que Cristo por meio do sangue na cruz (pelo qual Ele confirmou a nova aliança) redimisse efetivamente de todos os povos, tribos, línguas e nações, todos aqueles e somente aqueles que foram escolhidos desde a eternidade para serem salvos, e Lhe foram dado pelo Pai. Deus quis que Cristo lhes desse a fé, que Ele mesmo lhes conquistou com sua morte, junto com outros dons salvíficos do Espírito Santo. Deus quis também que Cristo os purificasse de todos os pecados por meio do seu sangue, tanto do pecado original como dos pecados atuais, que foram cometidos antes e depois de receberem a fé. E que Cristo os guardasse fielmente até ao fim e finalmente os fizesse comparecer perante o próprio Pai em glória, “sem mácula, nem ruga” (Ef 5:27).” Os Cânones de Dort (1618-1619).

1. O Fundamento Bíblico da Expiação Definida

A questão que inicia nossa jornada teológica ecoa através dos séculos da igreja cristã: “Cristo moreu por todos ou apenas pelos eleitos? A gente ouve por aí que Jesus morreu por todo mundo, mas será que isso é algo ensinado na Escritura ou é algo que a gente aprende por aí na cultura ao nosso redor?” Esta provocação não surge de espírito contencioso, mas de sincero desejo de submeter nossas concepções populares ao escrutínio das Sagradas Escrituras.

A cultura religiosa contemporânea frequentemente apresenta uma visão sentimental da expiação, onde o amor de Deus é medido pela amplitude quantitativa de Sua oferta, não pela profundidade qualitativa de Seu propósito. Contudo, quando escavamos nas camadas exegéticas do texto bíblico, descobrimos uma realidade muito mais rica e consoladora: Cristo não ofereceu um sacrifício genérico com esperança incerta, mas executou um plano soteriológico específico com eficácia garantida.

O texto áureo desta lição, Mateus 1:21, estabelece o fundamento: “Ela dará à luz um filho e você porá nele o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles.” A linguagem é inequívoca – não “tornará possível a salvação de todos”, mas “salvará o seu povo”. Esta promessa revela a natureza definida e eficaz da obra redentora de Cristo.

A tradição reformada histórica, cristalizada nos Cânones de Dort de 1618-1619, articula esta verdade com precisão doutrinária: “pois este foi o soberano conselho à vontade graciosa e o propósito de Deus do Pai que a eficácia vivificante e salvífica da preciosíssima morte de seu filho fosse estendida a todos os eleitos daria somente a eles a justificação pela fé e por conseguinte os traria infalivelmente a salvação.”

Aqui encontramos a beleza da doutrina reformada: a expiação não é um experimento divino com resultado incerto, mas um decreto soberano com cumprimento garantido. Charles Haddon Spurgeon, o “Príncipe dos Pregadores”, expressou esta verdade com eloquência pastoral:

“Afirmamos que Cristo morreu para assegurar a salvação de tão grande quantidade de pessoas que ninguém é capaz de enumerar. Acreditamos que a intenção definida de Cristo na expiação foi a salvação de Seu povo, e que Sua intenção será plenamente cumprida.” Charles Haddon Spurgeon, O Calvinismo e o Evangelho, Editora Fiel, 2018, 234 páginas.

A força desta citação reside em seu equilíbrio: reconhece a vastidão numérica dos eleitos (“tão grande quantidade de pessoas que ninguém é capaz de enumerar”), mas mantém a especificidade soteriológica (“Seu povo”). Spurgeon evita tanto o particularismo excessivo quanto o universalismo soteriológico, ancorando-se na tensão bíblica entre soberania divina e responsabilidade evangelística.

Esta compreensão nos liberta de ansiedades soteriológicas desnecessárias. Se Cristo morreu por todos indistintamente, mas nem todos são salvos, então ou Sua morte foi insuficiente, ou Sua intenção foi frustrada. Ambas alternativas são teologicamente inaceitáveis e pastoralmente devastadoras. A expiação limitada preserva tanto a soberania de Deus quanto a eficácia de Cristo, oferecendo-nos certeza onde outros sistemas teológicos oferecem apenas possibilidade.

