Há uma espécie de mistério na forma como Deus escolhe seus instrumentos. Em 1859, quando desembarcou no porto do Rio de Janeiro, Ashbel Green Simonton não trazia consigo riquezas, prestígio ou sequer o domínio da língua que precisaria falar. Trazia apenas vinte e seis anos de idade, uma sólida formação teológica adquirida em Princeton e a convicção silenciosa de que fora chamado para aquele lugar. Oito anos depois, morreria em São Paulo, ainda jovem, vitimado por uma febre traiçoeira. Mas, nesse breve intervalo, lançaria os fundamentos de uma igreja que atravessaria os séculos seguintes. Compreender a vida de Simonton é compreender como uma existência curta, entregue com inteireza a um propósito, pode gerar frutos que ultrapassam em muito a duração de quem os plantou.
Uma herança presbiteriana
Simonton nasceu no dia 20 de janeiro de 1833, na pequena localidade de West Hanover, no sul da Pensilvânia, sendo o mais novo entre nove irmãos de uma família de raízes escocesas-irlandesas. Seu pai, o Dr. William Simonton, era médico e político, tendo sido eleito por duas vezes para o Congresso dos Estados Unidos. Sua mãe, Martha Davis Snodgrass, era filha do Rev. James Snodgrass, que pastoreara uma mesma igreja presbiteriana por cinquenta e oito anos. Batizado ainda aos cinco meses de vida, o pequeno Ashbel foi, desde o berço, dedicado por seus pais ao ministério da Palavra, um gesto comum entre famílias presbiterianas da época, mas que, no seu caso, haveria de se cumprir de maneira surpreendente.
A infância de Simonton não foi isenta de perdas. Seu pai faleceu quando ele tinha apenas treze anos, e a família mudou-se então para a cidade vizinha de Harrisburg, capital do estado, onde o jovem concluiu os estudos secundários. Ingressou depois no Colégio de Nova Jersey, a futura Universidade de Princeton, instituição fundada pelos próprios presbiterianos e que já formara, entre outras figuras notáveis, o educador escocês John Witherspoon, único ministro religioso a assinar a Declaração de Independência dos Estados Unidos.
Formado em 1852, aos dezenove anos, Simonton não seguiu de imediato para o ministério, passou um ano e meio lecionando latim, francês, alemão e italiano numa academia para meninos em Starkville, no Mississippi, e ao retornar a Harrisburg, em 1854, chegou a considerar a carreira de advogado. Foi um período de genuína busca vocacional, registrado com honestidade no diário que ele começara a escrever ainda adolescente, um documento que revelaria, ao longo dos anos, tanto suas lutas interiores quanto sua crescente sensibilidade social. Uma passagem escrita nas vésperas do Natal de 1854 mostra sua preocupação com os pobres da cidade, atingidos pelo rigor do inverno e pelo desemprego; outra, ainda mais reveladora do seu caráter, expressa sua reprovação ao tráfico de escravos, que considerava um comércio desumano incompatível com qualquer sentimento de humanidade.
O chamado para as missões
Foi um avivamento ocorrido em sua igreja, no início de 1855, que finalmente dissipou as incertezas de Simonton quanto ao rumo de sua vida. Impactado por aquela experiência espiritual, ele fez sua profissão de fé pública na Igreja Presbiteriana de Market Square, em Harrisburg, e, poucos meses depois, ingressou no Seminário Teológico de Princeton, instituição fundada em 1812 nos melhores moldes da tradição calvinista. Ainda no primeiro semestre de estudos, ouviu na capela do seminário um sermão que mudaria definitivamente o curso da sua existência. O pregador era o Dr. Charles Hodge, um dos mais eminentes teólogos presbiterianos daquele tempo e seu próprio professor, e o tema versava sobre a tarefa da igreja no mundo. Aquela pregação despertou em Simonton um interesse profundo pelo trabalho missionário no exterior, interesse que amadureceria nos anos seguintes até tornar-se decisão irrevogável.


