Eclesiastes 9:10. “Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma.”
RESOLUÇÃO 06. “viver com toda a intensidade, enquanto viver.”
Deus rejeita uma fé morna
“Deus nos criou para uma existência vibrante, intensa, apaixonada por Sua glória e Sua verdade. A mornidão espiritual é uma contradição da própria natureza da fé, que deve incendiar todo o nosso ser com amor ardente pelo Criador.” Jonathan Edwards, Afeições Religiosas, p. 78.
“Não podemos servir a Deus pela metade. Ele exige toda a nossa alma, toda a nossa mente, todo o nosso coração, todas as nossas forças. A religião morna é abominação aos olhos dAquele que é todo-santo. Ou vivemos inteiramente para Cristo, ou não vivemos para Ele de forma alguma.” D. Martyn Lloyd-Jones, Avivamento, p. 134.
Enquanto o mundo se consome em paixões vãs com fervor admirável, quantos cristãos vivem sua fé com a mornidão de quem saboreia café requentado? Jonathan Edwards, aos vinte anos, compreendeu uma verdade que desafia nossa tendência à vida cristã protocolar: “viver com toda a intensidade.”
Mas que intensidade é essa? Certamente não é o frenesi neurótico da cultura da performance, nem a agitação estéril de quem confunde movimento com progresso. A intensidade de Edwards brota de uma fonte mais profunda: a convicção de que fomos criados para conhecer e glorificar a Deus, infinitamente belo, e que desperdiçar essa vocação suprema é uma trágica perda.
“A verdadeira espiritualidade sempre se manifesta em intensidade controlada – não é selvageria emocional, mas paixão direcionada pela verdade. É o coração em chamas sob a disciplina da mente renovada, a alma inflamada pelo Espírito Santo operando através da Palavra de Deus.” John Piper, Sede de Deus, p. 201.
Vivemos tempos de paixões artificiais e entusiasmos fabricados. As redes sociais nos ensinam a performar intensidade sem experimentá-la verdadeiramente. Somos uma geração que grita muito, mas vive pouco; que se agita constantemente, mas raramente se move na direção certa. Entre essa intensidade falsa e a mornidão espiritual, Edwards nos chama a descobrir a verdadeira paixão: aquela que nasce do encontro autêntico com a majestade divina.
Vida espiritual intensa
“Deus não Se satisfaz com adoração protocolar ou obediência mecânica. Ele deseja nosso coração inflamado de amor por Sua excelência, nossa mente cativada por Sua verdade, nossa vontade rendida apaixonadamente aos Seus propósitos. A religião fria é contradição em termos.” João Calvino, Institutas da Religião Cristã, p. 567.
O Pregador de Eclesiastes nos confronta com a realidade implacável da mortalidade: “na sepultura não há obra nem projeto”. Esta não é melancolia pessimista, mas realismo urgente que deveria transbordar de nossa alma com santa determinação.
Edwards entendia que a intensidade cristã autêntica não é emocionalismo desenfreado, mas paixão santificada pela verdade. Suas “Afeições Religiosas” exploram magistralmente esta tensão: como distinguir entre o fervor genuíno do Espírito Santo e as falsificações emocionais que abundam na religiosidade humana? A resposta está na orientação e no objeto de nossa intensidade.
A cultura moderna nos ensina intensidades equivocadas. Somos apaixonados por entretenimento, obcecados por sucessos temporais, fanáticos por ideologias políticas, mas frequentemente mornos quanto às realidades eternas. Edwards nos desafia: se podemos ser intensos sobre coisas que perecem, por que não sobre Aquele que é eterno? Se podemos nos consumir por prazeres momentâneos, por que não pelo prazer supremo de conhecer a Deus?
A intensidade sagrada possui características distintivas. Primeiro, é centrada em Cristo, não em nós mesmos. Não buscamos experiências emocionais como fim em si, mas conhecimento mais profundo da pessoa e obra de Jesus. Segundo, é nutrida pela Palavra, não por impulsos subjetivos. A Escritura fornece tanto o combustível quanto os trilhos para nossa paixão espiritual. Terceiro, produz frutos de santificação, não apenas sentimentos agradáveis.