A Confissão de Westminster, documento síntese da teologia reformada, estabelece com clareza meridiana:

“Ainda que Cristo, pela obediência e morte, tenha quitado plenamente a dívida de todos aqueles pelos quais fez expiação e tenha feito uma satisfação real, verdadeira e completa à justiça do Pai em favor deles, todavia, visto que foi dado pelo Pai para aqueles que lhe deu, e sua obediência e satisfação foi aceita em lugar deles e para eles, gratuitamente e não por alguma coisa neles, a justificação deles é só da graça livre.” Confissão de Fé de Westminster, Padrões de Westminster, Editora Cultura Cristã, 2008, 712 páginas.

A Confissão revela a arquitetura trinitária da salvação: o Pai elege, o Filho expia, o Espírito aplica. Esta harmonia divina garante que nenhum eleito se perca e nenhum não-eleito seja punido duas vezes. A obra de Cristo é, simultaneamente, substitutiva (em lugar deles) e específica (para eles).

2. A Expiação no Drama da Redenção: Do Antigo ao Novo Testamento

A compreensão adequada da expiação limitada requer que situemos a obra de Cristo dentro da grande narrativa redentiva que se desenrola desde Gênesis até Apocalipse. O sistema sacrificial do Antigo Testamento não era mero ritual cultural, mas pedagogo divino que antecipava a obra definitiva do Messias vindouro.

“No sangue de Jesus nos tempos antigos, como é que os homens tinham seus pecados perdoados? O livro de Levítico, principalmente do capítulo 1 a 16, descreve o processo de expiação. Resumidamente, o homem que pecasse chegaria ao sacerdote e traria uma oferta, geralmente um cordeiro, e entregaria aquele cordeiro como sacrifício pelo seu pecado.”

Este sistema revelatório estabelece princípios fundamentais que culminam em Cristo. Primeiro, a necessidade de derramamento de sangue (Hebreus 9:22); segundo, a natureza substitutiva do sacrifício (o animal morre no lugar do pecador); terceiro, a especificidade da expiação (cada ofertante trazia sua oferta particular). O cordeiro não morria por toda a humanidade genericamente, mas pelo indivíduo específico que o oferecia.

O profeta Isaías, em sua magnífica profecia messiânica do capítulo 53, desenvolve esta tipologia com precisão cristológica: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu próprio caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós” (Isaías 53:6). O “todos nós” não se refere à humanidade indiscriminada, mas ao povo de Deus disperso e agora reunido pelo Servo Sofredor.

“O próprio Antigo Testamento estabelece que Cristo Jesus, o Messias que viria, seria esse cordeiro imolado [que] levaria os nossos pecados. A gente vê principalmente em Isaías 53 [que] fala que ele levou os nossos pecados, que ele foi ferido pelas nossas dores e levou as nossas transgressões.”

João Calvino, o reformador de Genebra, percebeu com clareza teológica esta continuidade redentiva:

“Quando o profeta diz que ‘o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós’, não devemos entender isso universalmente, mas como referindo-se a todos os que se voltam para Cristo pela fé. Pois seria absurdo estender isso àqueles que persistem em sua rebelião contra Deus e não participam da graça da reconciliação.” João Calvino, Comentário de Isaías, Volume IV, Editora Fiel, 2012, 834 páginas.

Calvino evita os extremos interpretativos: reconhece a amplitude da expiação (não é restrita etnicamente apenas aos judeus) sem cair no universalismo soteriológico (não inclui automaticamente todos os seres humanos). O “todos nós” é definido contextualmente como aqueles que “se voltam para Cristo pela fé”.

No Novo Testamento, João Batista proclama Jesus como “o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1:29). A linguagem joanina não contradiz a particularidade da expiação, mas revela sua universalidade étnica e geográfica. Cristo não tira genericamente todos os pecados de todas as pessoas, mas tira eficazmente o pecado (singular, referindo-se à culpa global) daqueles que Deus escolheu “de todo o mundo” – judeus e gentios, de todas as nações, tribos e línguas.

