TERREMOTO NA VENEZUELA

Texto Bíblico: Salmo 46.1-3 (NAA) “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. Portanto, não temeremos, ainda que a terra se mova e os montes se abalem no âmago do mar; ainda que as suas águas rujam e se agitem, e os montes se sacodam com a sua impetuosidade.”

Na madrugada de 24 de junho, dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5, sacudiram a Venezuela com menos de um minuto de diferença. O segundo foi o mais forte a atingir o país desde 1900. Caracas desabou sobre si mesma, La Guaira foi devastada e até o momento cerca de 235 vidas foram ceifadas, 4.300 pessoas ficaram feridas e mais de 70 mil famílias perderam tudo em questão de segundos. Sobre os escombros de um prédio em La Guaira, um jovem caminhava desesperado, gritando um único nome entre as pedras: “Jesus! Irmão, fala comigo.” De dentro de uma abertura no concreto, uma voz respondeu apenas: “Anthony.” Horas depois, quando três crianças foram retiradas com vida de entre as ruínas cobertas de poeira, a voz de um homem anunciou o resgate com duas palavras: “Deus é grande.”

É precisamente nesse cenário de ruínas, de sofrimento, de uma devastação que aparenta nunca será revertida que nos lembramos das palavras do salmista: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia.”

Refúgio em meio a calamidade

O Salmo 46 foi escrito num contexto de ameaça existencial — nações em guerra, reinos em colapso, até mesmo a criação pareçe abalada: “os montes se movem, as águas rugem, a terra se abala”. O texto descreve um mundo desfazendo-se em tempo real e é exatamente dentro desse caos que o salmista declara sua confiança em Deus. O verbo hebraico traduzido como “refúgio” carrega a ideia de abrigo seguro, de lugar de proteção encontrado no meio da tempestade. Deus é apresentado como aquele que e habita o interior da tempestade como uma fortaleza inabalável, para acolher os seus.

Como nos sentimos frente a tamanha tragédia?

Os relatos afirmam que médicos e socorristas trabalham “para além de suas forças”, sem maquinário, sem recursos, sem estrutura suficiente para a magnitude do desastre, na tentativa de salvar mais uma vida. O médico Franklin Rodriguez descreveu um sistema em completo colapso, hospitais sobrecarregados, escassez de medicamentos, centenas de pessoas ainda presas sob toneladas de concreto e o número de mortos, advertiram os geólogos do USGS, poderia superar 10 mil.

Diante de imagens assim, surge a pergunta: onde está Deus num momento como esse? Não conseguimos dar conta da profundidade da experiência de enfrentar a dor, quando o sofrimento nos alcança com tamanha violência, a grande verdadd é que nossa busca por respostas parece não chegar a lugar algum.

Deus está lá

O que o coração humano verdadeiramente necessita no meio da catástrofe é uma presença, cruzar as portas do Refúgio. Na história de Jó, quando Deus finalmente o responde no meio do redemoinho, ele não explica coisa alguma; não menciona Satanás; não revela os bastidores do sofrimento, não apresenta uma justificativa cama acalmar a mente; não entrega nenhuma grande filosofia de vida bem elaborada. Deus simplesmente se faz presente de forma poderosa, pessoal e avassaladora e Jó, que havia exigido respostas durante todo o livro, ao final apenas diz: “Os meus ouvidos tinham ouvido falar de ti, mas agora os meus olhos te veem” (Jó 42.5). A presença de Deus revelou-se do que mais suficiente, mais eficaz do que qualquer resposta.

A expressão “socorro bem presente na angústia” pode ser literalmente traduzida do hebraico como “socorro muito encontrado na aflição”, ou seja, Deus não é apenas teoricamente disponível; ele é ativamente encontrado precisamente no lugar onde a dor é mais intensa.

Cristo no Centro dos Escombros

Será mesmo possível que Deus seja encontrado no interior da catástrofe? A Bíblia responde que sim, a quarta figura na fornalha ardente de Nabucodonosor, aquela que o rei descreveu como “parecida com um filho dos deuses”, apontava para o Cristo que viria. Sadraque, Mesaque e Abednego não foram poupados do fogo, foram lançados nele, mas encontraram no interior das chamas uma presença que as chamas não podiam tocar.

Jesus nasceu em pobreza, viveu pressionado, foi rejeitado pelos seus, condenado injustamente, executado publicamente e na cruz o momento de maior abandono e escuridão da história, ele exclamou: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” (Mc 15.34). Essa pergunta é a prova de que Cristo entrou na fornalha, aquela que nenhum de nós será jamais chamado a enfrentar sozinho e a atravessou. Por isso, podemos afirmar que Cristo está lá entre os escombros e a igreja, o exército de seus servos também está.

A Resposta do Crente

Diante disso, a resposta do crente não é a negação da dor e nem um conformismo cego, mas o que Jó fez durante toda a sua agonia: ele não parou de falar com Deus. Reclamou, mas reclamou a Deus; duvidou, mas levou sua dúvida a Deus; gritou, mas gritou na presença de Deus. Ao final, Deus mesmo declarou que Jó havia triunfado, não porque tudo correu bem, não porque seu coração esteve sempre sereno, mas porque a obstinação de Jó em buscar a face de Deus significava que o sofrimento não o afastou d’Ele, mas o aproximou.

Não a fé que exige que Deus explique, mas a fé que, em meio a toda dor e sofrimento, se agarra aquele que permanece inabalável: “O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso baluarte” (Sl 46.7).

E agora, como viveremos? A Venezuela nos convoca não apenas à oração, embora ela seja indispensável, mas à busarmos a presença real do salvador. As doações, o apoio humanitário, à intercessão fiel e persistente pelos que ainda estão sob os escombros e pelos que choram seus mortos devem faazer parte desta caminhada.

Quando a sua própria terra tremer e ela vai tremer, porque nenhum de nós é exceção à fragilidade da existência, lembre-se: o Deus que ouviu o nome “Jesus!” ser gritado entre pedras e poeira em Caracas é o mesmo que ouve o seu clamor. Ele não está observando de longe, Ele é o socorro bem presente na angústia, Ele está entre os escombros.

Oremos. “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso baluarte. Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os de espírito oprimido” (Sl 46.1,7; 34.18). Senhor, nos escombros da Venezuela e nos escombros da nossa própria vida, que sejamos encontrados por Ti. Que os Teus sejam sustentados no interior da fornalha, e que o mundo veja, pelo testemunho dos que sofrem sem desesperar, que Tu és Deus — e que és suficiente. Amém.

Somente Cristo! Pr. Reginaldo Soares.

UL TIMAS POSTAGENS

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