Em novembro de 1858, com o consentimento de sua mãe, Simonton dirigiu-se formalmente à Junta de Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana, manifestando o desejo de servir como missionário e mencionando o Brasil como seu campo de preferência, ainda que deixasse a decisão final a critério da própria Junta. Cogitara inicialmente a Bolívia, mas parece ter sido influenciado, na escolha final, pelo secretário da Junta de Nova York, Rev. John Leighton Wilson. A proposta foi aceita. Ordenado ao ministério em 14 de abril de 1859, na Igreja Reformada Alemã de Harrisburg, Simonton conheceu por essa época aquele que se tornaria seu mais próximo colega e, mais tarde, seu cunhado: o Rev. Alexander Latimer Blackford.
A despedida ocorreu no porto de Baltimore, na manhã do dia 18 de junho de 1859, sua mãe e um de seus irmãos o acompanharam até o navio Banshee, que o levaria ao Brasil. Naquele mesmo dia, a mãe registrou em seu próprio diário a dor da separação, reconhecendo, ao mesmo tempo, o valor eterno das almas que se perdiam pela falta do evangelho. Foram cinquenta e cinco dias de travessia. No dia 12 de agosto de 1859, Ashbel Green Simonton desembarcava no Rio de Janeiro, a capital do Império do Brasil, com apenas vinte e seis anos de idade.


Os primeiros passos e o encontro com Kalley
O Brasil que recebeu o jovem missionário não era, porém, um território totalmente virgem para o protestantismo. Décadas antes, imigrantes anglicanos e luteranos já haviam se estabelecido no país, restringindo, contudo, suas práticas religiosas às próprias comunidades étnicas. Alguns pastores metodistas e congregacionais, como Daniel Parish Kidder e James Cooley Fletcher, haviam feito tentativas pioneiras, ainda que limitadas, de alcançar os próprios brasileiros. E, mais recentemente, o médico e missionário escocês Robert Reid Kalley já trabalhava no Rio de Janeiro havia quatro anos, tendo conquistado importantes avanços em favor da liberdade religiosa.


Foi justamente a Kalley que Simonton recorreu logo em seu primeiro mês no país. O missionário escocês, mais experiente, recebeu o jovem recém-chegado com conselhos paternais, e entre os dois formou-se, apesar de um breve mal-entendido ocorrido meses depois, uma relação de respeito que perduraria ao longo dos anos.


O maior obstáculo imediato de Simonton, contudo, não era relacional, mas linguístico. Sem o domínio do português, ele via-se restrito nos primeiros tempos, a pregar em navios ancorados na baía de Guanabara e em residências de estrangeiros. Escreveu, três meses após sua chegada, que aprender o idioma era, naquele momento, tudo o que realmente importava pois, sem essa ferramenta, sentia-se incapaz de ser verdadeiramente útil. Lutou arduamente com esse desafio até que, no dia 22 de abril de 1860, um domingo, conseguiu finalmente dirigir seu primeiro culto em língua portuguesa. No mesmo dia, organizou também sua primeira Escola Dominical, reunindo apenas cinco crianças em torno da Bíblia, do Catecismo e do clássico O Peregrino, de John Bunyan.
Três meses depois, em julho de 1860, chegaram os primeiros reforços de que tanto precisava: o Rev. Alexander Latimer Blackford e sua esposa Elizabeth que era, irmã de Simonton. A partir de então, os dois cunhados trabalhariam lado a lado na construção da obra presbiteriana brasileira. Ainda naquele ano, Simonton empreendeu uma longa viagem de reconhecimento pelo interior, passando por São Paulo, Sorocaba, Itapetininga, Itu e Campinas, viagem que lhe proporcionou, ao lado de pregações e visitas, um contato direto e por vezes desconcertante com a realidade social do Brasil imperial, incluindo a instituição da escravidão, que o incomodava profundamente.

A primeira igreja e os primeiros reveses pessoais
Com o passar dos meses, e com um português cada vez mais fluente, Simonton começou finalmente a colher os primeiros frutos de sua pregação. A partir de maio de 1861, registrou em seu diário a satisfação de poder, enfim, anunciar sua mensagem com desenvoltura aos brasileiros e portugueses que o ouviam. Em dezembro daquele ano, chegou ao Brasil mais um colega fundamental para a jovem obra: o Rev. Francis Joseph Christopher Schneider.
Foi com a presença de Schneider que se deu, finalmente, a realização mais aguardada por Simonton. No dia 12 de janeiro de 1862, ele organizou formalmente a Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro, recebendo como membros fundadores duas pessoas, curiosamente, ambas estrangeiras: um norte-americano, agente da Companhia Singer de máquinas de costura, e um português. Modesta em número, mas imensa em significado, aquela pequena comunidade representava a primeira igreja presbiteriana de língua portuguesa organizada em solo brasileiro. Em seu diário, com a sobriedade que lhe era característica, Simonton registrou a frase que resumiria para sempre aquele instante: “Assim, organizamo-nos em igreja de Jesus Cristo no Brasil”.
Pouco tempo depois dessa conquista, Simonton viajou aos Estados Unidos para gozar sua primeira e única licença, antecipando uma viagem que já planejava em razão da saúde debilitada de sua mãe, mas ao chegar, porém, descobriu que ela já havia falecido. Foi um golpe duro, suavizado apenas pela oportunidade de rever, ainda uma vez, seus irmãos reunidos. Durante essa estada nos Estados Unidos, Simonton visitou diversas igrejas, entre elas a maior comunidade de imigrantes portugueses em Jacksonville, Illinois, cujos membros se encantaram ao ouvir um americano expressar-se com tanta fluência em seu próprio idioma. Foi também nesse período que conheceu Helen Murdoch, com quem se casou em Baltimore, no dia 19 de março de 1863.
Quatro meses depois do casamento, o novo casal retornou ao Brasil. Com a chegada de Simonton, os Blackford mudaram-se para São Paulo, dando início ali a um novo campo de trabalho presbiteriano decisão que, poucos anos mais tarde, revelaria sua importância histórica. No Rio, Simonton e Helen viveram um breve período de intensa felicidade doméstica, interrompido de maneira abrupta e dolorosa. Em 19 de junho de 1864 nasceu a única filha do casal, também chamada Helen. Nove dias depois, em 28 de junho, a jovem esposa faleceu, vítima de complicações do parto.