Herman Bavinck, o grande dogmático holandês, explica esta tensão hermenêutica com precisão teológica:

“A palavra ‘mundo’ na Escritura tem vários significados. Às vezes se refere ao universo físico, outras vezes à humanidade em geral, outras vezes aos incrédulos em contraste com os crentes, e frequentemente aos eleitos espalhados entre todas as nações em contraste com a particularidade judaica do Antigo Testamento. O contexto deve determinar o significado específico.” Herman Bavinck, Dogmática Reformada, Volume 3: O Pecado e a Salvação em Cristo, Editora Cultura Cristã, 2012, 927 páginas.

Bavinck nos oferece chaves hermenêuticas essenciais para evitar interpretações superficiais. A expiação é “mundial” no sentido de sua amplitude geográfica e étnica, não no sentido de sua aplicação soteriológica universal. Cristo morreu por pessoas de todas as nações, mas não por todas as pessoas de todas as nações.

3. O Problema da Dupla Punição e a Lógica da Expiação Eficaz

Um dos argumentos mais contundentes em favor da expiação limitada emerge do que os teólogos chamam “o problema da dupla punição”. Se Cristo verdadeiramente carregou os pecados de todos os seres humanos, por que alguns ainda são condenados? A lógica é inquebrável: se Jesus pagou completamente pela incredulidade de uma pessoa, como essa mesma pessoa pode ser punida eternamente por sua incredulidade?

“Se Jesus morreu por todos os pecados de todos os homens, porque eles não são salvos? Porque eles não encontram vida? A resposta que muitas vezes é dada é que a incredulidade impede isso, que os homens não se apropriam daquilo que Jesus fez na cruz porque são incrédulos. O problema é que se Jesus morreu por todos os pecados de todos os homens, Jesus também morreu pela incredulidade desses homens.”

Esta observação expõe uma inconsistência fundamental no sistema da expiação universal. Ou a morte de Cristo foi um pagamento real e completo pelos pecados, ou foi apenas um gesto simbólico sem eficácia jurídica. Não existe meio-termo teológico consistente. John Owen, articulou este argumento com precisão lógica devastadora no século XVII:

“A morte de Cristo é o pagamento de um preço, o pagamento de uma dívida, a oferta de um sacrifício, e tudo isso em favor de certas pessoas. O pagamento de uma dívida por uma pessoa e em favor de outra liberta esta última da obrigação de pagá-la. Se Cristo pagou minha dívida, eu estou livre.” John Owen, A Morte da Morte na Morte de Cristo, Editora Fiel, 2016, 456 páginas.

Owen constrói seu argumento sobre fundamentos jurídicos sólidos. Na lógica bíblica da expiação, Cristo não ofereceu um crédito transferível que poderia ser aceito ou rejeitado; Ele quitou definitivamente uma dívida específica. A linguagem bíblica é comercial e legal: “comprou” (Atos 20:28), “resgatou” (Gálatas 3:13), “quitou” (Colossenses 2:14). Estas metáforas pressupõem transações completas e irreversíveis.

“Nesse mesmo artigo, [Owen] lida com o problema da dupla punição: seria inconsistente [se] expiação geral fosse verdadeira, [pois] a ira de Deus pelo pecado de alguns homens teria sido derramada em Cristo em vão.”

A força deste argumento reside em sua simplicidade: se Deus puniu Cristo pelos pecados de uma pessoa e depois pune a própria pessoa pelos mesmos pecados, então ou a punição de Cristo foi insuficiente, ou Deus é injusto. Ambas alternativas são teologicamente impossíveis. Charles Hodge, o sistematizador de Princeton, explica as implicações desta lógica:

“Se Cristo sofreu a penalidade da lei em lugar dos pecadores, então aqueles pecadores não podem sofrer essa penalidade. Seria contrário à justiça punir duas vezes pela mesma ofensa. A doutrina da satisfação, portanto, envolve necessariamente a doutrina da eleição.” Charles Hodge, Teologia Sistemática, Volume 2, Editora Hagnos, 2001, 864 páginas.

Hodge conecta organicamente a expiação à eleição. Não são doutrinas isoladas competindo por espaço teológico, mas verdades integradas em um sistema coerente de graça soberana. A eleição determina por quem Cristo morreu; a expiação garante a salvação dos eleitos; a aplicação pelo Espírito concretiza historicamente o que foi determinado eternamente.