Esta intensidade também se manifesta em todas as dimensões da vida. Edwards não compartimentalizava o sagrado e o secular. Estudar filosofia, administrar sua congregação, educar seus filhos – tudo era feito com a mesma paixão ardente por Deus. A vida intensa não é escape da realidade cotidiana, mas a transfiguração dessa realidade pela presença consciente de Deus em cada atividade.
“A vida cristã é guerra santa, e toda guerra requer intensidade. Não podemos lutar contra o pecado, o mundo e Satanás com a languidez (ânimo fraco, fraqueza) de quem está de férias. A santificação exige toda a energia espiritual que possuímos, sob a graça capacitadora do Espírito Santo.” John Owen, A Morte do Pecado, p. 134.
Há beleza profunda nesta abordagem. Quando vivemos com intensidade santa, cada relacionamento se torna oportunidade de refletir o amor divino, cada desafio uma chance de crescer em semelhança com Cristo, cada alegria uma antecipação da felicidade eterna. A vida ganha peso e significado que transcendem as circunstâncias temporais.
Intensidade cristocêntrica
“Cristo viveu a vida mais intensa que já existiu – não por agitação externa, mas por devoção interna absoluta ao Pai. Sua paixão pela glória de Deus era tão total que Ele podia dizer: ‘Meu alimento é fazer a vontade dAquele que me enviou’. Esta é a intensidade a que somos chamados.” Dietrich Bonhoeffer, Seguimento, p. 203.
A intensidade de Edwards encontra sua fonte e modelo definitivos em Cristo. Observem Jesus nos Evangelhos: nunca apressado, mas sempre urgente; nunca ansioso, mas profundamente movido pela compaixão; nunca fanático, mas absolutamente comprometido com a vontade do Pai. Sua paixão pela glória de Deus o levou até a cruz, o ato mais intenso de amor da história humana.
É esta intensidade cristocêntrica que redime nossa tendência humana aos extremos. Sem Cristo, nossa paixão se torna idolatria ou se esgota em desilusão. Com Cristo, ela encontra objeto infinitamente digno e fonte inesgotável de renovação. Ele nos liberta tanto da mornidão quanto do fanatismo, nos ensinando a paixão santificada pela verdade e sustentada pela graça.
A cruz também nos ensina que a verdadeira intensidade às vezes exige sofrimento. Edwards sabia que viver apaixonadamente para Deus em um mundo caído resulta em conflito, incompreensão, e por vezes perseguição. Mas este é o preço da autenticidade espiritual e é preço infinitamente pequeno comparado ao valor de conhecer a Deus intimamente.
“A vida cristã é amor em ação, e o amor verdadeiro nunca é morno. Aquele que verdadeiramente ama a Cristo não pode viver casualmente. O amor produz zelo, e o zelo produz ação, e a ação produz transformação tanto no amante quanto no mundo ao seu redor.” Augustinho de Hipona, Confissões, p. 289.
A ressurreição garante que nossa intensidade não é desperdiçada. Cada momento vivido com paixão santa ecoa na eternidade. Cada lágrima derramada em oração fervorosa, cada esforço empregado em santificação, cada ato de amor sacrificial, tudo ganha significado permanente na economia divina. Nossa intensidade presente é investimento na alegria eterna.
“A ressurreição de Cristo não apenas garante nossa vida futura, mas transforma nossa vida presente. Saber que nossa intensidade por Deus tem consequências eternas deveria incendiar nossa alma com determinação santa de viver cada dia como se fosse simultaneamente o primeiro e o último.” N.T. Wright, Surpreendido pela Esperança, p. 178.
E agora, como viveremos?
Como, então, cultivamos esta intensidade sagrada em nossos dias?
Buscar permanentemente visão profunda do ser de Deus. A paixão espiritual não pode ser mantida artificialmente; ela brota naturalmente quando contemplamos a beleza, majestade e amor de nosso Criador. Isso requer disciplinas espirituais consistentes: oração contemplativa, leitura meditativa das Escrituras, adoração consciente.