A dor dessa perda marcaria Simonton para sempre, em seu diário, ele escreveu que águas profundas haviam rolado sobre ele, e que tudo ainda lhe parecia um sonho. Foi um golpe do qual, segundo relatos de quem o conheceu, ele jamais se recuperaria plenamente, ainda assim, não permitiu que o luto paralisasse sua obra. Contou, naquele momento difícil, com a companhia solidária de um jovem colega recém-chegado, George Whitehill Chamberlain, que se tornaria, com o tempo, um dos mais notáveis missionários presbiterianos a atuar no Brasil.
Os frutos de um trabalho que se multiplicava
Foi precisamente nesse período de dor pessoal que Simonton viu florescer alguns dos frutos mais duradouros de seu ministério. Em outubro de 1864, poucos dias antes do falecimento de sua esposa, um acontecimento de grande repercussão movimentou a pequena comunidade presbiteriana do Rio: o ex-padre José Manoel da Conceição foi recebido como membro da igreja, após romper publicamente com o sacerdócio católico e declarar sua adesão à fé evangélica. Conhecido por muitos como o “padre protestante”, Conceição havia servido como pároco em diversas cidades do interior paulista, e sua conversão deu enorme visibilidade ao movimento ainda incipiente liderado por Simonton.

Dois dias após essa adesão, em 5 de novembro de 1864, nasceu outro empreendimento decisivo: o jornal Imprensa Evangélica, o primeiro periódico protestante do Brasil. Impresso numa tiragem inicial de quatrocentos e cinquenta exemplares, o jornal circularia, ao longo de vinte e oito anos, como o principal instrumento de propaganda evangélica e de debate público da nova fé, travando inclusive vigorosas polêmicas com a imprensa católica da época. Na véspera de sua publicação, Simonton escreveu em seu diário que sentia, mais do que em qualquer outro passo até então dado, o peso da responsabilidade daquele empreendimento e que só lhes restava avançar com ousadia, depois de entregarem a iniciativa à direção divina.
O ano seguinte, 1865, trouxe uma nova multiplicação de frutos. Em março, Blackford organizou, na capital paulista, a segunda igreja presbiteriana do Brasil. Em novembro, outra comunidade nasceu na distante vila de Brotas, a última paróquia do próprio José Manoel da Conceição, e palco da conversão de famílias inteiras do interior, como as famílias Gouvêa e Cerqueira Leite. Diante da existência já de três igrejas organizadas no Rio, São Paulo e Brotas, Simonton e seus colegas puderam finalmente dar um passo institucional de grande importância: a criação de um presbitério, o concílio responsável, dentro do sistema de governo presbiteriano, por ordenar ministros e supervisionar igrejas locais.
O Presbitério do Rio de Janeiro foi solenemente instalado em 16 de dezembro de 1865, não na capital do Império, mas em São Paulo, por uma questão de conveniência logística. A reunião ocorreu na residência do próprio Blackford, um velho casarão colonial próximo ao Largo de São Bento. Ali, Simonton apresentou formalmente a proposta de organização do concílio, Blackford foi eleito o primeiro moderador, e o novo presbitério composto por apenas três igrejas e três missionários estrangeiros, ficou filiado ao Sínodo de Baltimore, da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos.
A realização daquela reunião possibilitou que no dia seguinte, em 17 de dezembro de 1865, José Manoel da Conceição fosse ordenado ao ministério presbiteriano, tornando-se o primeiro pastor evangélico brasileiro. Coube a Blackford conduzir as perguntas constitucionais, e a Simonton dirigir ao novo colega a mensagem de saudação, baseada na segunda carta de Paulo aos Coríntios: a exortação a serem embaixadores em nome de Cristo. Foi um momento de intensa emoção para o pequeno grupo de pioneiros, a prova viva de que a semente lançada por Simonton seis anos antes começava, finalmente, a germinar em solo verdadeiramente brasileiro.