Esta lógica também resolve o paradoxo missionário. Se Cristo morreu eficazmente pelos eleitos, então a pregação do Evangelho não é tentativa esperançosa, mas instrumento ordenado para chamar efetivamente aqueles por quem Cristo morreu. A evangelização não é roleta espiritual, mas colheita divina garantida.

4. Aplicações Pastorais e Implicações Espirituais da Expiação Eficaz

A doutrina da expiação limitada não é abstração teológica confinada aos seminários; ela possui implicações pastorais profundas e aplicações espirituais transformadoras para a vida cristã cotidiana. Longe de desencorajar o evangelismo ou gerar frieza espiritual, esta verdade oferece fundamento sólido para segurança eterna, ardor missionário e adoração genuína.

Primeiramente, a expiação definida oferece certeza inquebrantável ao crente sincero. Em momentos de dúvida espiritual, quando Satanás sussurra questões sobre nossa salvação, podemos descansar na realidade de que Cristo não morreu genericamente esperando nossa decisão, mas especificamente para assegurar nossa redenção. “Nós temos um Cristo que oferece a sua salvação a todos os homens e que convida todas as pessoas a crer. [Somos] ordenados pelo próprio Cristo a pregar o evangelho a todas as pessoas.”

Esta segurança não brota de presumção humana, mas de obra divina consumada. Se Cristo pagou por todos os nossos pecados – incluindo nossa incredulidade inicial e nossas falhas subsequentes – então nada pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus (Romanos 8:39). A expiação limitada é, paradoxalmente, garantia ilimitada para os eleitos. Charles Haddon Spurgeon, apesar de algumas tensões denominacionais, abraçava pastoralmente esta verdade:

“Eu creio na expiação particular porque creio na eleição particular. Se há alguns que Deus passou por alto na Sua eleição eterna, é perfeitamente justo e correto que Cristo não deveria morrer por eles. Por que Cristo deveria morrer por homens que Deus nunca teve a intenção de salvar?” Charles Haddon Spurgeon, Sermões sobre a Salvação, Editora PES, 2019, 387 páginas.

Spurgeon conecta eleição e expiação não como doutrinas conflitantes, mas como faces complementares da mesma moeda soteriológica. Deus não age inconsistentemente consigo mesmo: não elege uns e provê expiação para outros. A harmonia trinitária na salvação garante eficácia, não contradição.

Segundo, esta doutrina fortalece, não enfraquece, o ímpeto evangelístico. Sabendo que Deus possui eleitos “de toda tribo, língua, povo e nação” (Apocalipse 5:9), podemos pregar com confiança de que Sua Palavra não voltará vazia (Isaías 55:11). A evangelização não é tentativa humana de persuadir Deus a salvar mais pessoas; é participação no método divino ordenado para chamar Seus eleitos.

“Não significa que nós não devemos oferecer o evangelho a todo mundo, oferecer a obra da cruz a todo mundo. Nós como cristãos não sabemos quem são os eleitos.” Esta ignorância humana sobre a identidade específica dos eleitos nos liberta para pregar indiscriminadamente, confiando que Deus conhece os Seus (2 Timóteo 2:19).

Terceiro, em termos de crescimento espiritual, esta doutrina combate tanto o legalismo quanto antinomianismo1. Contra o legalismo, lembra-nos que nossa salvação foi conquistada definitivamente por Cristo, não por nossos esforços. Contra o antinomianismo, revela-nos que fomos comprados por preço específico e, portanto, não pertencemos a nós mesmos (1 Coríntios 6:19-20). Augustus Nicodemus Lopes, teólogo brasileiro contemporâneo, sintetiza estas aplicações:

“A doutrina da expiação limitada não limita o amor de Deus, mas o define. Não reduz a cruz de Cristo, mas a especifica. Não desencoraja missões, mas as fundamenta na certeza de que Deus salvará efetivamente Seu povo através da pregação do Evangelho.” Augustus Nicodemus Lopes, Teologia Bíblica do Novo Testamento, Editora Cultura Cristã, 2017, 594 páginas.

O rev. Nicodemos captura o equilíbrio pastoral necessário: a expiação limitada é doutrina de conforto para crentes. Ela define, não limita; especifica, não reduz; fundamenta, não desencoraja.