Elimine qualquer aspecto de uma vida no piloto automático. Em vez de simplesmente passar pelos movimentos religiosos, pergunte-s3: “Como posso adorar a Deus com todo meu ser nesta atividade?” Seja no trabalho, nas relações familiares, nos estudos ou no ministério, buscamos excelência não como perfeccionismo neurótico, mas como expressão de amor a Deus.
Pratique um amor sacrificial. Não se contente com conversas superficiais ou vínculos meramente funcionais. Veja cada pessoa como imagem de Deus, digna de sua atenção completa e cuidado genuíno. Ame não apenas quando for conveniente, mas especialmente quando custar algo.
Pense sobre como investir seu tempo e energia. Edwards nos ensinaria a perguntar: “Esta atividade contribui para meu crescimento espiritual e serviço ao Reino?” Isso pode significar reduzir entretenimentos vazios, conversas fúteis, ou mesmo compromissos sociais que, embora não sejam pecaminosos, simplesmente diluem nossa energia espiritual.
Abraçe tanto a alegria quanto o sofrimento como oportunidades de conhecer a Deus mais profundamente. Celebre as bênçãos com gratidão ardente, não com satisfação casual. Enfrente os desafios com fé determinada, não com resignação passiva. Em todas as circunstâncias, busque responder com a totalidade de seu ser, sabendo que cada resposta molda seu caráter eterno.
Oremos
Deus de toda paixão santa, confessamos que frequentemente vivemos abaixo do chamado à intensidade que Tu nos deste. Perdoa nossa mornidão espiritual, nossa tendência a tratar as coisas eternas com casualidade e as temporais com fervor desproporcional. Inflama nosso coração com amor ardente por Ti. Que possamos conhecer-Te não apenas intelectualmente, mas com toda a intensidade de nossa alma regenerada. Ensina-nos a diferença entre a paixão sanctificada pelo Teu Espírito e o emocionalismo carnal que caracteriza tanto da religiosidade humana. Dá-nos coragem para viver não a agitação estéril do mundo, mas a determinação santa de quem descobriu que Tu és infinitamente digno de nossa devoção total. Que nossa intensidade por Ti se manifeste em amor genuíno pelo próximo, em busca apaixonada da santidade, e em serviço alegre ao Teu Reino. Em nome de Jesus, que viveu a vida mais intensa de todas. Amém.
Somente Cristo! Pr. Reginaldo Soares.
Leia também:
- AS RESOLUÇÕES DE JONATHAN EDWARDS
- RESOLUÇÃO 01 – Jonathan Edwards
- RESOLUÇÃO 02 – Jonathan Edwards
- RESOLUÇÃO 03 – Jonathan Edwards
- RESOLUÇÃO 04 – Jonathan Edwards
- RESOLUÇÃO 05 – Jonathan Edwards

Meu chamado para o ministério pastoral veio em 1994, sendo encaminhado ao conselho da Igreja Presbiteriana (IPB) em Queimados e em seguida ao Presbitério de Queimados (PRQM). Iniciei meus estudos no ano seguinte, concluindo-os em 1999. A ordenação para o ministério pastoral veio em 25 de junho de 2000, quando assumi pastoreio na IPB Inconfidência (2000-2003) e da IPB Austin (2002-2003). Desde de 2004 tenho servido como pastor na Igreja Presbiteriana em Engenheiro Pedreira (IPEP), onde sigo conduzido esse amado rebanho pela graça de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Sou casado há 22 anos com Alexsandra, minha querida esposa, sou pai de Lisandra e Samantha, preciosas bênçãos de Deus em nossas vidas. Me formei no Seminário Teológico Presbiteriano Ashbel Green Simonton, no Rio de Janeiro, e consegui posteriormente a validação acadêmica pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Pela bondade de nosso Senhor, seguimos compartilhando fé, amor e buscando a cada dia crescimento espiritual. Somente Cristo!
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