Os últimos projetos de um construtor incansável
Nos dois anos seguintes, mesmo enfrentando o cansaço de um ministério exercido praticamente sozinho pois Chamberlain regressara temporariamente aos Estados Unidos para completar seus estudos teológicos, Simonton não interrompeu seu trabalho para desenvolver a Igreja Presbiteriana no Brasil. A pequena igreja do Rio, que crescia continuamente, precisou mudar de endereço diversas vezes, até finalmente instalar-se, em abril de 1867, num prédio junto ao Campo de Santana, atual Praça da República. Foi ali que Simonton concretizou dois novos projetos que lhe eram particularmente caros: uma escola paroquial e, sobretudo, um seminário para a formação de pastores nacionais.
Simonton compreendera, desde cedo, que a igreja brasileira jamais poderia crescer e emancipar-se sem formar sua própria liderança. Assim, em 14 de maio de 1867, teve início o chamado “Seminário Primitivo” do Rio de Janeiro, com o próprio Simonton, seu colega Schneider e o pastor luterano Carlos Wagner como professores. A modesta instituição funcionaria por apenas três anos, mas seria suficiente para formar os quatro primeiros pastores presbiterianos nacionais de língua portuguesa: Antônio Bandeira Trajano, Miguel Gonçalves Torres, Modesto Perestrello Barros de Carvalhosa e Antônio Pedro de Cerqueira Leite.
Em julho daquele ano, durante a terceira reunião ordinária do presbitério, a última da qual Simonton participaria, ele apresentou aos colegas um documento que se tornaria, em certo sentido, seu testamento espiritual: um texto intitulado “Os meios necessários e próprios para plantar o reino de Jesus Cristo no Brasil”. Cinco meses antes de sua morte, sem saber ainda que o tempo se esgotava, Simonton deixava por escrito a súmula madura de tudo o que aprendera sobre a implantação do evangelho naquela terra que aprendera a amar.
A última viagem
No final de novembro de 1867, Simonton preparou-se para mais uma de suas frequentes visitas a São Paulo, onde sua filha Helen, então com três anos, era criada pela tia Elizabeth. Dessa vez, porém, havia um motivo adicional para a viagem: Simonton sentia-se doente, e esperava que o clima mais ameno da capital paulista trouxesse alívio à sua saúde debilitada. As constantes epidemias de febre amarela no Rio de Janeiro já haviam, por diversas vezes, preocupado seus colegas e a si mesmo.
Chegou a São Paulo no dia 27 de novembro de 1867, uma quarta-feira, hospedando-se, como de costume, na casa de seu cunhado Blackford, a mesma residência onde dois anos antes, fora instalado o Presbitério do Rio de Janeiro. Ali, começou a escrever um artigo para a Imprensa Evangélica que jamais chegaria a concluir. Recebeu a assistência de um médico americano piedoso, e, a seu próprio pedido, a pequena congregação orou por ele na reunião de quarta-feira, dia 4 de dezembro.
No sábado seguinte, sentindo alguma melhora, Simonton teve com sua irmã Elizabeth uma conversa que ficaria gravada para sempre na memória da igreja que ele fundara. Ao perguntar se ele tinha algum recado para os amigos nos Estados Unidos, respondeu apenas que dissessem que os havia amado até o fim. Questionado sobre uma mensagem para a Junta de Missões, pediu que tocassem o trabalho adiante. E, quando a irmã, já emocionada, lhe falou da falta ele faria à igreja do Rio, Simonton respondeu com a serenidade de quem havia, ao longo de toda a vida, aprendido a confiar inteiramente na soberania divina: Deus levantaria outro para ocupar o seu lugar, pois faria a Sua própria obra com Seus próprios instrumentos. Diante da comoção da irmã, concluiu que só lhes restava recostar-se nos braços eternos e ficar sossegados.
No domingo, dia 8 de dezembro, Blackford leu um salmo no quarto do enfermo, e um membro da igreja orou por ele. Na madrugada de segunda-feira, dia 9 de dezembro de 1867, às quatro e meia da manhã, Ashbel Green Simonton expirou, aos trinta e quatro anos de idade, poucas semanas antes de completar trinta e cinco. Seu corpo foi sepultado no mesmo dia, às seis da tarde, no Cemitério dos Protestantes, anexo ao Cemitério da Consolação, na presença de crentes locais e de amigos brasileiros, ingleses e americanos.