Dúvidas Mais Frequentes Sobre o Tema

A expiação limitada não torna Deus injusto? Não há injustiça em Deus salvar alguns e permitir que outros recebam o justo castigo por seus pecados. A injustiça seria punir o inocente ou deixar o culpado impune. Cristo voluntariamente carregou a punição dos eleitos, e os não-eleitos recebem exatamente o que merecem. Como Paulo pergunta: “Acaso há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum!” (Romanos 9:14).

Se Cristo morreu apenas pelos eleitos, posso pregar o Evangelho a todos? Sim, devemos pregar indiscriminadamente porque não sabemos quem são os eleitos. Cristo ordenou: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15). A oferta sincera do Evangelho é universal, mas sua aplicação eficaz é particular.

Esta doutrina não contradiz versículos que falam de Cristo morrendo pelo “mundo”? A palavra “mundo” na Escritura tem múltiplos significados contextuais. Frequentemente refere-se aos eleitos de todas as nações (não apenas judeus), como em João 3:16, onde “mundo” contrasta com a particularidade judaica, indicando a universalidade étnica da salvação.

Se Cristo não morreu por todos, como fica a responsabilidade humana? Os não-eleitos são justamente condenados por seus próprios pecados, não por Cristo não ter morrido por eles. Todos pecaram e merecem a morte eterna (Romanos 3:23). Deus não está obrigado a salvar ninguém, mas graciosamente escolheu salvar alguns.

Esta doutrina não desencoraja o evangelismo e as missões? Pelo contrário, ela fundamenta missões na certeza de que Deus salvará efetivamente Seu povo através da pregação. Como disse Spurgeon: “Se Deus tivesse pintado uma linha amarela nas costas de todos os eleitos, eu pregaria apenas para eles. Mas como não o fez, prego a todos, sabendo que Seus eleitos ouvirão e crerão.”

Conclusão

Em 1963, durante a histórica Marcha sobre Washington, Martin Luther King Jr. proclamou seu sonho de uma América onde seus filhos seriam julgados “pelo conteúdo de seu caráter, não pela cor de sua pele.” Por trás desta visão estava uma convicção profunda: o amor verdadeiro não é genérico nem superficial, mas específico e transformador. King não amava a humanidade de forma abstrata; ele amava pessoas concretas, com nomes e histórias, lutando por justiça particular em circunstâncias específicas.

Da mesma forma, quando contemplamos a cruz de Cristo através das lentes da expiação limitada, descobrimos não um Salvador distante oferecendo possibilidades genéricas, mas um Redentor íntimo executando um plano específico com eficácia garantida. A especificidade da expiação não diminui sua grandeza; a magnifica, revelando um amor tão profundo que conhece cada ovelha pelo nome, tão poderoso que garante a salvação daqueles por quem foi derramado.

Herman Bavinck, o teólogo holandês que navegou com maestria entre ortodoxia e relevância cultural, capturou esta verdade com eloquência pastoral:

“A palavra ‘mundo’ na Escritura tem vários significados. Às vezes se refere ao universo físico, outras vezes à humanidade em geral, outras vezes aos incrédulos em contraste com os crentes, e frequentemente aos eleitos espalhados entre todas as nações em contraste com a particularidade judaica do Antigo Testamento. O contexto deve determinar o significado específico.” Herman Bavinck, Dogmática Reformada, Volume 3: O Pecado e a Salvação em Cristo, Editora Cultura Cristã, 2012, 927 páginas.

A precisão hermenêutica de Bavinck nos liberta de interpretações superficiais que reduzem a complexidade bíblica a slogans evangelísticos. Quando Jesus é proclamado como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo,” não estamos diante de universalismo soteriológico, mas de particularismo étnico expandido. Cristo não tira genericamente todos os pecados de todas as pessoas, mas eficazmente remove a culpa de Seus eleitos espalhados entre todas as nações.

Esta compreensão transforma nossa perspectiva sobre missões e evangelização. Não pregamos esperando que nossa eloquência persuada Deus a salvar mais pessoas; participamos do método divino ordenado para chamar efetivamente aqueles por quem Cristo morreu. Cada sermão, cada conversa evangelística, cada obra missionária é instrumento na orquestra da soberania divina, executando uma sinfonia cuja partitura foi escrita na eternidade e cujo crescendo culminará no grande coro de Apocalipse 5:9: “Digno és de tomar o livro e de abrir os seus selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação.”

