ARGULA VON GRUMBACH: A fé firmada na Rocha

Conheça Argula von Grumbach, a nobre bávara que desafiou uma universidade com a Bíblia e firmou a fé na rocha, Jesus Cristo.

1 Coríntios 10.4. “E beberam da mesma bebida espiritual. Porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo.”

A Bíblia de Koberger, mais conhecida como Biblia Germanica ou Bíblia de Nuremberga.

Aos dez anos, Argula recebeu do pai uma Bíblia de Koberger (também chamada frequentemente de Biblia Germanica ou Bíblia de Nuremberg é uma das obras mais famosas do início da impressão de livros, impressa e editada em Nuremberg, na Alemanha, por Anton Koberger), um tesouro raro numa época em que os livros eram privilégio de poucas pessoas. Nascida por volta de 1492 numa nobre família da Baviera, Argula foi guardando as Escrituras na memória, a ponto de ser lembrada como a “Bíblia alemã ambulante”. Aos dezesseis anos foi enviada à corte de Munique como dama de companhia de Cunegunda a arquiduquesa austríaca da Casa de Habsburgo e duquesa da Baviera, mulher culta e atenta à Palavra, e ali sua sede pela Escritura Sagrada cresceu.

A vida, porém, logo lhe ensinou o que os livros não ensinam. Em 1509 a peste levou seus pais, o tio que a acolheu foi executado em 1516, por intrigas políticas e naquele mesmo ano ela se casou com Friedrich von Grumbach, católico e administrador em Dietfurt, com quem teve quatro filhos.

Por volta de 1520, quando os escritos de Lutero e Melanchthon começaram a circular, Argula os estudou com afinco e sua convicção ganhou contornos definidos. Em 1523, o jovem professor Arsacius Seehofer, de cerca de dezoito anos, foi preso em Ingolstadt por ensinar a teologia reformada, sob ameaça de fogueira, retratou-se, foi confinado num mosteiro e ninguém saiu em sua defesa.

Argula, agora com 31 anos recusou-se a se calar e escreveu à universidade uma carta que citava a Bíblia mais de oitenta vezes, perguntando onde Cristo e os apóstolos tinham prendido ou queimado alguém e pedia um debate público. Os professores a ignoraram, mas a carta, publicada com prefácio de Andreas Osiander (importante teólogo luterano alemão, reformador protestante e hebraísta do século XVI), chegou a catorze edições em dois meses, e seus panfletos passaram de trinta mil exemplares. Lutero que foi o estopim da Reforma, a admirava e escreveu que os anjos se alegravam com aquela filha de Deus. Ainda assim, ela recusava ser chamada de luterana, pois fora batizada em nome de Cristo e afirmava que, mesmo se Lutero negasse tudo, sua fé permaneceria sobre “a verdadeira rocha: Jesus Cristo”.

O preço que Argula pagou por seu posicionamento foi alto, sendo insultada com termos como: “demônio feminino”, “filha miserável e patética de Eva” e “diabo arrogante”. As autoridades, sem poder atingi-la, demitiram o marido, acusado-o de não ser homem bastante para calar a esposa e espalhou-se a notícia de que o incitaram a feri-la; Friedrich recusou-se, mas o casamento ficou abalado diante de tudo isso e a família foi banida de Dietfurt, ele não encontrou trabalho, e Argula empenhou suas joias para manter a casa. Lutero a estimava em suas cartas pessoais, mas nunca a defendeu em público nem a ajudou, e as fontes não registram o socorro de nenhum reformador.

Friedrich morreu em 1530 e Argula viajou por conta própria para encontrar Lutero em Coburgo e tentou aproximar reformadores divididos quanto à Ceia, mas foi rejeitada por ser mulher. Casou-se novamente em 1533, com o conde von Schlick, que partiu em 1535. Depois disso precisou enterrar três dos quatro filhos, em 1539 e 1544. Ainda em 1563 foi presa por distribuir livros protestantes, promover cultos domésticos e oficiar sepultamentos.

Após todos esses intensos debates e enfrentando ela viveu seus últimos anos de forma reservada e possivelmente faleceu de causas naturais em algum momento entre 1554 e 1563.

A pedra que a seguia

O apóstolo Paulo recorda que Israel, no deserto, bebeu de uma rocha que o acompanhava, e que essa rocha era Cristo. O povo mudava de acampamento, a água continuava a correr, e a fonte nunca ficava para trás.

Assim foi com Argula, ela bebeu das Escrituras desde menina e quando vieram todas as tormentas sobre sua vida, ela descobriu que a Rocha estava sempre ao seu lado. Por isso sua fé não dependia de Lutero, do duque nem dos aplausos de ninguém, quando os homens se calaram, Cristo permaneceu, e a água nunca faltou a quem aprendeu a buscá-la na Santa Palavra.

O testemunho de Argula nos possibilita refletir sobre onde repousa a nossa fé? Líderes falham, aliados se calam, e até os bons amigos podem admirar-nos em segredo e nunca nos defender. Quando saciamos nossa sede em Jesus Cristo diariamente, quando temos a Palavra de Deus em nossas vidas estamos alicerçados em terreno seguro. Abra hoje a Bíblia, como Argula a abria e beba destaa fonte inesgotável.

Oremos. Senhor, tu és a minha rocha, a minha fortaleza e o meu libertador, se tudo me faltar, se meus amigos me faltarem e aqueles que podem me defender se calarem, ensina-me a saciar minha sede em Ti. Que a tua Palavra esteja fortemente plantada em meu coração, para que eu não peque contra Ti (Salmo 119.11). Firma os meus pés sobre a rocha e faz seguros os meus passos (Salmo 40.2). Amém.


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Somente Cristo! Pr. Reginaldo Soares.

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