No livro de registro de sepultamentos daquela necrópole que até hoje se conserva, ficaram lavrados dois certificados: um do médico, atestando como causa da morte a febre biliosa; outro do próprio Blackford, identificando o falecido como pastor da Igreja Evangélica Presbiteriana do Rio de Janeiro. Sobre sua lápide de mármore rosado, gravou-se um epitáfio que resumia, em poucas palavras, a esperança que sustentara toda a sua trajetória: a certeza de uma bendita ressurreição, fundada na promessa de Cristo em João 11:25.
Um legado que não se mediu pelo tempo
Escrevendo apenas oito dias depois da morte de Simonton, o missionário recém-chegado Hugh W. McKee testemunhou que o havia encontrado, no pouco tempo em que o conheceu, como um nobre cavalheiro cristão, um erudito consumado e um ministro extremamente bem-sucedido. No ano seguinte, o Presbitério do Rio de Janeiro dedicou-lhe uma homenagem que sintetizava, com precisão, a extensão da perda: lamentavam-no como membro da família humana, como colega de concílio, como pregador exímio, como homem de vasta cultura, como um dos primeiros escritores de seu tempo e sobretudo, como bom esposo e bom pai.
Descontados o período inicial de aprendizado da língua e a longa viagem aos Estados Unidos em 1862, o trabalho efetivo de Simonton entre os brasileiros estendeu-se por pouco mais de seis anos. Ainda assim, naquele espaço breve e intenso, ele fundou a primeira igreja presbiteriana brasileira, criou o primeiro periódico evangélico do país, organizou o primeiro presbitério, lançou as bases do primeiro seminário teológico protestante e recebeu, por profissão de fé, oitenta pessoas ao rebanho que pastoreava. Mais do que instituições, porém, Simonton deixou um modelo de entrega: a disposição de habitar, sem reservas, o centro da vontade de Deus, ainda que esse centro estivesse cercado, como de fato esteve, por febres, perdas e solidão.
Em 12 de agosto de 1959, exatamente cem anos após sua chegada ao Brasil, a Igreja Presbiteriana do Brasil colocou junto ao seu túmulo uma placa comemorativa, cuja inscrição resume, com justiça, o significado de toda a sua trajetória: “O seu trabalho não foi em vão no Senhor”. Sua única filha, Helen Murdoch Simonton, nascida no Rio de Janeiro e criada pelos Blackford após a morte precoce dos pais, viveu até 1952, sem jamais se casar ou ter filhos, de modo que a linhagem direta do pioneiro se extinguiu com ela. Mas a outra linhagem, a espiritual, multiplicou-se muito além do que ele algum dia poderia imaginar. Das duas primeiras igrejas que organizou, do pequeno seminário que fundou, do punhado de estudantes que formou, nasceu uma denominação que, passado um século e meio, se faz presente em todos os estados do Brasil. Aos que hoje colhem os frutos daquele plantio, resta a mesma pergunta que, em certo sentido, Simonton respondeu com a própria vida: até onde se está disposto a ir, para que outros possam ouvir?
Somente Cristo! Pr. Reginaldo Soares.
UL TIMAS POSTAGENS

Meu chamado para o ministério pastoral veio em 1994, sendo encaminhado ao conselho da Igreja Presbiteriana (IPB) em Queimados e em seguida ao Presbitério de Queimados (PRQM). Iniciei meus estudos no ano seguinte, concluindo-os em 1999. A ordenação para o ministério pastoral veio em 25 de junho de 2000, quando assumi pastoreio na IPB Inconfidência (2000-2003) e da IPB Austin (2002-2003). Desde de 2004 tenho servido como pastor na Igreja Presbiteriana em Engenheiro Pedreira (IPEP), onde sigo conduzido esse amado rebanho pela graça de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Sou casado há 22 anos com Alexsandra, minha querida esposa, sou pai de Lisandra e Samantha, preciosas bênçãos de Deus em nossas vidas. Me formei no Seminário Teológico Presbiteriano Ashbel Green Simonton, no Rio de Janeiro, e consegui posteriormente a validação acadêmica pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Pela bondade de nosso Senhor, seguimos compartilhando fé, amor e buscando a cada dia crescimento espiritual. Somente Cristo!





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