A história da Igreja confirma esta verdade através dos séculos. Quando Agostinho enfrentou o pelagianismo no século V, quando os reformadores confrontaram o semi-pelagianismo no século XVI, quando os puritanos combateram o arminianismo no século XVII, a questão central permanecia a mesma: a salvação depende fundamentalmente de Deus ou do homem? A expiação limitada responde inequivocamente: depende de Deus do início ao fim. Philip Schaff, o grande historiador da Igreja, observou com perspicácia esta continuidade teológica:

“A doutrina da predestinação e da expiação limitada não são inovações do século XVI, mas restaurações de verdades bíblicas que atravessaram toda a história da Igreja através de pais como Agostinho, escolásticos como Tomás de Aquino, e reformadores como Calvino. Cada geração redescobre que a salvação é ‘do Senhor’ (Jonas 2:9).” Philip Schaff, History of the Christian Church, Volume VII: Modern Christianity, Editora Eerdmans, 1910, 914 páginas.

Schaff nos ajuda a compreender que a expiação limitada não é peculiaridade denominacional, mas fio dourado que atravessa o tecido da ortodoxia cristã. Desde os Cânones de Dort até as confissões contemporâneas, desde os púlpitos puritanos até os seminários modernos, esta verdade permanece como farol teológico apontando para a rocha inabalável da soberania divina.

Aplicação

A doutrina da expiação limitada transcende especulação acadêmica para transformar radicalmente nossa vida espiritual cotidiana. Como cristãos que compreendemos a especificidade do amor de Cristo, somos chamados a viver com segurança, propósito e gratidão que fluem naturalmente desta verdade gloriosa.

Primeiro, cultivemos segurança inabalável em nossa salvação. Quando Satanás sussurrar dúvidas sobre nossa posição diante de Deus, quando circunstâncias adversas questionarem o amor divino, quando nossa própria inconstância espiritual gerar ansiedades soteriológicas, lembremo-nos: Cristo não morreu genericamente esperando nossa cooperação, mas especificamente para assegurar nossa redenção. Se você genuinamente confia em Cristo, essa própria fé é evidência de que Ele morreu por você. Como Paulo declara: “Aquele que não poupou nem mesmo o seu próprio Filho, antes o entregou por todos nós, como não nos dará também com ele todas as coisas?” (Romanos 8:32).

Esta segurança não é presumção carnal, mas confiança bíblica fundamentada na obra consumada de Cristo. Pratique diariamente a disciplina de descansar na eficácia, não na amplitude, da expiação. Sua salvação não depende de Cristo ter morrido por bilhões, mas de ter morrido eficazmente por você.

Segundo, intensifiquemos nosso zelo evangelístico. Paradoxalmente, a expiação limitada fortalece, não enfraquece, nosso ímpeto missionário. Sabendo que Deus possui eleitos “de todo o povo que há debaixo do céu” (Atos 2:5), pregamos com confiança de que Sua Palavra não voltará vazia. Cada conversa evangelística é potencialmente o momento em que um eleito ouve o chamado eficaz; cada culto é possivelmente o encontro onde alguém predestinado encontra seu Salvador.

Desenvolva o hábito de orar pelos não-convertidos ao seu redor, pedindo especificamente que Deus revele se algum deles está entre Seus escolhidos. Pregue Cristo com ousadia, oferecendo sinceramente a salvação a todos, confiando que os eleitos responderão pela obra irresistível do Espírito Santo.

Terceiro, aprofundemos nossa gratidão pela graça particular. Se compreendemos que merecíamos condenação como qualquer outro pecador, mas fomos escolhidos não por algum mérito próprio, mas pela graça soberana, nossa gratidão se torna mais específica e intensa. Não somos gratos por Deus amar genericamente a humanidade, mas por ter estabelecido Seu amor específico sobre nós desde antes da fundação do mundo.

Pratique regularmente o exercício espiritual de meditar em Efésios 1:3-14, contemplando como cada membro da Trindade contribuiu especificamente para sua salvação: o Pai elegeu, o Filho expiou, o Espírito aplicou. Esta não é doutrina árida para debates acadêmicos, mas combustível para adoração ardente.

Quarto, transformemos nossos relacionamentos pela especificidade do amor. Se Cristo amou a igreja com amor particular que não oferece a outras entidades, os maridos cristãos devem amar suas esposas com devoção específica que não demonstram a outras mulheres. As esposas devem respeitar seus maridos com reverência particular que não concedem a outros homens. Pais devem amar seus filhos com carinho específico; filhos devem honrar seus pais com obediência particular.

A expiação limitada não produz exclusivismo cruel, mas especificidade amorosa. Assim como Cristo não ama a humanidade e a igreja de forma idêntica, não devemos amar cônjuge e vizinho, filhos e estranhos, igreja local e organizações seculares com indistinção emocional.

Quinto, fortaleçamos nossa perseverança através das tribulações. Quando enfrentamos provações que testam nossa fé, lembremo-nos: se Cristo morreu especificamente para nos salvar, certamente não permitirá que pereçamos no caminho. As aflições não são sinais de abandono divino, mas instrumentos de santificação para aqueles que foram comprados por preço específico.

Desenvolva a disciplina de interpretar seus sofrimentos através das lentes da eleição. Deus não está experimentando para ver se você aguenta; Ele está esculpindo com precisão cirúrgica o caráter daqueles por quem Seu Filho morreu. Suas lágrimas não são evidência de rejeição divina, mas gotas preciosas no processo de conformação à imagem de Cristo.

João Calvino, o reformador de Genebra, sintetizou esta aplicação com sabedoria pastoral que atravessa os séculos:

“Quando o profeta diz que ‘o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós’, não devemos entender isso universalmente, mas como referindo-se a todos os que se voltam para Cristo pela fé. Pois seria absurdo estender isso àqueles que persistem em sua rebelião contra Deus e não participam da graça da reconciliação.” João Calvino, Comentário de Isaías, Volume IV, Editora Fiel, 2012, 834 páginas.

A precisão exegética de Calvino nos oferece modelo para aplicação equilibrada. A expiação é ampla o suficiente para incluir eleitos de todas as nações, mas específica o suficiente para garantir a salvação daqueles por quem foi oferecida. Esta tensão bíblica deve moldar tanto nossa pregação quanto nossa vida pessoal: ofereçamos Cristo sinceramente a todos, mas descansemos especificamente na certeza de que Ele morreu eficazmente pelos Seus.

Parágrafo de Mensagem Central da Lição

A expiação limitada nos revela que o amor mais profundo não é genérico, mas específico; não é potencial, mas eficaz; não é condicional, mas definitivo. Cristo Jesus não ofereceu um sacrifício experimental com resultado incerto, mas executou um plano soteriológico preciso com eficácia garantida. Quando contemplamos a cruz através desta lente doutrinária, descobrimos não um Salvador tentando salvar todos, mas falhando com muitos, mas um Redentor específico salvando efetivamente todos por quem morreu. Esta verdade transforma nossa segurança de possível em certa, nossa evangelização de tentativa em instrumento divino, nossa gratidão de genérica em particular, e nossa perseverança de esperançosa em garantida. A expiação limitada não limita o amor de Deus, mas o define com precisão gloriosa que deve mover nossos corações à adoração mais profunda e obediência mais constante.

Perguntas para Reflexão

  1. Segurança Pessoal: Como a compreensão de que Cristo morreu especificamente pelos eleitos (incluindo você, se crê genuinamente) transforma sua segurança diária na salvação?
  2. Zelo Evangelístico: De que forma a certeza de que Deus possui eleitos em toda parte pode intensificar, não diminuir, seu ímpeto para compartilhar o Evangelho?
  3. Relacionamentos Específicos: Como o exemplo de Cristo amando a igreja de forma particular pode transformar a maneira como você ama seu cônjuge, família e comunidade de fé?
  4. Adoração e Gratidão: Que diferença prática faz em sua vida devocional saber que você foi escolhido especificamente, não genericamente, para salvação?
  5. Perseverança nas Tribulações: Como a verdade da expiação eficaz pode sustentar sua fé durante temporadas difíceis de dúvida ou sofrimento?

Somente Cristo! Pr. Reginaldo Soares.

Leia também:

  • LIÇÃO 13: ORAR SEMPRE E SEM DESANIMAR
  • LIÇÃO 12: EM ESPÍRITO E EM VERDADE
  • LIÇÃO 11: TENHAM MEDO
  • LIÇÃO 10: AMAR A DEUS COMPLETAMENTE
  • LIÇÃO 09: Bem-aventurados os perseguidos por Cristo
  • LIÇÃO 08: Tomar a Cruz e Seguir a Cristo

Referências Bibliográficas

Literatura Cristã

BAVINCK, Herman. Dogmática Reformada, Volume 3: O Pecado e a Salvação em Cristo. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2012. 927 páginas.

CALVINO, João. Comentário de Isaías, Volume IV. São Paulo: Editora Fiel, 2012. 834 páginas.

Confissão de Fé de Westminster. Padrões de Westminster. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2008. 712 páginas.

Os Cânones de Dort (1618-1619). Disponível em: https://www.monergismo.com/textos/credos/dort.htm

HODGE, Charles. Teologia Sistemática, Volume 2. São Paulo: Editora Hagnos, 2001. 864 páginas.

LOPES, Augustus Nicodemus. Teologia Bíblica do Novo Testamento. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2017. 594 páginas.

OWEN, John. A Morte da Morte na Morte de Cristo. São José dos Campos: Editora Fiel, 2016. 456 páginas.

PIPER, John. Desejando Deus: Meditações de um Hedonista Cristão. São Paulo: Editora Shedd Publicações, 2001. 342 páginas.

SPURGEON, Charles Haddon. O Calvinismo e o Evangelho. São José dos Campos: Editora Fiel, 2018. 234 páginas.

SPURGEON, Charles Haddon. Sermões sobre a Salvação. Brasília: Editora PES, 2019. 387 páginas.

Literatura História da Igreja

SCHAFF, Philip. History of the Christian Church, Volume VII: Modern Christianity. Grand Rapids: Editora Eerdmans, 1910. 914 páginas.

Fontes Jornalísticas e Acadêmicas

Ministério Fiel. “Expiação limitada.” 27 de janeiro de 2022. https://ministeriofiel.com.br/artigos/expiacao-limitada/

  1. O antinomianismo é a crença de que, uma vez que uma pessoa é salva pela graça de Deus, ela está livre da necessidade de obedecer à lei moral de Deus, como os Dez Mandamentos. Em termos simples, é a ideia de que a fé em Cristo nos liberta do pecado de tal forma que as leis divinas e a moralidade já não se aplicam à nossa conduta. Essa visão distorce a graça, transformando-a em uma licença para pecar, ignorando o ensino bíblico de que a salvação em Cristo nos capacita e nos chama a viver uma vida de santidade e obediência, não por obrigação legalista, mas por gratidão e amor a Ele. ↩︎
Reginaldo

Meu chamado para o ministério pastoral veio em 1994, sendo encaminhado ao conselho da Igreja Presbiteriana (IPB) em Queimados e em seguida ao Presbitério de Queimados (PRQM). Iniciei meus estudos no ano seguinte, concluindo-os em 1999. A ordenação para o ministério pastoral veio em 25 de junho de 2000, quando assumi pastoreio na IPB Inconfidência (2000-2003) e da IPB Austin (2002-2003). Desde de 2004 tenho servido como pastor na Igreja Presbiteriana em Engenheiro Pedreira (IPEP), onde sigo conduzido esse amado rebanho pela graça de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Sou casado há 22 anos com Alexsandra, minha querida esposa, sou pai de Lisandra e Samantha, preciosas bênçãos de Deus em nossas vidas. Me formei no Seminário Teológico Presbiteriano Ashbel Green Simonton, no Rio de Janeiro, e consegui posteriormente a validação acadêmica pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Pela bondade de nosso Senhor, seguimos compartilhando fé, amor e buscando a cada dia crescimento espiritual. Somente Cristo!

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Meu nome é Reginaldo Soares, sou pastor presbiteriano desde 2000, nos últimos 21 anos pastoreando a IPB Engenheiro Pedreira. Espero poder compartilhar um pouco da boa Palavra de nosso Senhor Jesus Cristo com você.

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